Publicado por José Geraldo Magalhães Jr. em Discipulado | 04/06/2019 às 14:59:35


O movimento metodista e o discipulado


“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28.18)

O discipulado é uma ordem de Jesus, não é algo facultativo, uma sugestão, é um comissionamento na perspectiva de evangelizar com intencionalidade, com graça, amor e cuidado. João Wesley foi categórico em afirmar: “A igreja não transforma o mundo fazendo novos convertidos. Ela transforma o mundo fazendo discípulos. A ordem de Jesus foi ‘Ide e fazei discípulos de todas as nações’” (Mt 28). O discipulado é o fato de que “aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou” (1 João 2.6).

Com base no ministério terreno de Jesus, João Wesley desenvolveu uma estratégia de treinamento prático para capacitar os/as cristãos/ãs metodistas do seu tempo. Essa estratégia de João Wesley foi uma ideia intencional na visão do discipulado.

1.    Discipulado é uma ordem que está em vigência
Precisamos olhar para dentro da Bíblia, que é Palavra de Deus, para o Novo Testamento e enfrentar o século XXI, uma sociedade urbana, com ousadia renovando a nossa responsabilidade de evangelizar, fazendo discípulos e discípulas com as lentes atualizadas de acordo com a caminhada da Igreja em Atos dos apóstolos.

Olhemos para a nossa história de metodismo, usando o retrovisor wesleyano, pois João Wesley escreveu: “estou cada dia mais convencido de que o maior desejo do diabo é que em todos os lugares as pessoas sejam apenas semidespertas e que depois sejam abandonadas e voltem a adormecer novamente”.
Wesley estava convencido de que as pessoas despertas pela pregação pública do evangelho precisavam ser envolvidas num processo contínuo de confissão de pecados; arrependimento; prestação de contas e santificação.

2.    O discipulado na perspectiva dos pequenos grupos é relevante e urgente
Em 1743 Wesley organizou a sociedade. “Tal sociedade é nada mais do que uma companhia de homens tendo a forma e buscando o poder da piedade, unidos a fim de orar juntos, receber a palavra de exortação e cuidar uns dos outros em amor, para que possam se ajudar mutuamente no desenvolvimento da sua salvação”.

Na história metodista o discipulado aconteceu num entendimento claro, sendo organizado para ganhar pessoas para Cristo de forma pedagógica para cuidar de vidas convertidas a Cristo. Wesley, como um autêntico cidadão inglês metódico, criou o tripé do discipulado e aperfeiçoou a dinâmica do discipulado: a) Sociedade; b) Classes e c) Bands.

a) Sociedade (as multidões)
O propósito da sociedade era gerar mudança no nível do conhecimento e reunia pessoas de uma área geográfica específica. Esse grupo maior de pessoas se reunia uma vez por semana para orar, cantar, estudar a Bíblia e cuidar uns/as dos/as outros/as em amor. Havia pouca provisão para resposta pessoal e prestação de contas. Como vimos acima, João Wesley descreveu a sociedade como “uma companhia de pessoas tendo a forma e buscando o poder da piedade”. Era uma reunião muito parecida com os cultos dominicais em nossas igrejas hoje.

b) Classes (os 12 discípulos de Jesus)
O propósito das classes era gerar mudança de comportamento. As classes refletiam a estrutura mais básica da sociedade. Cada classe era composta de 12 a 20 membros, de ambos os sexos, com variedade de idade e classe social, sob a direção de um/a líder treinado/a.
Não eram encontros para aprendizado acadêmico. Reuniam-se semanalmente, à noite, para confissão mútua dos pecados e prestação de contas para crescimento em santidade.

As classes providenciavam a estrutura para a “inspeção das condições do rebanho”; para ajudar as pessoas nas suas lutas e tentações e para ajudá-las a entender melhor, em termos práticos, as mensagens que haviam ouvido nas reuniões da sociedade.

