Publicado em Notícias, Igreja e Sociedade | 05/06/2018 às 14:34:52


Metodistas mobilizam-se para ajudar vítimas de incêndio no Largo do Paissandu

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Estudantes da Faculdade de Teologia estiveram no local logo após a tragédia.

No dia 1º de maio, os/as moradores/as da região do Largo do Paissandu, na capital paulista, foram surpreendidos/as pelo incêndio no Edifício Wilton Paes, ocupado por mais de 300 pessoas. O prédio desabou instantes depois, deixando dezenas de famílias desabrigadas. Quatro vítimas fatais haviam sido identificadas até o fechamento desta edição: Ricardo Oliveira Galvão, de 38 anos; Francisco Lemos Dantas, de 56 anos; e os irmãos gêmeos Wendel e Werner, de 10 anos, cuja mãe, Selma Almeida da Silva, de 48 anos, continua desaparecida. 

As questões acerca da legalidade da ocupação tiveram repercussão midiática nos principais veículos da imprensa. A estudante do 2º ano do curso de Teologia da Universidade Metodista de São Paulo Larissa Dantas teve outro olhar diante da tragédia. “Todos os eventos viram política, mas isso não significa que nós assumimos um partido político. É muito simples: houve um acidente, houve vítimas, e nós atendemos a uma necessidade urgente”, enfatizou. 

Larissa foi a primeira pessoa do Centro Acadêmico John Wesley (CAJW) a visitar o local, um dia após a tragédia. “Eu estava em uma aula, e a professora comentou que ficou muito emocionada ao visitar as pessoas. Logo que saí da aula, fui até lá. É duro encarar a realidade de que existem milhares de pessoas nessa situação. Assim que voltei, mandei mensagem para o pessoal do CAJW perguntando se eles/as topavam fazer uma ação para arrecadar doações”, explicou. O grupo aceitou o desafio na mesma hora. No dia seguinte gravaram um vídeo convidando as pessoas para se unir à causa. 

Fernando Andrade é assessor financeiro do CAJW. Ele acredita que o futuro corpo pastoral deve se mover nessa direção de forma permanente. “Eu acho que se nós, como pastor e pastora, não tivermos a sensibilidade de ajudar as pessoas, de perceber suas necessidades e colaborar com elas, não tem como dizer que vamos ser pastor/a um dia”, disse.

O presidente do CAJW, Bruno Tavares, não esperava que a mobilização pudesse ter a proporção que alcançou. “As doações até dia 4 de maio já estavam acontecendo, mas, logo após uma conversa com o Expositor Cristão, as igrejas começaram a entender, a ouvir, assistiram ao vídeo que divulgamos e começaram a se mobilizar”, disse Bruno. Segundo o presidente do CAJW, não foi somente a Igreja Metodista que contribuiu. “Outras denominações também nos procuraram para saber como seria feito, então muitas das doações vieram direto das igrejas para a Faculdade de Teologia”, afirmou. 

Isabelle de Freitas, pastora acadêmica na Catedral Metodista de São Paulo, esteve junto com os/as estudantes na ocasião. “Já entendia e já sabia da necessidade que eu tinha como cristã, mas quando chegamos lá, ficamos bem surpresos/as com tudo. É uma situação muito triste mesmo, de trazer angústia aos corações”, lamentou. 

Doação

No dia 8 de maio, os/as estudantes levaram o material arrecadado para a filial da Cruz Vermelha. Foram necessários mais de 100 sacos plásticos grandes, uma perua Kombi e mais dois carros para levar as doações de roupas, brinquedos, materiais de higiene pessoal, alimentos não perecíveis, garrafas e galões de água. Todo material foi doado pela comunidade acadêmica e por igrejas da região e do interior de São Paulo. Além disso, os/as estudantes receberam doações em dinheiro para comprarem o que faltasse. Os valores foram investidos em mantimento e água, que completaram as doações.

Daiane Chagas Rodrigues, da 6ª Região Eclesiástica, comentou sobre o momento da entrega. “Eu fiquei impressionada com a resposta das pessoas. Nós imaginávamos que conseguiríamos mobilizar talvez a Universidade Metodista, como o Centro Acadêmico de um dos cursos, mas não tantas igrejas e pessoas”, compartilhou surpresa. 

Já Lucas Soares Macedo, que está no primeiro ano do Curso de Teologia, lembrou as ações que fez em Vitória da Conquista/BA. “Fiz evangelismo local com pessoas em situação de rua, mas foi aqui que pude perceber o quanto a vida dessas pessoas é importante. Não é só pelo fato de o prédio ter desabado, mas por ver que elas precisam de uma palavra de amor e conforto”, afirmou Lucas. Maria Patrícia de Souza, apesar de não fazer parte do CAJW, esteve envolvida na arrecadação e ficou surpresa com a qualidade das doações que chegavam. “As pessoas se mobilizaram para ajudar com o melhor. As fraldas e cobertores que vieram são de boa qualidade”, destacou. 

Cruz Vermelha

A organização Cruz Vermelha, que atua na cidade desde 1910, recebeu as doações, aliás, a ação da Cruz Vermelha foi essencial durante os dias que seguiram a tragédia. Além dos/as voluntários/as da instituição, foram convocados/as voluntários/as pontuais através de chamado público e outras organizações, tais como Escoteiros, Juventude Adventista, ADRA, Mãos que Ajudam, entre outras.

Até a emissão do último relatório, em 10 de maio, a instituição contabilizava 5.129 horas de serviço voluntário para o atendimento emergencial, através de 1.019 voluntários/as. Até essa data o grupo também arrecadou mais de 15 toneladas de doações, que passariam por triagem para serem entregues em boas condições às pessoas que contam com o apoio social. 

Aline Rosa, gerente de Projetos Sociais e Voluntariado da organização, explicou que quando as doações para as vítimas do incêndio no Largo do Paissandu não forem mais necessárias, elas servirão para muitas outras famílias. “A Cruz Vermelha trabalha com 115 organizações sociais que serão contempladas com o excedente, pois recebem nossa ajuda durante o ano inteiro”, enfatizou Aline.  

Confira o álbum de fotos: 

Entrega do CAJW na Cruz Vermelha

Sara de Paula
Publicado originalmente no Jornal EC de junho


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