Publicado por José Geraldo Magalhães Jr. em Artigo, Reflexão, Episcopal, Opinião, Notícias | 30/09/2019 às 09:48:25


Palavra Episcopal EC outubro: Duas mães e um rei justo: quem temos sido nessa história?


Texto base dessa reflexão: 1 Reis 3.16-28

Bispo Adonias Pereira do Lago - Presidente da 5ª Região Eclesiástica

O texto mencionado acima revela algumas realidades humanas que nos fazem refletir, bem como devem nos fazer reagir positivamente com santa indignação e amorosa compaixão. Temos três personagens em destaque nesta narrativa. O rei justo que existe para promover justiça e paz. A mãe que perde o filho por acidente ou descuido e a mãe que poderia ter perdido o filho por roubo.

Quando nossa sociedade maltrata as crianças e não as protege, já está corrompida e corrompe uma das últimas reservas de pureza e inocência da vida humana. Apesar de muitos esforços por parte de Igrejas e ONGs, que buscam auxiliar as famílias no cuidado e proteção dos/as pequeninos/as, ainda não têm sido suficientes para ajudar todos/as que sofrem casos de destrato e maltrato por parte de pessoas da própria família e por parte de pessoas ruins e sem coração, que passeiam em nosso meio como víboras perigosas lançando veneno de violência e maldade contra tais pequeninos/as. 

O rei justo pode ser representado por todos os esforços humanos e espirituais daqueles/as que lutam a favor da justiça, em especial a favor das crianças. Precisamos que tais esforços se multipliquem em nossa sociedade e com muita urgência. Os poderes estatais, laicos e eclesiásticos podem fazer mais por nossas crianças; há urgência em resguardá-las com cuidados intensivos e intencionais, e estender o cuidado está embutido no texto que nos ensina que elas representam o Reino dos Céus (… pois de tais já dizia Jesus é o Reino dos Céus). Elas serão um dia nossos/as líderes, governantes, profissionais liberais, empresários/as, influenciadores/as que governarão as cidades, conduzirão nossa economia, nossa vida social e – por que não dizer? – serão nossos/as líderes espirituais. O rei justo, na história contada na Bíblia, combate a maldade, desfaz engano, frustra o plano da mentira, anula a força de quem quer se aproveitar de uma situação caótica e, finalmente, coloca a criança nos braços da verdadeira mãe! 

A mãe que perdeu o filho por acidente ou descuido pode ser representada pelas pessoas adultas que têm pouca responsabilidade com a infância. Não se importam! Podem até ser pessoas que estão repetindo em suas histórias familiares o abandono que sofreram. Quantas crianças ao nosso redor estão sendo vitimizadas por descasos familiares? Tantas realidades sendo construídas com desleixo por parte dos pais e educadores/as. Essa mulher pode representar a realidade de não querer saber, não se importar, não se envolver… Então, que venham os abusos, abandonos, violências, privações, fome, frio e nudez.
Como Igreja, representante de um Deus Cuidador que ama, não deveríamos falhar no cuidado dos/as pequenos/as. O cenário da mãe que dorme em cima da criança e a mata nos remete aos nossos dias, quando milhares de crianças morrem diariamente ao nosso redor, por todo tipo de violência infligida a elas. Até quando esse sistema que nos acondiciona vai rolar por cima das crianças, matando seus sonhos, sua dignidade, seu futuro, sua vida?

A mãe que teria perdido o filho por roubo representa a família que ama, a Igreja que ajuda a família a cuidar e proteger suas crianças, representa todas as ações humanas e divinas que geram dignidade e proteção para nossas crianças. Precisamos ser esse tipo de pessoa, que protege a vida da criança. Necessitamos de governos que ajudem a família a educar e proteger nossos filhos e filhas em sua fase infantil de forma especial. Nossa sociedade necessita de ações que ajudem nossas crianças a crescerem com mais segurança, educação, saúde, vida. O cenário desta mãe é um sinal de esperança, o julgamento correto do Rei acalenta nosso coração de que nem tudo está perdido. O mal não vencerá sempre. O roubo da vida dos/as pequenos/as poderá ser convertido na proteção dos braços de uma mãe de verdade. De pessoas de coração bom que servem de braços que acolhem nossos/as pequenos/as, em especial os/as abandonados/as.

A Igreja deve ser braços para muitas crianças que vivem soltas pelas ruas da cidade, pode ser apoio para mães que precisam de ajuda, pode ser educação cristã e secular de qualidade para ajudar as famílias e o Estado. O Rei Jesus, que julga corretamente, convoca a Igreja para agir com amor e justiça nesta perversa sociedade humana, chama as Escolas Dominicais a cumprirem sua função materna e paterna de acolher, educar, formar e proteger mais crianças em parcerias com as famílias e os governos. 

As crianças precisam de família, igreja, escola dominical, culto infantil, EBFs, Sombra e Água Fresca, carinho, afeto, cuidado, respeito, proteção, escola, alimento, roupa, espaço para sonhar, tempo para crescer, de braços para amar. Que Igreja temos sido para nossas crianças hoje? “Em seguida, tomou as crianças nos braços, impôs-lhes as mãos e as abençoou” (Marcos 10.16). Esta é a missão da Igreja em Cristo Jesus. “Todos os seus filhos serão ensinados pelo Senhor, e grande será a paz de suas crianças” (Isaías 54.13). “Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles” (Provérbios 22.6). A Igreja existe para abençoar, ensinar e instruir as crianças, precisamos avançar nesta missão. 

Publicado originalmente na edição de outubro de 2019 do jornal Expositor Cristão 

*Reprodução parcial ou integral deste conteúdo autorizado desde que seja citado a fonte conforme abaixo:

[Nome do repórter], Expositor Cristão (Edição outubro de 2019)


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