Publicado por José Geraldo Magalhães Jr. em Episcopal, Metodismo, Notícias | 10/12/2019 às 11:01:14


Palavra Episcopal: caminhando e cantando


A caminho 
Você se recorda do relato da caminhada dos discípulos de Emaús, no capítulo 24 de Lucas, a partir do versículo 33? Esse texto sempre me impressiona. O motivo daquela caminhada era um só: celebração da frustração com a paixão e morte de Jesus. Por mais que Jesus houvesse preparado os discípulos para o dia da sua morte e da sua ressurreição, eles não conseguiram entender quando tudo aconteceu. De seguidores de Cristo passam a ser peregrinos da desilusão. Sofrimento intenso. Os dois discípulos choravam a morte do Mestre.

Caminhando e refletindo em meio à dor 
Jesus dissera claramente que Ele era Caminho, Verdade e Vida. Mas o confronto com a prisão, julgamento, condenação, exposição no carregar da cruz foi insuportável para os discípulos. Era quase impossível transcender os fatos reais e crer Naquele que era tudo em todos. Jesus Homem não estava mais presente – e essa ausência os impedia de ver o Caminho. Só o que viam era uma estrada de volta ao que viviam antes de estarem com Cristo. Sem a perspectiva de Cristo vivo, só lhes restava desilusão e vergonha. Frustração. Projeto fracassado. Homens se sentindo humilhados e tolos.

O Caminho no caminho 
É neste contexto que Jesus lhes aparece. Vivo, vivo. Mas a dor dos discípulos era tamanha que lhes impedia de reconhecer o Mestre. A verdade é que o sofrimento turva a visão! Davi disse, em meio ao seu sofrer: Derramei-me como água e todos os meus ossos se desconjuntaram; meu coração fez-se como cera, derreteu-se dentro de mim. Salmo 22.14. 

“Há caminhos que aos homens/mulheres parecem ser bons…” (Pv 14.12)
O retorno à velha vida, à velha cidade, aos velhos hábitos parecia a única opção àqueles homens. Dois moços perdidos, sem propósitos. Desalento. Ombros caídos. Aquela volta para Emaús lhes parecia a melhor e única saída. Há caminhos que parecem bons, mas na verdade não são os melhores. Retornar à velha vida não era plano de Deus para aqueles discípulos. Embora não enxergando, o CAMINHO estava ali, junto deles. CAMINHO RESSURRETO, CHEIO DE VIDA, FARTO DE SALVAÇÃO E GRANDE EM PODER. 

A presença do CAMINHO discipulador
Amorosamente Jesus lhes relembra tudo que as Escrituras haviam ensinado acerca do Messias. A paixão e morte faziam parte do Caminho Dele. Deus quisera assim. Jesus lhes discorre acerca das Escrituras – afinal, elas são “lâmpadas para os pés e luz para os caminhos” (Sl 119-105). A dor ainda era muito intensa, mas a Palavra já lhes fazia arder o coração. Jesus é Pão da Vida e Água que jorra para a vida eterna. Enquanto Ele os discipula com a Palavra, os seus corações já começam a ver o novo. Aleluia. É assim com quem peregrina em discipulado com Jesus. 

O corpo partido
Já menos abatidos, aqueles moços chamam Jesus a permanecer consigo e a com eles cear. Finalmente, durante a ceia, aquele estranho parte o pão. Imediatamente os dois moços perdem as vendas dos olhos. Eles se lembram do que Jesus dissera. Que seria condenado, julgado, morto, mas que ressuscitaria ao terceiro dia. E era aquele o terceiro dia. O CAMINHO não morre. Jesus está vivo para sempre. A morte não dera fim aos planos de Deus. Eles estavam incluídos neste mistério divino e precisavam voltar imediatamente para Jerusalém, para lá serem revestidos de poder para o cumprimento da missão. O tempo era de colocar a mão no arado. 

A caminho
Há uma frase, de autor/a desconhecido, que gosto muito: “Posso não estar onde gostaria de estar, mas estou feliz porque estou a caminho”. Em tempo de tantas dificuldades que enfrentamos no Brasil, nós até podemos estar meio perdidos/as por aí. A dor, a decepção, as crises, a má distribuição de renda gerando a injustiça social, a Operação Lava Jato sendo corroída, os escândalos da Câmara e do Senado, a bancada evangélica dando maus exemplos, escândalos nas denominações, perdas, arrocho salarial, educação censurada, número de miseráveis aumentando e tanto mais, ameaças à democracia podem fazer nossos olhos marejarem. E a visão do Caminho fica turva. Então o sofrimento nos dobra. E parece que o Inimigo está só ganhando terreno. Entretanto, o Mestre está conosco. E quando Ele “parte o pão” (doa a sua vida por nós) nossos olhos se abrem. E a esperança se renova.

Conclusão
Neste final de ano podemos nos espelhar muito na atitude dos caminhantes de Emaús. Podemos nos perguntar que estrada estamos escolhendo: a de Jerusalém ou a de Emaús. 
Thomas Edison afirmou: O caminho mais curto é sempre tentar outra vez. Essa é a opção que o Senhor do Natal nos convida a vivenciar. É tempo de enxergar o pão que o Mestre parte e, daí, seguirmos firmes na direção do enfrentamento dos males que nos cercam. Que o Senhor Jesus nos ajude nesta nossa conversão de Emaús a Jerusalém. É tempo de Natal. 

Bispa Marisa de Freitas Ferreira

Presidente da Região Missionária do Nordeste

 

Publicado originalmente na edição de DEZEMBRO de 2019 do jornal Expositor Cristão 

*Reprodução parcial ou integral deste conteúdo autorizado desde que seja citado a fonte conforme abaixo:

[Nome do repórter ou autor do artigo], Expositor Cristão (Edição dezembro de 2019)


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