Publicado por Redação em Metodismo, Notícia - 24/07/2023 às 16:20:43

A Escola Dominical e o Movimento Metodista

 

A Escola Dominical e o Movimento Metodista

Idealizada para alfabetizar crianças carentes que ficavam sem atividade durante o domingo, gradativamente a Escola Dominical se desenvolveu para outros modelos

 

A Escola Dominical no século XVIII

É impossível desvencilhar a Escola Dominical do movimento metodista iniciado no século XVIII, se tornando uma das ferramentas mais importantes das igrejas evangélicas no mundo desde então. Dois nomes relevantes na história da Escola Dominical são dos metodistas Robert Raikes (1736-1811) e Hanna Ball (1734-1792). Ambos eram ingleses e tinham em comum a vida no contexto do caos social da revolução industrial inglesa. No começo, a Escola Dominical foi idealizada para alfabetizar crianças carentes que ficavam sem atividade durante o domingo. A partir daí ela foi se desenvolvendo para outros modelos ao longo do tempo.

Hanna Ball teve seu encontro com Deus quando John Wesley pregou sobre Mateus 15:28 em 8 de janeiro de 1765. A partir daquele dia, Hanna Ball se tornou uma grande evangelista. Após sua conversão, ela começou uma correspondência com John Wesley e eles se tornaram amigos. Eles trocaram dezenas de cartas ao longo dos anos. O testemunho de John Wesley ao trabalho de Hanna foi de muita relevância para o movimento metodista, tendo sido valorizado em muitas de suas cartas. Hanna se tornou um dos principais membros da sociedade metodista em High Wycombe, sendo muito ativa nas visitas aos pobres e doentes.

Em 1769, com 26 anos de idade, ela começou uma classe para crianças que trabalhavam nas estalagens locais. Eles se encontravam antes do culto de domingo para a Escola Dominical e às segundas-feiras, para aprender a ler e escrever. Por esse motivo, alguns consideram Hanna como a fundadora do movimento da Escola Dominical. Em uma carta com data de 1770, Hanna relata sua experiência: “As crianças se reúnem duas vezes por semana: aos domingos e segundas-feiras. É um grupo receptivo à instrução. Trabalho entre eles com a ânsia de promover os interesses de Cristo.”

Robert Raikes é conhecido por muitos como quem tornou o movimento de Escola Dominical mais abrangente. Em 1780, Gloucester era uma das cidades importantes da Inglaterra e manifestava grandes contrastes, pois tinha muitas igrejas, embora entregue às delinquências. Testemunhando esse estado de decadência moral do povo, Raikes tinha a preocupação de melhorar o estado espiritual e social da população, especialmente dos pobres e marginalizados pela sociedade. Ele resolveu criar uma escola gratuita para essas crianças de rua. Raikes conseguiu uma equipe de quatro senhoras cristãs no bairro para lecionar.

A primeira escola foi instalada na rua Saint Catherine. Seu objetivo principal era alfabetizar e ministrar aulas de religião com o propósito de mudar o caos em que se encontrava a sociedade. O que Robert Raikes buscava era a transformação do caráter usando os princípios bíblicos. Dessa forma, a Escola Dominical se formou como um instituto bíblico infantil. O calendário original para as escolas, como escrito por Raikes, era: “As crianças chegavam depois das 10h00 da manhã e ficam até o meio-dia, elas então iam para casa e retornavam às 13h00, e depois de ler uma lição, eram conduzidas para a Igreja. Depois da Igreja, tinham que se ocupar com a repetição o catecismo até após às 17h00, e depois eram dispensadas.”

 

A Escola Dominical no Brasil

Em terras brasileiras, a Escola Dominical teve seu início em meados do século XIX, através dos Metodistas. É justo mencionar também a contribuição dos Congregacionais e Presbiterianos. Em 1836, o obreiro metodista, reverendo Justin  Spaulding, organizou no Rio de Janeiro uma congregação com cerca de 40 pessoas e, em junho do mesmo ano, abriu uma Escola Dominical com 30 alunos e alunas. O relatório enviado ao secretário Correspondente da Sociedade Missionária da Igreja Metodista Episcopal, datado de 1º de setembro de 1836, dizia: “Conseguimos organizar uma Escola Dominical, denominada Escola Dominical Missionária Sul-Americana, auxiliar da União das Escolas Dominicais da Igreja Metodista Episcopal. Mais de 40 crianças e jovens se tornaram interessados nela (…). Está dividida em oito classes com quatro professores e quatro professoras. Nós nos reunimos às 16h30min aos domingos. Temos duas classes, uma de fala inglesa, a outra portuguesa. Atualmente parecem muito interessados e ansiosos por aprender.” 

Através da história podemos ver que a Escola Dominical teve seu papel como agente transformador tanto na dimensão religiosa como social. A razão de tal resultado está no fato de que a preocupação não foi somente com o ensino bíblico, mas também na alfabetização. As milhares de pessoas que a frequentavam, em sua maioria crianças, eram educadas nas matérias básicas e também no estudo religioso. Contudo, precisamos refletir sobre como influenciar nossa comunidade através da Educação Cristã. A educação cristã através da Escola Dominical pode e deve agir como motivadora de seus participantes a buscarem novos desafios e conhecimento.

Vivemos um momento em que as verdades não são mais absolutas e passam a ser relativas, teorias transitórias e fragmentação ética. Sendo assim, dentro do ambiente da Escola Dominical, o cristão e a cristã têm a oportunidade de receber instrução para argumentar e combater certos conceitos que são contra a fé em Cristo. A Escola Dominical é uma ferramenta importante para o crescimento saudável da Igreja de Cristo e para o desenvolvimento intelectual e espiritual de seus membros. O legado de Robert Raikes, Hanna Ball e Justin Spaulding precisa ser valorizado e revitalizado.

 

Redação do Jornal Expositor Cristão


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