Publicado por Redação em Metodismo, Episcopal - 27/06/2016 às 12:16:47

O que esperar do 20º Concílio Geral

Desde o primeiro Concílio na Igreja Primitiva em Atos, os Concílios se reuniam com o objetivo de discutir e deliberar sobre assuntos e questões pastorais, doutrinárias, costumes e fé na vida da Igreja para sua preservação, defesa e unidade. Na Igreja Primitiva em Atos havia uma grande discussão que estava dividindo os/as primeiros/as cristãos/ãs, ou seja, de um lado, o movimento dos/ as judaizantes (judeus/ias) e, de outro lado, os gentios (não judeus/ias). Através desse primeiro concílio eles procuravam conciliar as duas correntes de pensamentos e práticas na vida da Igreja, de tal maneira que ninguém saísse perdendo, mas que todos/ as ganhassem.

Como podemos observar, os Concílios foram e são até hoje um esforço comum da Igreja em preservar a sua unidade em defesa da fé cristã. Esperamos que cada delegado e delegada ao nosso 20º Concílio Geral tenha essa consciência que não o representa, mas representa a região eclesiástica (igreja local) que o/a elegeu e que espera dele ou dela uma atuação digna e transparente em defesa da fé genuína das diversas comunidades metodistas de fé cristã. Em meio a tantos assuntos e propostas, os delegados e delegadas devem ter como parâmetro para medir e decidir sobre cada assunto proposto a história e a tradição da Igreja Metodista de ser uma comunidade de fé com suas tradições e costumes; é uma Igreja que não existe no congregacionalismo, mas que se fortalece na visão conexional de ser Igreja, Corpo de Cristo, é uma Igreja que pensa e deixa pensar, não é ditadora, mas conciliar, e tem sua base em Jesus Cristo. É firmada em sua conexionalidade e na sua teologia cristocêntrica, que vai tomar todas as suas decisões para preservação genuína da fé e prática centradas nas regras gerais, na Bíblia, nossa Única Regra de Fé e Prática no metodismo.

Com a grande diversidade nas reli giões em nossos dias há também, no seio da comunidade de fé, muitas formas de metodismo: o metodismo primitivo, o metodismo norte-americano, o metodismo brasileiro e muitos outros. Mas nos perguntamos: que metodismo estaremos defendendo para mantermos sua unidade e missão no 20º Concílio Geral? Eu diria que um metodismo que seja a soma de todos os aspectos positivos dessas diversas tendências, um metodismo que é a somatória de tudo de bom e a rejeição de tudo que divide e mata a comunidade metodista. Sobre isso o Rev. John Wesley disse: “Não tenho medo de que o povo chamado metodista um dia deixe de existir, tanto na Europa como na América; mas tenho medo de que exista somente como uma seita morta, tendo forma de religião sem poder”. O Apóstolo Paulo nos oferece um conselho que revela muita sabedoria quando diz: “Pelo contrário, pensem com humildade a respeito de vocês mesmos, e cada um julgue a si mesmo conforme a fé que Deus lhe deu” (Romanos 12.3b). Espero que todos os delegados e delegadas exerçam muita humildade e julguem com muita fé as coisas reveladas por Deus para que possam discutir todos os assuntos e tomar todas as decisões, bem como também praticar todas as votações (bispos/as. Cogeam e outras) com muita humildade, consciência e transparência de acordo com os interesses do Reino de Deus.

Certamente, creio na responsabilidade pessoal de cada delegado e delegada que formam o 20º Concílio Geral, pois, além de ser meus irmãos e irmãs em Jesus, creio ser pessoas idôneas e que amam a Igreja Metodista. Creio que algumas coisas indicarão o caminho para cada um deles e delas: o conhecimento da Bíblia; a história da Igreja Metodista nas suas origens no século XVIII; a história de John Wesley e do Povo Metodista; o conhecimento dos Cânones da Igreja Metodista, em especial, nossas doutrinas fundamentais: A Criação Humana e o Pecado Original; Graça Preveniente; Livre Arbítrio; Arrependimento; Justificação; Santificação; Evangelho Social; Novo Nascimento; Testemunho do Espírito; Perfeição Cristã e outras... Creio que cada delegado e delegada ao 20º Concílio Geral vai procurar ser fiel a nossas tradições e doutrinas, bem como a nossa história. Assim iremos conciliar bem todas as coisas a favor de um único propósito: “não criar uma nova seita, mas reformar a nação (Brasil), especialmente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica por toda a terra” (John Wesley). Foi exatamente esse propósito que entrou em meu coração há quase 36 anos, quando conheci o metodismo e aceitei Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador Pes soal. Essa é a essência e o modo de ser cristão/ã metodista. É exatamente isso que espero do 20º Concílio Geral da Igreja Metodista, pois “quem sabe faz a hora... não espera acontecer...”.

Escrito por Roberto de Souza Alves |Bispo na 4° Região Eclesiástica


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