Publicado por José Geraldo Magalhães Jr. em Notícias, Metodismo, Igreja e Sociedade, Conscientização, Pastoral | 04/06/2019 às 15:32:45


Dia Mundial do Meio ambiente


O tema “meio ambiente” está sempre em pauta. Este ano o tema estabelecido pela ONU será Poluição do Ar. A Igreja Metodista, em seus documentos, em especial no Plano Nacional Missionário (2017-2021), estabelece como sua ênfase de número cinco: “Implementar ações que envolvam a Igreja no cuidado e preservação do Meio Ambiente”. Como parte do desenvolvimento deste tópico, o ano de 2019 está sendo dedicado a refletir sobre o tema: “Discípulas e discípulos nos caminhos da missão cuidam do meio ambiente”. A ideia é gerar um espaço importante no qual a Igreja pense, aja e se conscientize cada vez mais do papel da mordomia cristã como cuidado com as coisas criadas por Deus e com a preservação do planeta como um todo. Já no Plano para a Vida e Missão da Igreja Metodista se ensinava que era preciso “apoiar, incentivar e participar de iniciativas em defesa da preservação do meio ambiente”.

A Sede Nacional da Igreja está orientando a Igreja por meio de publicações e estudos nas revistas de Escola Dominical, no jornal Expositor Cristão, Pastoral e campanhas nacionais, para auxiliar as igrejas locais a discutir o assunto. 

No dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, mais uma vez retomamos essa pauta, pois já configurava uma preocupação no tempo de João Wesley, fundador do movimento metodista no interior da Igreja Anglicana. Wesley desponta uma preocupação a respeito das questões naturais, por exemplo, o seu próprio livro, Uma Investigação sobre a Sabedoria de Deus na Criação. Nessa obra, Wesley apresenta o resultado de sua investigação, a qual passava das complexidades físicas do corpo humano até o reino animal, com observações sobre a ecologia, especificamente na capacidade de convivência harmoniosa entre os seres vivos e a natureza. 

O pesquisador e pastor metodista, Ismael Forte Valentim, em artigo publicado na 9ª Mostra Acadêmica da Unimep, com o tema Meio Ambiente e Sustentabilidade, lembra a visão de Wesley. “Na visão do fundador do metodismo, John Wesley, o ecossistema mantém-se num equilíbrio divino. Em outras palavras, cria num equilíbrio ecológico, sendo responsabilidade do homem compreender e defender esse equilíbrio. Vale lembrar que este pesquisador desenvolveu seu trabalho em meados do século XVIII na Inglaterra, como resultado da preo­cupação de Wesley já naquela época”, disse Valentim.

A 68ª Semana Wesleyana (Veja na página 6) realizada no mês passado na Faculdade de Teologia, também refletiu sobre o assunto. O tema abordado, Por acaso sou eu tutor da Criação? Graça responsável e cuidado do meio ambiente, mais uma vez aponta que a Igreja está preo­cupada não somente nos âmbitos eclesiais, mas também na esfera acadêmica.

História
A Igreja Metodista herdou esse legado e preocupação ao longo dos anos. Para citar alguns, em 1982, aprovou no âmbito do Concílio Geral um documento que estabelece a identidade, princípios históricos, doutrinários e missionários, identificado como Plano para a Vida e Missão da Igreja. Como parte da missão, no item Área de Ação Social apresenta a necessidade de “apoiar, incentivar e participar das iniciativas em defesa da preservação do meio ambiente.” (PVMI, 1982, p. 20). 

Nessa época, a questão ambiental não constava nas pautas e agendas dos órgãos governamentais e na sociedade civil com a mesma ênfase dos dias de hoje. Valentim lembra ainda que outro documento importante foi aprovado nesse mesmo Concílio Geral. “O documento Diretrizes para Educação na Igreja Metodista. No item Diretrizes Gerais, encontramos a afirmação: “toda a ação educativa da Igreja deverá proporcionar aos participantes condições para que se libertem das injustiças e males sociais que se manifestam na organização da sociedade, tais como: (…) o êxodo rural resultante do mau uso da terra e da exploração dos trabalhadores do campo, a usurpação dos direitos do índio, o problema da ocupação desumanizante do solo urbano e rural…”, destacou.

A materialização dessa diretriz pode ser observada no Projeto Pedagógico Institucional de pelo menos uma de nossas instituições educacionais – o Centro Universitário Izabela Hendrix. Nota-se, então, a preocupação quanto à questão da sustentabilidade vinculada não só às questões da terra, mas também nos aspectos orbitais do tema, como econômicos, sociais políticos e relacionais.  

 

CARTA PASTORAL Cuidam do meio ambiente

O uso sustentável dos recursos naturais, bem como a preservação do meio ambiente, como forma de proteção à diversidade da fauna e da flora tem um componente bíblico-teológico que precisa ser considerado, na forma da mordomia cristã para com a Criação de Deus.

Nesse sentido, a Igreja Metodista tem, em suas raízes históricas, esta preocupação com a natureza, tendo como referência a mordomia cristã, que reconhece que a natureza revela as grandezas do Deus Criador, bem como conduz homens e mulheres no caminho da reconstrução da imagem divina presente em cada criatura, por meio da ação redentora de Jesus Cristo.

Assim, o CE oferece à Igreja Metodista, e à comunidade cristã, um documento para estudo, reflexão e aprofundamento de nosso compromisso para com o meio ambiente, reconhecendo que os sinais da presença do Reino de Deus já podem ser vislumbrados agora.

Quando sitiarem uma cidade por um longo período, lutando contra ela para conquistá-la, não destruam as árvores dessa cidade a golpes de machado, pois vocês poderão comer as suas frutas. Não as derrubem. Por acaso as árvores são gente, para que vocês as sitiem? (Deuteronômio 20.19).

A presente pastoral visa a ser uma reflexão despertadora para o tema. Apresentamos aqui alguns apontamentos bíblicos de como o povo de Deus via a questão dentro da realidade vétero e neotestamentária.

Também resgatamos algumas perspectivas teo­lógicas de João Wesley sobre o tema, considerando sua realidade na Inglaterra, quando a Revolução Industrial dava seus primeiros e vigorosos passos, já afetando a relação entre as pessoas e a natureza, provocando o êxodo rural e iniciando os processos de poluição na produção de diversos itens em larga escala. Nos anos seguintes, veremos a criação e desenvolvimento das ferrovias e, mais tarde, dos automóveis, mudando não apenas a produção, mas a forma de escoamento desta.

Os metodistas vivenciaram em primeira mão vários desses fenômenos naquele século. Por fim, apresentamos alguns pontos na contemporaneidade que nos chamam atenção. Refletimos as implicações do meio ambiente com o discipulado cristão e o chamado de Cristo a sermos mordomos da criação, enquanto aguardamos o novo céu e a nova terra. Ao concluir a pastoral, propomos algumas formas práticas de atuação a partir de nossas igrejas locais e convidamos vocês na amplificação da divulgação dessas iniciativas, promovendo uma mentalidade cristã servidora acerca das questões ambientais.


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