Publicado por Sara de Paula em Capa | 04/01/2019 às 12:11:30


Discípulas e discípulos nos caminhos da missão cuidam do meio ambiente


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Foto: Noah Buscher | Unsplash

O Concílio Geral da Igreja Metodista definiu o ano de 2019 para trabalhar o tema do meio ambiente – uma das ênfases missionárias da Igreja Metodista que foi aprovada no 19º Concílio Geral (CG). Já abordamos em outras edições do jornal a importância e o trabalho de algumas igrejas metodistas que desenvolvem ações voltadas para o cuidado para com a Criação de Deus.

O presidente do Colégio Episcopal, Bispo Luiz Vergílio Batista da Rosa, explica na Palavra Episcopal (página 3) que o cuidado do meio ambiente faz parte de nossa missão. “A Igreja Metodista tem definido o ano de 2019 como um tempo para pensarmos, como discípulas e discípulos de Jesus, o cuidado para com o meio ambiente. Esta ênfase nos remete a refletirmos sobre a criação e a fragilidade da vida”, ressaltou o Bispo Luiz. 

Para o Bispo Emérito Adriel de Souza Maia, “Missão, igreja e meio ambiente” têm uma grande ressonância, à luz do tema aprovado no CG de 2011. “Na verdade, Discípulos e Discípulas caminham nas estradas da vida e, lamentavelmente, as estradas estão poluídas, bem como os impactos causados pela desobediência humana por não cuidar do chamado planeta Terra. Na minha perspectiva, o grande desafio para a Igreja, à luz dessa ênfase é, na verdade, eleger ações práticas e educativas para o nosso povo”, disse o Bispo Adriel em artigo publicado no Expositor Cristão (ed. 09/2011).

O Projeto Sombra e Água Fresca (SAF), que atende quase três mil crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, também tem tido o cuidado com a criação de Deus. Keila Guimarães, agente nacional do SAF, explica: “Esta tem sido uma prática do Projeto Sombra e Água Fresca em todo o território nacional, pois diariamente as crianças, adolescentes e voluntários/as são desafiados/as a cuidar muito bem da criação em todos os lugares que estejam, pois somos mordomos e mordomas do mundo tão especial que Deus criou para que cada um/a de nós pudéssemos usufruir. Esta é a nossa casa comum”.

A secretária executiva do Colégio Episcopal, Pastora Giselma Matos, defende que é preciso cuidar da criação porque, assim, estamos cuidando de nós mesmos. “Deus criou os céus e terra para nós, a fim de usarmos, preservarmos e cuidarmos como Ele cuida. Para nós é Missão cuidar e zelar pelo meio ambiente por uma questão de preservar a própria vida, pois 'somos zeladores dos bens de Deus para que a Glória do Senhor encha toda a terra' (Nm 14.21)".

Ações Práticas

No projeto SAF Liberdade, em Ribeirão das Neves/MG, crianças e voluntários/as praticaram ações voltadas para o cuidado com o meio ambiente ao refletir sobre o artigo de Érica Peixoto postado no site do SAF, “Meio Ambiente; o que eu tenho a ver com isto?”. Pelo menos sete razões que explicitam o dever de todo/a cristão/ã em cuidar do planeta foram trabalhadas no projeto junto com as crianças e adolescentes.

“Realizamos tais reflexões nas Oficinas de Educação Cristã numa roda de conversa com nossas crianças e adolescentes. Refletimos sobre a atuação delas nos meios em que vivem. Elas, com sua sinceridade característica, admitiram que muitas vezes são levadas a fazer o ‘que todo mundo faz’, ficando em falta com o cuidado com a criação de Deus. Foram reflexões profundas, ainda que bem descontraídas”, disse a agente nacional do SAF, Keila Guimarães.

Outras ações foram realizadas no Dia Nacional do Meio Ambiente – 5 de junho – em várias igrejas locais. A Igreja Metodista em Botafogo/RJ plantou dezenas de mudas de árvores no morro Dona Marta, no Rio. O projeto envolveu 150 crianças e 80 voluntários/as que plantaram dezenas de árvores no morro. 

“Em uma comunidade onde tantas forças da morte fazem parte do dia a dia de toda uma geração, o desafio de cuidarmos e amarmos toda a criação como sementes carregadas e plantadas diariamente nos emociona”, disse Keila, que é membro na Metodista em Botafogo.

