Publicado por Sara de Paula em Opinião, Notícias, Episcopal | 03/01/2019 às 16:33:11


Crianças: novidade profética para o ano 2019


Bispo Luiz Vergílio Batista da Rosa
Presidente do Colégio Episcopal 


Leitura: (Isaías 65.17-25; Lucas 2.10-11)

A Igreja Metodista definiu o ano de 2019 como um tempo para pensarmos, como discípulas e discípulos de Jesus, o cuidado para com o meio ambiente. Esta ênfase nos remete a refletirmos sobre a criação e a fragilidade da vida.

Criação

Na Bíblia, no livro de Gênesis, que trata da história da criação do universo e da vida, consta em seu 1º versículo que: “No princípio criou Deus...”.  O Profeta Isaías fala de um novo gênesis, no capítulo 66: V. 17, em que Deus “cria novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas”, referindo-se à presença do Reino de Deus.

“O nascimento e a sobrevivência das crianças colocam-se como uma denúncia profética contra o infanticídio, os maus tratos, o desprezo aos pequeninos e indefesos seres humanos”

Em ambos os textos há o uso do verbo “Barat” significando criar.  Esse verbo é sempre utilizado quando se trata da ação criativa direta de Deus. Assim, no contexto do AT, somente Deus é capaz de criar algo completamente novo, onde nada existia. A natureza, o universo são fruto desta ação.

A ação humana mais próxima deste agir divino é a concepção, quando a mulher concebe uma nova vida, dando continuidade ao processo divino de permanente renovação da natureza humana, no que é seguida pelas demais criaturas. Portanto, Deus também se expressa na experiência da gestação e do parto. Assim, em cada criança nasce a expectativa, a esperança de novos céus e nova terra.

Novos céus e velha terra

A presença do Emanuel criança, celebrado no recente Natal, não será facilmente compreendida. As pessoas preferem permanecer em seu antigo céu e no velho mundoa se aventurar por esta milagrosa mudança do temor das dores do parto para trazer a alegria do nascimento. 

Assim, a fecundação é ato de celebração da esperança, pois já não haverá bebês que vivam poucos dias. O nascimento e a sobrevivência das crianças colocam-se como uma denúncia profética contra o infanticídio, os maus tratos, o desprezo aos pequeninos e indefesos seres humanos.

Tudo que avilta a infância, situações, por exemplo, as guerras, os conflitos, a fome, a subnutrição, a violência, a exploração pelo trabalho e pelo tráfico, a falta de saneamento básico e de condições mínimas de sobrevivências; mas, sobretudo, o abandono e a indiferença. Essa realidade mantém um ambiente hostil à vida e à natureza. 

Novos céus e nova terra para as crianças

Assim, diante do novo céu e da nova terra, os símbolos do poder temporal, da violência, da prepotência e da injustiça, dos reinos e principados humanos, simbolizados pelo Lobo, o Leão, a Serpente, serão domesticados, educados para a vida de paz e de comunhão, com os seres mais frágeis: o cordeiro, a vaca, o jumentinho. Na fala do Profeta Isaías, “a criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco” (Isaías 11.8). 

A casa é lugar de convivência. O lugar onde exprimem-se afetos, lugar de proteção, de ensino e aprendizagem. Casa também é lugar de devoção, onde as primeiras noções de adoração, de santidade, de vida de comunhão são construídas e consolidadas. É lugar onde se aprende a definir papéis e princípios, onde a disciplina não é agressão, mas é reconhecimento de respeito à vida, a experiências já vivenciadas. Casa é o lugar que corresponde a cada pessoa em suas relações de pertencimento e de vivências.

Por isso, casa é lugar de longevidade abençoada. Onde os afetos são construídos, os valores de nossa fé são aprendidos e compartilhados. Portanto, o novo céu e nova terra são espaços para as nossas crianças e adultos viverem por longos anos. 

Assim, renovamos, para o novo ano, as esperanças de novos céus e de nova terra, onde nossas crianças, nossos filhos e filhas são as primícias. 

Bispo Luiz Vergílio Batista da Rosa
Presidente do Colégio Episcopal 
Publicado originalmente na edição de janeiro de 2019 do Jornal Expositor Cristão impresso.


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