Publicado por José Geraldo Magalhães Jr. em Notícia | 29/01/2019 às 11:21:06


Manifesto de esperança indígena


“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do Senhor são as causas de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se a cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (Lm 3.21-23)

Diante da atual situação, de muitos rumores, de manifestações políticas e de ameaças às comunidades indígenas em várias partes do país, a Pastoral Indigenista da Igreja Metodista vem deixar sua manifestação de esperança. É bom manifestar e lutar por direitos, mas nunca sem esperança.

Somos contra qualquer manifestação anti-humanista; basta de morte, tutela e políticas integracionistas. A herança dos povos da floresta, do povo da terra, dos povos originários, dos/as primeiros/as brasileiros/as. Refiro-me às Terras Indígenas (TI), de sua importância para manutenção da riqueza da biodiversidade, purificação do ar, do equilíbrio ambiental e da própria sobrevivência da população brasileira e do mundo. Dos 13% de terras do território brasileiro – deve ser muito mais –, é garantia de preservação; estando nas mãos do povo indígena, podemos dizer que teremos floresta amazônica e mata atlântica. Não existe “vazio demográfico” nas terras indígenas, nem manipulação de ONGs, existe muita necessidade, mesmo com o que já foi conquistado, ainda há muita carência. Temos esperança de que haja valorização da terra indígena. 

Mudança de cargos, exoneração e nomeação de novas pessoas no governo, incluindo a parte da liderança indígena, agrupamento de ministérios, secretarias etc. Temos esperança de que mude para melhor, porém, como mudar se ainda existe a perpetuação do preconceito indígena, em expressões veiculadas na mídia, tais como “índio precisa ser cidadão”, “índio é preguiçoso”, “índio não quer terra” etc.? Como melhorar se grileiros/as, fazendeiros/as e outros/as interessados/as aproveitam-se do clima de mudança de governo, de manifestações políticas, sentem-se motivados/as a invadir as terras indígenas? Recebemos notícias de que a própria Funai alertou que a TI Arara, no Pará, estava sendo invadida. Três notícias de assassinatos de liderança indígena foram divulgadas pelos noticiários: litoral de Santa Catarina, no interior do Acre e no Pará. Nos últimos dez anos um/a índio/a foi morto/a por ano por conta do conflito. E as notícias continuam chegando. Todavia, temos esperança.

Queremos terminar este texto citando parte do Relatório da Pastoral Indigenista em 2018, documento enviado ao Colégio Episcopal da Igreja Metodista, para enfatizar o trabalho da Igreja nas diversas aldeias indígenas.

Missão Metodista Tapeporã. Aldeia Indígena Bororó com os Guarani Kaiowá, em Dourados/MS. Coordenador: Missionário Designado Ronaldo Arêvalo. O trabalho da Missão através da Igreja Metodista e destinado a crianças, adolescentes e jovens com educação cristã e cânticos na própria língua. Também são realizadas palestras preventivas sobre a violência na comunidade, gestação precoce, uso abusivo de drogas e bebida alcoólica. As crianças têm reforço escolar e várias atividades esportivas, desenhos e pinturas. 

Cachoeirinha em Topázio, Mata Verde em Ladainha e Mucurim em Campanário. Todas próximas à cidade de Teófilo Otoni/MG, sob a coordenação do Pastor Gilson Clemente da Costa. Os trabalhos estão voltados para arrecadação de roupas, calçados e agasalhos para frio. Há uma parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agropecuária, que viabiliza melhorias das estradas que dão acesso à Aldeia, além de melhorias nas estruturas físicas para palestras sobre os temas: Os malefícios da bebida alcoólica; História do Metodismo; Cultos evangelísticos; Arborização de mudas de árvores frutíferas; Transportar os/as indígenas aos cultos da Igreja Metodista em Topázio.

Missão Amazônia. O Projeto Missão Amazônia, em Manaus, é coordenado pelo Pastor Max Maia; é popularmente conhecido como “Barco Hospital Metodista”. O projeto contempla ações nas áreas da saúde, educação, desenvolvimento comunitário e espiritual às comunidades ribeirinhas e indígenas de diversos municípios, como: Manaquiri, Careiro Castanho, Autazes, Foz do Canumã, Maués, Parintins e Iranduba no interior do Estado do Amazonas. 

Atendimento Educacional junto aos povos AKRÃTIKATÊJÊ e PARAKANÃ. A responsável é a evangelista Alcinara Jadão, de Marabá/PA. Atendimento na organização e criação da Escola Rõnoré Kapere Temejakrekatê. Solicitação do Povo Parakanã, Aldeias Inaxinganga, Itapeyga e Parano’ona para atender cerca de 50 alunos/as que estão terminando o 9º ano do Ensino Fundamental da EMEF Indígena Maroxewara, localizada no Município de Itupiranga; A 4ª Unidade Regional de Ensino (URE) fez a análise técnica e sugeriu à SEDUC a implantação do Ensino Médio com características de Sistema de Organização Modular Indígena (SOMEI), fechando um circuito para atender as quatro Aldeias, a ser ligado à Escola Brasil Tropical, na Vila Cajazeiras, que poderá emitir certificados para os/as alunos/as. A Igreja Metodista em Marabá, atendendo a seu pedido de Bíblias, ofertou 15 Bíblias.

Povo Tremembé. A indigenista responsável é Marly Schiavini de Castro. O Projeto Ação Metodista junto ao Povo Tremembé existe entre este povo indígena desde 1997. Entre tantos serviços, destaco a colaboração para a realização do Magistério Indígena Tremembé (MITS), que propiciou a graduação de 37 professores/as Tremembé pela Universidade Federal do Ceará-UFC. Criação e credenciamento legal de seis unidades escolares dentro da área indígena, escolas assistidas, assessoradas e acompanhadas pedagogicamente pela Ação metodista, num esforço constante e permanente, visando à implantação, consolidação e qualidade da Educação Diferenciada Tremembé. Há 77 professores/as iniciando o Curso de Magistério Indígena CUIAMBÁ, pela Universidade Vale do Acaraú, curso que contempla professores/as Tremembé de dois municípios. 

Pr. João Coimbra Filho
Pessoa de Referência da Pastoral Indigenista

Publicado na edição de fevereiro de 2019 do Jornal Expositor Cristão impresso.


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