Publicado por Sara de Paula em Notícias | 05/06/2018 às 14:48:54


Manifestação da Presidência da IECLB


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Foto: Rovena Rosa/ Agencia Brasil

“A fumaça alteia-se em meio aos destroços do prédio desabado no dia 1º de maio de 2018, no centro de São Paulo. Ao seu lado vê-se a torre centenária da igreja Martin Luther. A igreja está ferida e desolada em meio à metrópole paulistana. A construção centenária reuniu, ao longo dos seus quase 110 anos, milhares de homens, mulheres, jovens e crianças. Em seu espaço as pessoas encontraram Deus. Deus passou em suas vidas e elas puderam testemunhar a sua presença. Nesse espaço tiveram um lugar para oração, meditação, louvor e adoração. Deus se misturou no seu cotidiano aflitivo, tenso e estressante. Elas o experimentaram em meio às contradições e às mudanças da vida desta cidade.” 
(Pr. Dr. Rolf Schünemann)

“Hoje pela manhã, 2/5, tive acesso ao interior da igreja. O quadro é desolador. Mas é significativo ver o altar intacto. A cruz sobre o altar é simbólica, como se nos dissesse: podem derrubar tudo, mas ainda assim ficarei de pé olhando por vocês.” 
(Pastor local Frederico Carlos Ludwig)

“Me emociono muito ao ver a igreja luterana em São Paulo em meio aos destroços. A torre e o altar permaneceram. A partir disso se pode reconstruir tudo outra vez. Deus continuará cuidando e reunindo o seu povo aí. A nossa Gabi [filha] frequentava essa igreja e foi vê-la queimando em chamas. É triste, mas tudo se reconstrói.” 
(Pa. Dra. Rosane Pletsch)

“Meu coração se entristeceu com o desabamento do edifício no Largo do Paissandu, em São Paulo e, consequentemente, o desabamento da igreja Martin Luther. Como posso ajudar na reconstrução da referida igreja?” 
(Adriana Rocha)

“Neste altar do templo da igreja Martin Luther não só os membros da Igreja experienciaram Deus, mas também moradores/as de rua. Sim, também eles/as encontraram neste espaço acolhida, aconchego, refúgio, cidadania e dignidade. Como é sabido, desde 1999 a igreja Martin Luther os/as acolhe no templo e nas demais repartições que compõem as suas instalações. Neste local, eles/as puderam usar banheiros, foram alimentados/as (recebiam tíquetes-refeição, água, café e lanche), realizaram trabalhos manuais, foram envolvidos/as na dinâmica comunitária, tiveram um espaço na secretaria para guardarem seus documentos de identidade e ativamente participaram de cultos todas as sextas-feiras. Cerca de 120 pessoas eram cuidadas semanalmente pela Comunidade.” 
(Pastor Alberi Neumann)

“Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” (Gálatas 6.2)


Estes são extratos do sem número de manifestações recebidas pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB) diante do ocorrido em São Paulo, na madrugada do dia 1º de maio. São expressões de dor e lamento, mas igualmente de reafirmação da esperança alicerçada no Deus criador e mantenedor da vida. Foi o que a presidência da IECLB também pôde ouvir desde as primeiras horas do incêndio, a partir de contatos feitos com as lideranças do Sínodo Sudeste e da Paróquia Martin Luther, seu Pastor e seu Presbitério.

Enquanto os dias passam, esvai-se a esperança inicial de encontrar sobreviventes nos escombros do prédio que fora abandonado pelo poder público. Também permanece a incógnita para a Comunidade Martin Luther se o templo atingido poderá ser recuperado ou não. Em meio ao desalento e às perguntas sem resposta, é motivo de alegria e gratidão sabermos que a tragédia fez surgir uma verdadeira rede de solidariedade, e por ela a presidência da IECLB agradece sensibilizada. Igrejas irmãs do Brasil e de várias partes do mundo estão nesse grupo. Entidades civis, organizações populares, indivíduos, famílias, as Comunidades da IECLB, as mais distintas vozes falam da sua real disposição de contribuir (orando e doando) para que a igreja Martin Luther seja reconstruída e para que lá a comunidade evangélico-luterana continue testemunhando o Evangelho de Jesus Cristo, tendo como uma das marcas diaconais a acolhida regular a pes­soas moradoras de rua. Obrigado a todos e todas! 

P. Dr. Nestor Paulo Friedrich
Pastor Presidente da IECLB

Publicado originalmente no Jornal EC de junho


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