Publicado em Notícias, Nacional, Entrevista | 04/12/2017 às 16:13:08


Bispo Stanley da Silva Moraes completa 47 anos de ministério pastoral


Bispo Stanley da Silva Moraes ao lado da esposa, Rute Moraes, no Concílio Regional da 2ª RE | Foto Bispo Adriel de Souza Maia
 

O 43º Concílio Regional da 2ª Região Eclesiástica foi testemunha da vida de piedade e dedicação do Bispo Honorário Stanley da Silva Moraes, quando, emocionado, declarou sobre o momento de sua aposentadoria. Desde o final de 1970 que o Bispo Stanley tem se dedicado ao ministério que Deus lhe deu. Casado com D. Rute Moraes há 47 anos, o casal tem duas filhas, duas netas e um neto. Ele foi consagrado como diácono no final de 1970; em 1971, recebeu a primeira nomeação pastoral para Porto Alegre/RS. Somente em Cruz Alta/RS chegou a pastorear 16 Congregações. 

Para ele, o maior legado da Igreja é pastorear ao lado de pessoas não clérigas. O maior desejo está em viver numa Igreja serva. Stanley foi eleito Bispo da Igreja Metodista em 1991; posteriormente ocupou o cargo de Secretário Executivo do Colégio Episcopal, aliás, função que exerce há 19 anos, mas o que nunca deixou de ser mesmo foi pastor. Quem testemunha isso é a psicóloga Elizabeth Coelho de Santa Maria/RS. “No pe­ríodo do Pastor Stanley, eu fazia parte, e ainda faço, do rol dos membros da Igreja Metodista Central de Santa Maria/RS. Ele foi um exemplo de pastor vocacionado e dedicado ao seu Ministério, sempre desenvolvendo suas atividades com equilíbrio e coerência, sendo cauteloso no pensar e agir. Demonstrou ser um fiel servo de Deus, tanto em relação à sua vida religiosa como também familiar, como pai e esposo exemplar”, declarou Elizabeth.

Abaixo, você confere a entrevista exclusiva com o Bispo Stanley da Silva Moraes.

EC: Quando foi a sua primeira nomeação pastoral?

Bispo: Fui consagrado diácono no final de 1970 e assumi minha primeira nomeação em 1º de fevereiro de 1971, como pastor ajudante na Igreja Wesley, em Porto Alegre.

EC: Como lidou com a situação de ser nomeado para pastorear mais de uma Igreja? 

Bispo: A prática do sacerdócio universal de todos/as os/as crentes era muito presente na vida da Igreja. Os/as guias-leigos/as exerciam o pastorado da Igreja no dia a dia. O pastor trabalhava com eles/as. Reunia-me regularmente com eles/as, que me passavam o que estava acontecendo na sua comunidade. Assim, estabelecia-se a agenda do pastor. Eu presidia a Santa Ceia mensalmente em todas congregações. Em Cruz Alta tive, em um ano, 16 congregações. Em Passo Fundo foram 7 atendidas por evangelistas, que substituíram os/as guias-leigos/as. A Igreja crescia e se sentia pastoreada. Eu sentia prazer em servir ao Senhor auxiliando aquele povo.

EC: O que mais o marcou no ministério pastoral? 

Bispo: Pastorear junto com uma equipe pastoral composta de leigos e leigas fiéis. O laicato da Igreja é o que a Igreja tem de mais precioso. Pude ajudar na capacitação de muita gente que encontrei pelo caminho; assim, elas se tornaram agentes da missão dentro e fora da Igreja.


Bispo Stanley da Silva Moraes ao lado da esposa, Rute Moraes, na década de 1970.

EC: Durante toda essa caminhada, o senhor mudaria alguma coisa? Por quê?

Bispo: O passado não pode ser mudado, mas eu gostaria de viver numa Igreja serva, em que cada crente servisse a Deus e às outras pessoas com alegria. Infelizmente, uma tentação que a Igreja como instituição sofre é a de que cada um/a deseja ser o “sumo sacerdote”, ou seja, aquele sacerdote que Jesus tanto condenou. Há muito presbítero e presbítera que gasta sua vida tentando ser bispo ou bispa para poder mandar nos demais, não para servir. Faltam pastores e pastoras servos e servas. Por isso, o povo da Igreja muitas vezes se sente como ovelha sem pastor/a.

EC: Qual a importância da família na caminhada pastoral? 

Bispo: Deus nos fez pessoas que vivem em comunhão. A família é muito importante para o exercício pastoral. Em minha juventude orei por alguns anos pedindo ao Senhor que preparasse alguém que pudesse ser esposa do pastor e esposa do homem Stanley. Quando senti no coração, ao estar com minha amiga Rute, uma voz que me dizia “é esta!”, a procurei colocando o que tinha em meu coração. Ela aceitou-me e ficamos namorando e orando, buscando entender o chamado de Deus. Quando ouvimos a resposta, marcamos o casamento e nos casamos depois de quatro anos de namoro. Não tínhamos quase nada do ponto de vista material, mas tínhamos um ao outro e a certeza de um chamado. Isso marcou nossa vida e ministério. Lá se vão 47 anos de vida conjugal. Geramos duas filhas, ganhamos dois genros e temos duas netas e um neto, todos servos e servas do Senhor. Louvo a Deus pela bênção da família. Tais e Liane, Oseias e Wagner, Maria Luiza, Pedro e Eduarda são parte do ministério que o Senhor nos deu, gerado em duas famílias fiéis. 

Redação EC


A quem honra, honra.
(Romanos 13.7d)


A história nem sempre faz justiça em relação à trajetória da vida de determinadas pessoas, seja por sua sensibilidade no trato com outrem, seja pelo exigente trabalho que realiza, longe dos holofotes e reconhecimento, nos espaços ministeriais pelos quais transita. De fato, pessoas com esse perfil não estão atrás de reconhecimento, de aplausos, de meritocracia. Elas agem por vocação e amor aos desafios assumidos.

 Bispo Stanley da Silva Moraes é assim. Faz parte dessa estirpe cristã que assume, como o nosso Mestre Jesus, a condição de que não veio para ser servido, mas para servir. Seu trabalho diário, sua consagração vocacional e sua competência no exercício de sua função nacional, como Secretário Executivo do Colégio Episcopal do qual já foi membro ativo, traz tranquilidade e confiança ao governo da Igreja no trato de todos os aspectos que envolvem a vida institucional, estrutural e missionária da Igreja Metodista. 

Com sua memória privilegiada, e sendo um profundo conhecedor da vida e da missão realizada através dos Concílios Gerais e outros órgãos nacionais, ele tem se constituído numa referência para descortinar fatos, decisões e realizações que passam à responsabilidade do CE, requerendo medidas e encaminhamentos necessários ao bom andamento da Igreja.
Assim, sou grato a Deus por este ministério exercido, de forma eficaz e discreta, pelo querido colega Bispo Honorário Stanley, rogando a Deus que neste novo tempo de transição para outro patamar pastoral, ele continue gozando das bênçãos e do cuidado de Deus, junto com a sua esposa, Rute, e demais familiares, na continuidade desta boa e bem-aventurada jornada da fé. 

Bispo Luiz Vergílio da Rosa
Presidente do Colégio Epicospal

 


Publicado originalmente no Jornal Expositor Cristão de dezembro/2017


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