Publicado por José Geraldo Magalhães Jr. em Notícias | 30/04/2019 às 11:20:30


[Opinião] A Aldeia está triste e nós também!


A aldeia Bororó localizada em Dourados/MS ficou triste... e nós, também. O índio branco nos deixou. Índio branco? É assim que os indígenas costumam nos chamar por causa da cor da pele. Quem não índio é branco. O índio branco, que apesar de branco, era índio, partiu deixando nossos corações feridos e em lágrimas. Falo do Rev. Paulo da Silva Costa, que juntamente com a família, Revda. Imaculada, Yvy e Paigy dedicaram suas vidas inteiramente no ministério junto aos povos indígenas. 

Aparentemente um ministério “doido”, sem significado, sem “palmas”, sem Clam, Coream, Cogeam, livro de rol, Concílios; um ministério sem plateia, aliás, a única plateia era a própria família e os desafios das questões indígenas. Índios e índias, crianças, idosos, tuberculose, suicídio, camionete caindo aos pedaços , noites mal dormidas e lá vai a família cumprir o ministério de sarar as feridas. Carregar a cruz não é fácil!

Que ministério é este? Sei lá. Muitas vezes não entendemos o que Deus requer de cada um/a de nós. Enquanto uns/as lutam pelo imaginário do “status”, posições e cargos, uns poucos se oferecem para enfrentar as mazelas, os becos, os cortiços, as ruas sem saída. Mas, alguém poderá reagir: é a vocação da família, fazer o que?

Nós sempre estamos procurando uma defensiva para justificar nossas posições. Até falamos que oramos, e não oramos nada, dizemos que perdoamos, e deixamos de fazê-lo, cantamos, louvamos, damos glória...e tantas outras preciosidades que criamos para justificar nossas posições. Porém, em muitas ocasiões não acontece nada de novo em nossos relacionamentos. Continuamos na mesma. Confesso: Tenho medo de ser pesado na “balança”.

Pois bem. O ministério desenvolvido pelo Rev. Paulo e família, era mesmo meio “maluco”. Conseguiram introduzir nas aldeias o tratamento bucal em parceria com a FOL (Faculdade de Odontologia de Lins) e até um trailer foi adquirido. Desta ação a ideia migrou para o Projeto Uma Semana Prá Jesus. Compraram em parceria com as Igrejas cooperantes uma máquina para produzir leite da soja, lutaram bravamente na elaboração de uma Pastoral Indigenista, se esforçaram na criação do GTI (Grupo de Trabalho Indigenista), participaram do GTME, por 30 dias o casal esteve nas Igrejas Metodistas da Alemanha discorrendo sobre as questões do trabalho entre os índios, elaboravam minuciosamente Projetos para a causa indígena....faziam da aldeia a metrópole do seu ministério. Metrópole? Uma metrópole sem asfalto, prédios, lojas, bancos, etc. E daí?

Alguém poderá perguntar: Quantos índios se converteram? A Bíblia responderá: Quando vocês fizerem a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Temos que anunciar a salvação, é um preceito Bíblico e não devemos abrir mão, porém, há necessidade que curemos as feridas dos/as pequeninos/as irmãs/as, e não tenho dúvidas que os povos indígenas são nossos pequeninos/as irmãos/as.

O Rev. Paulo e família não atuaram neste ministério apenas 5 ou 10 anos, foram mais de 30 anos vivenciando a causa indígena, identificando-se com este povo, atuando no meio deste povo, chorando e lutando pelas causas deste povo. Um ministério incansável, infelizmente desconhecido por grande parte das nossas Igrejas. Não dá “ibope”.

A aldeia está triste......nós também. O índio branco nos deixou. Que pena! Nossas lágrimas estão banhando a aldeia Bororó e por ali ficarão por muito tempo, como símbolo de um homem branco, que tinha o coração de índio. Fica a pergunta difícil de ser respondida: Quem enviaremos? Almejo que ecoe a resposta: Envia-me a mim.

Obrigado índio branco. A história contada por você e sua família não ficará apenas nos anais da Igreja, mas em nossos corações e nos corações daquele povo que sempre confiou no trabalho e no amor que foram vivenciados. 

É o meu reconhecimento.
“Muito bem, servo bom e fiel....”

Bispo Emérito João Alves de Oliveira Filho
 


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