Publicado por José Geraldo Magalhães Jr. em Notícias, Opinião, Episcopal, Nacional, Liderança, Atualidade, Conscientização, Direitos Humanos | 05/08/2019 às 11:16:11


Nota de apoio à manifestação de lideranças e guerreiros e guerreiras de resistências do povo Guarani e Kaiowá


A mesa do Colégio Episcopal da Igreja Metodista, junto a Pastoral Indigenista, na pessoa do Pastor João Coimbra, e do Projeto Sombra e Água Fresca Indígena (SAFIN), na pessoa do agente Ronaldo Arêvalo, declara seu apoio à nota pública de lideranças e guerreiros e guerreiras de resistências do povo Guarani e Kaiowá. 

Um dos objetivos da nossa 6ª Ênfase Missionária da Igreja Metodista (Promover maior comprometimento e resposta da Igreja ao clamor do Desafio Urbano), nos convida a “alertar sobre a urgente necessidade de análise das demandas que envolvem as populações rural, indígena, quilombola e também a colaboração que elas podem dar para o bem-estar e a sustentabilidade das cidade”, conforme publicado no  Plano Nacional Missionário 2017 (página 88). Diante desse desafio, convidamos metodistas de todo o Brasil a lerem a denúncia do presente documento, e a se posicionarem como igreja contra toda a violência. 

Disponibilizamos o texto da nota abaixo na íntegra, bem como o documento original para download em PDF.


Nota de lideranças e guerreiros e guerreiros de resistências do povo Guarani e Kaiowá
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Através desta nota pública vimos confirmar o nosso apoio total ao parente povo Kinikinawa que hoje começou a reocupar e recuperar a sua terra tradicional que a terra indígena Kinikinawa, invadida pelos fazendeiros. O povo Kinikinawa luta e demanda há décadas para recuperar e demarcar a sua terra tradicional invadida e ocupada pelos fazendeiros.

Hoje, dia 01 de agosto de 2019, nós todos e todas guerreiros e guerreiras recebemos notícia que os fazendeiros e os policiais do Estado de MS atacaram com toda a truculência e violência contra as crianças e idosas indígena Kinikinawa, de forma cruel feriram muitas crianças e idosas, a mando dos fazendeiros os policiais fizeram massacre e tortura contra as crianças e idosos e idosas indefesos. Diante dessa violência em andamento as lideranças do povo Kinikinawa convocam todos e todas guerreiros e guerreiras dos povos indígenas, em atenção ao povo Kinikinawa em massacre e extermínio pelos fazendeiros, nós guerreiros do povo Guarani e Kaiowa estamos nos organizando e vamos proteger e defender a vida das crianças e terra do povo Kinikinawa juntamente com outros povos indígenas do Mato Grosso do Sul e do Brasil.

Visto que os fazendeiros e policiais covardes agem sem lei e estão atacando e massacrando as crianças e idosos indígenas. Há ataque, cerco e massacre das crianças e idosas indígenas em curso, frente à guerra declarada contra o povo Kinikinawa, autorizada ataque genocida e de extermínio pelos fazendeiros e políticos, nós povos indígenas vamos reagir sim em conjuntos para salvar as nossas vidas e terras indígenas. Esse ataque genocida promovido e autorizado contra o povo Kinikinawa pelos fazendeiros/políticos invasores das terras indígenas estão ignorando e desconhecendo os nossos direitos constitucionais. Esses fazendeiros/políticos estão começando agir sem leis e declarando massacre e a guerra contra os povos indígenas, por isso nós vamos nos defender sim. Já faz décadas que reivindicamos a devolução de nossas terras tradicionais, conforme os nossos direitos constitucionais nacionais e internacionais, mas fomos ignorados, as nossas terras continuam sendo invadida e ocupada pelos fazendeiros/políticos, diante disso estamos reocupando as nossas terras e vamos resistir e responder a essa guerra dos fazendeiros autorizadas contra os povos indígenas.

Estamos comunicando a todas as sociedades nacionais e internacionais que o povo Kinikinawa na luta pela sua própria terra foi atacado e massacrado de forma covardes pelos policiais a mando dos fazendeiros/políticos do Estado de Mato Grosso do Sul. Esta claro que esse ataque genocida e violência contra o povo Kinikinawa está sendo autorizado pelo Estado e financiado pelos fazendeiros, ignorando a ordem da justiça e leis. Comunicamos a todos que nós povos indígenas no Brasil estamos sendo ameaçados de extermínio, atacados e massacrados todos os dias, sofremos cerco de ameaça de morte coletivo, por isso já decidimos nos reorganizar para nos defender e nos proteger do ataque genocida e massacre autorizados pelos fazendeiros. Nós não vamos recuar de nossa luta pela recuperação de nossas terras. Vamos reagir à guerra contra nós povos indígenas. Essa é nossa decisão. Tekoha Guasu Guarani e Kaiowa, 01 de agosto de 2019.


 

Indicamos a leitura de outros materiais para quem desejar conhecer mais sobre a Missão Indigenista da Igreja Metodista.

Leia outras manifestações emitidas pela pastoral indigenista em nosso site: http://www.metodista.org.br/posts/q/kaiowa

Em 2012, a Pastoral Indigenista da Igreja Metodista, já se manifestava pelo fim da violência contra Kaiowás e outros povos indígenas: http://www.metodista.org.br/igreja-metodista-se-posiciona-contra-opressao-aos-indios-guarani-kaiowa/

Em 2017, a Pastoral Indigenista emitiu um Manifesto em apoio a demarcação de Terras Indígenas: http://www.metodista.org.br/manifesto-de-apoio-a-demarcacao-de-terras-indigenas

Acesse aqui o documentário do Jornal Expositor Cristão sobre a Missão Indigenista da Igreja Metodista, produzido em 2015: http://www.metodista.org.br/missao-indigenista-metodista-download-dos-videos-para-celebrar-a-semana-dos-povos-indigenas

Acesse o Manifesto sobre a morte de indígenas brasileiros/as e outras violências, publicado esse mês pelo Colégio Episcopal da Igreja Metodistahttp://www.metodista.org.br/manifesto-sobre-a-morte-de-indigenas-brasileiros-as-e-outras-violencias

Fonte: Sede Nacional 


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