Francisco, conhecido como Zumbi dos Palmares (1655-1695), ? reverenciado como modelo de resist?ncia negra pelo fato de, contra expedi?es militares, ter defendido o Quilombo dos Palmares, outrora localizado na Serra da Barriga, atual estado de Alagoas. No dia 20 de novembro ? comemorada sua morte e celebrado o ?Dia da Consci?ncia Negra?. A data tenciona provocar reflex?es sobre a influ?ncia do negro e da cultura afro em uma sociedade que durante quase quatro s?culos se manteve sob o trabalho escravo.
Dia da Consci?ncia Negra ? tempo forte de reflex?o sobre os males sociais resultantes do p?s 13 de maio de 1888, quando, em uma aboli??o que indenizou os senhores de escravos/as e deu apoio aos/?s imigrantes europeus/ias que substitu?ram o povo negro no trabalho, o Estado nada fez para dar aos/?s ex-escravos/as condi?es de ascens?o social, antes os/as abandonou ? pr?pria sorte.
No Brasil, atos de racismo s?o presentes no dia a dia de muitos/as negros/as e afro-brasileiros/as, todavia, sob os mantos do negacionismo e silencionismo, o assunto ainda ? muito ausente das discuss?es cotidianas. Aqui n?o vivemos conflitos segregacionistas abertos como os que ocorrem nos Estados Unidos, contudo, dados apresentados pelo IBGE apontam que tr?s em cada quatro pessoas que est?o na parcela dos 10% mais pobres do pa?s s?o negras. Al?m de fulgurarem na ponta de tal estat?stica que revela a cor da pobreza nacional, pessoas negras tamb?m encabe?am estat?sticas das v?timas de homic?dios.
O soci?logo Julio Jacobo Waiselfisz, partindo do Sistema de Informa?es de Mortalidade do Minist?rio da Sa?de, desde 2009, tem tra?ado o Mapa da Viol?ncia, cujo ?ltimo tra?ado, em 2014, contabilizou que anualmente s?o assassinados/as no Brasil aproximadamente 30 mil jovens, com idade de 15 a 29 anos, dentre estes, 77% s?o negros, considerando a soma de negros/as e pardos/as; a maioria ? negra.
Buscando erguer o manto do silencionismo e negacionismo, na atualidade existem in?meros movimentos e coletivos que buscam provocar discuss?es sobre o racismo cada vez mais crescente no Brasil. As redes sociais t?m sido importantes aliadas e plataformas para essas discuss?es, ao passo que tamb?m s?o usadas para a dissemina??o do racismo, de discursos de discrimina??o e ?dio. Nessa arena virtual, retrato da vida real, o interesse pelo assunto e a milit?ncia aumentam, principalmente ap?s celebridades do mundo da m?sica, teledramaturgia e jornalismo terem sido v?timas de ataques racistas em redes sociais. O racismo p?s a cara na rede, embora sob anonimato, o que n?o impediu a Pol?cia Federal de prender os/as respons?veis.
E a Igreja com isso?
A Igreja Metodista em seu nascedouro ainda como Movimento Ingl?s, na pessoa de John Wesley e outros/as l?deres, motivados/as pelo Evangelho, temor a Deus e amor ao pr?ximo, condenava fortemente a escravid?o negra. Lamentavelmente, no sul dos Estados Unidos os/as metodistas apoiavam e faziam uso da m?o de obra escrava. O metodismo brasileiro tem essa heran?a e, salvo vozes isoladas, desde o in?cio foi silencionista quanto ? escravid?o negra. Outrora, tendenciosas interpreta?es b?blicas foram usadas na opress?o e na escravid?o dos povos negros; hoje temos a obriga??o de empoderar essa popula??o marginalizada usando a B?blia na desconstru??o dos resqu?cios da escravid?o.
Enquanto Igreja do Senhor, podemos combater o racismo por meio de minist?rios e pastorais, provocando a reflex?o em artigos, serm?es, estudos sobre a presen?a dos/as negros/as nas Escrituras, em revistas para Escola Dominical, C?lulas, Pequenos Grupos… No Brasil, na Igreja Metodista, em toda sua estrutura, s?o poucas as pessoas negras em postos decis?rios, principalmente nas institui?es de ensino. A maior colabora??o para o racismo est? no silencionismo, no n?o falar abertamente sobre o assunto.
Embora oficialmente o Col?gio Episcopal tenha lan?ado em 2010 a carta pastoral Racismo. Abrindo os olhos para ver e o cora??o para acolher, a grande maioria da Igreja n?o a conhece, e as pastorais ou minist?rios regionais de combate ao racismo ano ap?s ano se enfraquecem, restando apenas pessoas de refer?ncias. Por conta disso, em nosso meio, vergonhosamente, ainda se manifestam express?es tipo: ?negro de alma branca?, ?negro da cor do pecado?, ?negros batalh?es?, ?urubu?, ?apesar de negro ? inteligente?.
O caminho ? longo. Que Deus nos ajude a trilharmos por ele pautados/as no enfrentamento, justi?a, confiss?o, perd?o, cura e restaura??o.
CONHE?A O PROGRAMA NACIONAL ANTIRRACISMO DA IGREJA MEDOTISTA.
LEIA A CARTA PASTORAL SOBRE O RACISMO.
ASSISTA TAMB?M AO PRONUNCIAMENTO DO COL?GIO EPISCOPAL SOBRE O PECADO DO RACISMO.
Pastor Jos? do Carmo da Silva |?Igreja Metodista em Marcos Roberto | Campo Grande/MS
Publicado originalmente no Jornal Expositor Crist?o de novembro