A reciclagem também é outro ponto importante, inclusive, pode gerar renda, como lembra o Pastor Georg Emmerich da Igreja Metodista Central em Natal/RN. “Podemos criar uma coleta seletiva destinando todos os resíduos para reciclagem e, além disso, podem gerar recursos para beneficiar algum projeto social da própria igreja. Dados do portal do Governo Federal indicam que cerca de 10% dos resíduos gerados nas cidades brasileiras são reciclados”, disse reafirmando que o setor movimenta anualmente quase R$ 12 bilhões por ano, porém, mais de R$ 8 bilhões são perdidos porque muitos materiais não são reciclados, já que a maioria dos municípios brasileiros não possui serviços de reciclagem e muito menos coleta seletiva.

A preocupação e o cuidado com o planeta Terra não estão só nos âmbitos da Igreja Metodista. A Ong Diaconia, que tem como presidente do Conselho a recém-eleita Pastora Joana D’Arc Meireles, também faz várias ações nesse sentido. Em entrevista sobre a eleição à nossa repórter Sara de Paula, ela explica algumas ações da Ong e uma possível parceria com a Igreja Metodista.

“Nós podemos acompanhar as atividades que estão sendo desenvolvidas, porque eles/as desenvolvem na prática. Eles/as estão vendo a questão da plantação, captação de água e equilíbrio do solo. Por exemplo, quando se vai fazer uma plantação existe toda uma tecnologia para não desperdiçar nem água, nem sais minerais da terra, então, tem todo um equilíbrio. Quando formos fazer em âmbito documental, teórico ou textual, vai ser bom trabalharmos juntos. Nós estamos na reflexão, eles estão na prática”, disse a Pastora Joana D’Arc Meireles. 

A pastora destacou a importância da reflexão sobre o tema, mas as parcerias com Universidades Federais também são importantes. “Temos que juntar isso, além do envolvimento com as questões de justiça de gênero, violência contra a mulher e questões de direitos. Agora, por exemplo, levei para eles a campanha Quinta-feira Uso Preto. Eles/as ficaram fascinados/as e estão levando para o trabalho de base. São trocas de experiências, e eu vejo isso como algo muito positivo”, finalizou. 

Logo para 2019

A Coordenação Geral de Ação Missionária aprovou o logo com o conteúdo que vai nortear o tema a ser trabalhado em 2019 – Discípulas e discípulos nos caminhos da missão: cuidam do Meio ambiente. O manual de identidade e aplicação do logo está disponível no site da Sede Nacional da Igreja Metodista.

 

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O logo explora as diversas formas de preservação do meio ambiente. 

Globo Terrestre – indica a área de atuação para a preservação do meio ambiente.
Gota – representa a importância da água.
Símbolo Universal da Reciclagem – indica a importância da reciclagem para ser um país sustentável.
Folha – representa a preservação e o cuidado com as florestas. 

História 

A preocupação com o meio ambiente acompanha a história da Igreja Metodista. João Wesley, fundador do movimento na Inglaterra, tinha grande interesse e fascínio pelas ciências e pelo mundo natural. O professor Ismael Forte Valentim, da Universidade Metodista de Piracicaba – Uminep, argumenta que Wesley abordou o assunto no século 18, quando escreveu a obra Investigação sobre a Sabedoria de Deus na Criação.

“João Wesley, em sua reflexão ecológica, aponta para uma teologia da fé santificadora. Nela, o autor afirma a impossibilidade de um divórcio entre o cuidado com o meio ambiente e a prática cristã. Desenvolver uma visão crítica e consciente e compreender que somos parte da família da natureza possibilitam superar a ignorância e a indiferença que tornam as pessoas ‘estranhas’ àquilo que as sustenta”, afirma o professor Ismael. 

Em 1982, a Igreja Metodista aprovou no Concílio Geral o Plano para a Vida e Missão – um documento que estabelece a identidade, princípios históricos, doutrinários e missionários. O texto afirma que faz parte da missão dos/as metodistas a necessidade de “apoiar, incentivar e participar das iniciativas em defesa da preservação do meio ambiente” (Cânones 2012-2016, p. 102). 

Pr. José Geraldo Magalhães
Publicado originalmente na edição de janeiro de 2019 do Jornal Expositor Cristão impresso.


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