Publicado por José Geraldo Magalhães Jr. em Reflexão | 08/05/2019 às 11:40:25


A prioridade da paz!


Diante de tanta manifestação de ódio e violência em que o mundo atual, e especialmente o nosso Brasil, está mergulhado, é que venho manifestar preocupação com este momento que vivemos, marcado por guerra, violência, ódio e desigualdade.

Paz torna-se o tema mais urgente. Vivemos uma cultura de guerra. O custo da guerra na Síria já ultrapassou a cifra dos bilhões, e ela mata todo dia dezenas de pessoas, causando uma das maiores crises migratórias da humanidade. No Brasil a violência está instalada, assaltos e assassinatos ocorrem a toda nação; crianças e mulheres são os principais alvos. E esta violência atinge especialmente os/as mais pobres, de todas as faixas etárias, pois habitam as áreas mais violentas, aos/às quais é negado um sustento digno, além de saúde, educação e segurança. 

No Brasil os 100 milhões de brasileiros/as mais pobres ganham o mesmo que as 6 famílias mais ricas. Não tem como ter paz numa cultura de desigualdade como a nossa. Junte-se a isso o racismo e o sexismo, em que os/as negros/as e pardos/as, mesmo sendo a maioria da população, seguem em profunda desigualdade de condição em relação aos/às brancos/as, basta olhar as universidades públicas, onde a grande maioria é de brancos/as de classe média, ou as penitenciarias, onde a maioria é composta de negros/as e pardos/as. 

Como haver Paz em tão flagrante desigualdade? Quanto às mulheres, é evidente a masculinidade dos lugares-chaves da sociedade; vejam, celebramos quando uma mulher passa a ocupar um cargo de destaque no Brasil, porque foge da normalidade, pois esses cargos estavam reservados a homens. Não haverá Paz enquanto não sejam concedidos direitos e oportunidades iguais aos/às preteridos/as.

Vidas e recursos que numa cultura de Paz trariam justiça, educação, saúde, empregos, segurança e desenvolvimento ao Brasil, e mesmo aos países empobrecidos e dilacerados pelas guerras e miséria que lamentavelmente foram destruídos pela morte e a corrupção generalizada. Acontecimentos próximos de nós como:

  • A tragédia em Brumadinho, onde ficou caracterizado que o lucro se tornou mais importante que vidas. 
  • Os crescentes índices de femicídio no Brasil. 
  • A tragédia na Escola Pública em Suzano onde dois jovens assassinaram oito pessoas.
  • O assassinato de um músico negro que, com sua família, foi alvejado com 80 tiros no Rio de Janeiro.
  • A carência de moradia que incentivou a ocupação de encosta e áreas não edificáveis, como Muzema no Rio de Janeiro, dada a ausência de governo legal que, atrelada ao governo paralelo das Milícias, gera mortes anunciadas. A lista é grande em cada município, pode-se seguir enumerando-as.

O Evangelho nos aponta outra direção, uma cultura de Paz, Reconciliação e Justiça: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14.27). 

Trata-se de um convite de Jesus a uma cultura de amor e fraternidade, que tem como resultado a prosperidade e o bem de todos/as. Algo impossível numa cultura de ódio, violência e discriminação. Sabendo sempre que o amor é dom do Espírito, mas nem sempre damos lugar ao Espírito Santo, pois este quando vem traz mudança e nós tememos mudar, mas converter-se é mudar de um velho ser para um novo ser em Cristo, fundamento para uma sociedade justa e fraterna que tanto precisamos.

Termino apontando que vivemos tempos Apocalípticos, visto que os/as dominadores/as deste tempo à semelhança de Domiciano, o Imperador Romano, querem manter o povo sob domínio através de opressão e terror, que podem ser vistos nas estatísticas já citadas ou em muitas fontes de estudos sociais. Porém, dos cantos pobres daquele tempo surgiu a voz da Igreja através do Apocalipse de João, gerando com sua mensagem resistência e esperança.

Cabe à Igreja como nos tempos do Apocalipse ser a voz da Resistência, da Denúncia e da Esperança. Vivendo e Anunciando: VENHA TEU REINO, SENHOR! 

Bispo Emérito Paulo Lockmann


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