Publicado em Igreja e Sociedade, Nacional, Notícias | 29/08/2018 às 14:57:07


Projeto SAF avança nas discussões sobre crianças em situação de vulnerabilidade

Equipe nacional do Projeto Sombra e Água Fresca reúne-se em São Paulo. Foto: Sara de Paula
 
Integrantes da equipe nacional do projeto Sombra e Água Fresca (SAF), da Igreja Metodista, estiveram reunidos/as mais uma vez na Sede Nacional, em São Paulo, com o objetivo de discutir assuntos relacionados às crianças em situação de vulnerabilidade, os 18 anos do projeto e informes gerais. O encontro, com duração de dois dias, iniciou no dia 16 de agosto com os comitês: pedagógico, comunicação e financeiro, que apresentaram um relatório no final da reunião.

A agente nacional do projeto, Keila Guimarães, apresentou a nova agente regional da 5ª Região Eclesiástica, Cleide Trigo, além de mostrar a publicação na Revista Response – the magazine of women in mission, que publicou uma reportagem sobre o projeto SAF em Mato Grosso do Sul, no projeto Tapeporã.


Comitê pedagógico

A representante do Projeto Meninos e Meninas de Rua de São Bernardo do Campo, Sidneia Mariano Bueno – mais conhecida como Neia –, esteve presente e refletiu sobre a violência contra as crianças. Neia compartilhou as experiências vividas no projeto e destacou que a espiritualidade deve fincar os pés na realidade e lembrar que o bem-estar para as crianças deve começar conosco enquanto projeto.

Um dos momentos impactantes da apresentação foram os relatos sobre a retirada de crianças indígenas de suas famílias para serem dadas para adoção e o aumento da violência sexual praticada contra as crianças. Neia lembrou ainda aos/às integrantes que o SAF faz parte da rede de proteção às crianças e que esta rede precisa ser mobilizada, pois ninguém faz nada sozinho.

Algumas perguntas surgiram durante a reflexão. Como atuar para além da assistência diante dessa realidade? Como agir no espaço de políticas públicas? Devemos sair de nossas bolhas para ter uma noção da realidade.

A educadora social do projeto, Dulce Balmant – a Leia –, ficou surpresa e indignada com a si­tuação. “São 46 igrejas próximas à aldeia e somente a Igreja Metodista realiza um trabalho junto aos/às indígenas”, disse Leia.

Outro integrante da equipe, Gordon Greathouse, apontou que as igrejas precisam sair para a missão. “As igrejas estão como no tempo de John Wesley, fechadas em si mesmas, e o projeto SAF precisa ser uma voz profética dentro do contexto atual brasileiro. É necessário um movimento para sensibilizar as igrejas em relação às crianças e à violência”, enfatizou Gordon.

O assessor designado pelo Colégio Episcopal para acompanhar a área social, Bispo José Carlos Peres, afirmou os desafios diante de tanta realidade. “Me sinto pequeno e impotente diante de tantas coisas a serem feitas, mesmo já sabendo que é preciso agir”, disse o Bispo Peres, que relatou sua experiência na Cristolândia, onde as pessoas trabalham como voluntárias. Ele lembra que infelizmente quando fala do voluntariado e da presença das pessoas nos projetos, na maioria das vezes ouve a frase: “O que vou ganhar em troca?”.

A professora Telma Cezar disse que fica feliz em ver que o SAF está refletindo sobre a problemática. “Quando voltamos a refletir sobre o tema, lembramos que isso é também um problema político, portanto devemos observar o que a bancada evangélica está fazendo em Brasília/DF, e, havendo irregularidades, é preciso denunciar e buscar a REDE existente para auxiliar as crianças e suas famílias. É preciso meter a colher, mudar a nossa linguagem”, desabafou Telma.

 

Dezoito anos do projeto

 Em outubro deste ano o projeto completa 18 anos desde a sua fundação. O comitê criado especialmente para esse evento confirmou a presença da Bispa Marisa de Freitas Ferreira, além da possibilidade de uma mesa-redonda antes da celebração com os/as parceiros/as presentes. Foi informado também sobre o andamento da liturgia, lançamento de uma revista fotográfica e exposição de fotos no evento.

A plataforma da Visão Mundial para apadrinhamento de crianças foi o assunto final do dia, quando foram informados os passos seguidos, e Gordon Great­house enviou ao grupo uma carta de adesão dos projetos.

 

Devocional

A professora Telma Cezar e o indígena Ronaldo Arevalo – ambos integrantes da equipe nacional – dirigiram alguns momentos com cânticos em português e em guarani. Eles cantaram “É isso que me faz cantar” e “Damos graças ao Senhor”.

A missionária do projeto, Emily Everett, e a pastora Andreia Fernandes de Oliveira também foram as responsáveis pelas devocionais durante o encontro. Na ocasião, elas refletiram sobre o caminhar e os sapatos que calçamos.

 

Informes gerais

Têca (Maria Tereza Great­house) deu informes sobre os/as jovens missionários/as que são de sua responsabilidade pela Junta de Ministérios Globais e Fundação Metodista em Belo horizonte/MG.

O Encontro Nacional de Educação Cristã e Escola Dominical com a participação do SAF também foi um dos assuntos discutidos na reunião. Outras pautas como o monitoramento dos projetos, visitas, repasses de Natal, material de educação cristã, criação de uma cartilha sobre violência contra as crianças também foram destaques.

A próxima reunião da equipe do SAF será nos dias 6 e 7 de fevereiro de 2019. O local ainda não foi definido pela equipe.

 

Pr. José Geraldo Magalhães
Colaborou: Pra. Eliad Dias, Secretária executiva do SAF.

 

Publicado originalmente na edição de setembro de 2018 do Jornal Expositor Cristão

 


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