Publicado em Notícias, Discipulado | 06/06/2018 às 15:48:10


Não terceirize o processo do discipulado: o papel da liderança pastoral na transição

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Uma igreja em discipulado é uma igreja relacional, e para que este processo aconteça de forma eficaz temos que refletir seriamente o papel do/a pastor/a na condução e transição de uma igreja pautada por programas para uma igreja discipuladora, entendendo o próprio discipulado como processo, e não como algo pronto.

Para isso, lembremo-nos de Jesus, o qual é a principal referência no nosso discipulado, entendendo assim que, além de bíblico, tem a centralidade de Cristo, portanto, “o chamado ao discipulado é comprometimento com a pessoa de Cristo… por Cristo existir, tem que haver discipulado” (Bonhoeffer).

Seguir a Cristo implica prestar atenção nEle, olhar atentamente para o que Ele faz, ouvir o que Ele diz, perceber os milagres que Ele rea­liza, imaginar e dar atenção como Ele se relaciona com o pai, aprender como Ele se relaciona com as pessoas, ou seja, ser igual ao mestre, como o apóstolo Paulo afirma: “sede meus imitadores como eu sou de Cristo” (1Co 11.1). É no encontro com o mestre, no seu chamado ao discipulado, que nos possibilita a proximidade e consequentemente a intimidade, obedecendo ao imperativo de ir e fazer discípulos/as, pois entendemos o discipulado a partir de Cristo, e não de modelos preestabelecidos.

Diante disso afirmamos que o/a pastor/a precisa participar de todos os processos de transição na vida da igreja e liderar de fato o discipulado na igreja local. Falamos isso porque é muito comum nomear alguém líder de discipulado, seja homem, seja mulher, por ser uma pessoa que até tem a capacidade para isso, mas não substitui a figura pastoral na condução, uma referência que não só entende ou fala do assunto, mas de fato está vivenciando todas as etapas, as quais precisam ser obedecidas com muito esmero. Importante, sem pressa para que os resultados cheguem logo, mas com convicção de que este é um estilo de vida ensinado por Cristo e que a igreja tem como chamado principal fazer discípulos e discípulas.

A transição deve ser liderada pelo/a pastor/a titular, a igreja entenderá que esta é a prioridade pastoral e o/a seguirá; seu plano e suas ações refletem uma vida em discipulado, logo as ações da igreja também serão uma vida pautada no relacionamento, o discipulado será uma realidade com todos os seus desafios e relevância para a própria igreja, como também a cidade na qual está inserida.

O/a pastor/a precisará ser compromissado/a com uma igreja discipuladora, isto significa envolvimento pessoal do início ao fim. Amar a missão da igreja com todos os seus desafios, para isso deve calcular sua disposição nesta tarefa tão importante por um longo período.

Deve-se fundamentalmente formar líderes através do processo de transição, portanto priorize o desenvolvimento de uma liderança focada em uma igreja discipuladora. Isso vai demandar tempo, temos urgência para cumprir a missão, mas não temos pressa, pois uma igreja bem capacitada e apaixonada cumprirá a missão de Deus.

O planejamento para a transição é de extrema importância, não começar de qualquer jeito, ou ansioso/a para que aconteça logo. Será necessário deixar de lado algumas coisas, incluir novas práticas que ajudarão na transição. Isso pode levar um tempo, mas valerá a pena todo o esforço.

O Senhor Jesus o/a chamou para perto, para que você aprenda mais Dele, caminhe com Ele e se pareça com Ele, portanto, faça novos homens e mulheres parecidos/as com Cristo, não entregue para outros/as o que Cristo mandou você fazer, mesmo que isso lhe custe a vida.   

Pastor Emanoel Bezerra  
Câmara Nacional de Discipulado
/// Nas próximas edições você confere outras reflexões da Câmara Nacional de Discipulado
Publicado originalmente no Jornal EC de junho


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