Para continuar na sociedade, era necessário pertencer a uma classe. Em 1742, numa sociedade em Londres havia 426 membros, divididos em 65 classes. Dezoito meses mais tarde, aquela mesma sociedade tinha 2.200 membros, todos envolvidos em uma classe. Toda semana cada membro da classe tinha o dever de falar aberta e honestamente a respeito da “situação da sua alma”.

c) “Bands” (semelhante aos três discípulos mais próximos de Jesus: Pedro, Tiago e João):
O propósito das “bands” era gerar mudança de direção, coração e posição. Uma “band” era composta de quatro membros, do mesmo sexo, aproximadamente da mesma idade e estado civil. Eram células voluntárias com pessoas que tinham um compromisso claro e que desejavam crescer em amor; santidade e pureza de intenção. O ambiente nas “bands” era de completa honestidade e franqueza.

Havia regras sobre pontualidade e ordem nos encontros. Perguntas específicas foram introduzidas para que semanalmente cada membro respondesse aberta e honestamente:

• Que pecado conhecido você cometeu desde a nossa última reunião?
• Que tentações você encontrou?
• Como você foi liberto delas?
• Você pensou, disse ou fez qualquer coisa que tem dúvida se é pecado ou não?
• Há qualquer coisa que você tem o desejo de manter em segredo?

Podemos notar que nas “bands” não havia espaço para fingimento. Ali havia compromisso de confidencialidade e mútua submissão. Era um “centro de treinamento” para futuros/as líderes.

3. Na perspectiva do discipulado, líderes são fundamentais
Segundo o padrão bíblico, a Igreja Metodista alinhada com a visão de João Wesley deve capacitar os/as metodistas para pregar o evangelho e gerar discípulos e discípulas. Todos e todas são chamados, comissionados homens e mulheres, não importa o grau de instrução, a posição na sociedade, o poder aquisitivo e os títulos que o metodista tenha no seu currículo. Esta obrigação pesa os/as cristãos/ãs metodistas de fazer conhecido a graça de Deus no mundo.

4. O foco do discipulado é estar alinhado com a visão de Deus
“Batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Deus é um único ser divino que se manifesta com amor visando sempre a salvação da humanidade” (Mateus 28.19)

O alvo a partir do qual todo o processo deveria ser constantemente avaliado era: santidade e boa vontade – espiritualidade e serviço. Essa dinâmica produziu um novo tipo de cidadão e cidadã, num período da história da Inglaterra em que a criminalidade e toda forma de pecado público crescia vertiginosamente. Esses homens e mulheres foram instrumentos de Deus na reforma tanto da Igreja como da sociedade na qual viveram.

Conclusão: A Igreja é um organismo vivo na terra, que adora a Deus e testemunha o evangelho da graça que transforma a desgraça humana em salvação em Cristo Jesus. A Igreja é um movimento do Espírito Santo que prega o favor de Deus para homens, mulheres, crianças, juvenis e jovens!!! Estamos vivendo a graça de Cristo, portanto não é um partido religioso que salva, mas as Boas-Novas do evangelho. Quando os/as cristãos/ãs perdem esse discernimento da ordem, da comissão do discipulado de Cristo, viramos um monumento, nos reunimos sem paixão, sem ousadia de evangelizar e gerar discípulos e discípulas. 

Vamos viver o discipulado na perspectiva do Novo Testamento. Você, como metodista, tem testemunhado o evangelho da graça no seu trabalho, no colégio, na universidade, na sua rua, no seu bairro? Leve a sério indo, fazendo discípulos e discípulas, atravesse a rua, a avenida, a sua cidade e faça discípulos/as. Precisamos ser cristãos/ãs fiéis à visão celestial: “Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial” (Atos 26.19).

Bispo Fábio Cosme da Silva 
Presidente da Região Missionária da Amazônia 
Vivendo a missão metodista na visão do discipulado nas terras do norte do Brasil. 

Publicado originalmente na edição de junho de 2019


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