Publicado em Notícias, Igreja e Sociedade | 30/08/2018 às 09:01:50


Liderança metodista visita projeto social na Cracolândia

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Voluntários/as preparam todos os dias o café da manhã, mas a necessidade maior é de doação de leite. - Foto: Sara de Paula

Dados mostram que a maioria dos usuários de crack é evangélica, e dois em cada três buscam ajuda para sair das drogas. 

Na manhã do dia 9 de agosto, o presidente da 3ª Região Eclesiástica da Igreja Metodista, Bispo José Carlos Peres, visitou o projeto Cristolândia, que acontece em parceria com diversas igrejas evangélicas, com a intenção de acolher e evangelizar as pes­soas que vivem na região central de São Paulo – mais conhecida como Cracolândia. O Bispo foi acompanhado pela Pastora Eliad Santos, auxiliar administrativa do Projeto Sombra e Água Fresca (SAF), da Pastora Giselma de Souza Almeida Matos, secretária executiva do Colégio Episcopal, e da metodista Kássia Brum.

Só para ter uma ideia, há cerca de um ano, a pesquisa do Instituto Datafolha revelou que “o usuário de crack é homem, tem baixa escolaridade, vive de bicos e mora sozinho nas ruas e praças da região”. Em São Paulo, a maioria dos/as usuários/as é preta ou parda. Em média, os/as usuários/as começaram a usar a droga aos 22 anos, porém mais da metade deles/as inicia-se no crack antes disso, entre os 11 e os 20 anos. O documento foi divulgado após as ações da prefeitura da cidade realizadas em parceria com o governo do Estado, que tinham a intenção de enfrentar o problema de aglomeração de usuários/as e traficantes de crack que formam a Cracolândia. 

As medidas públicas, como a internação compulsiva, geraram polêmica entre a população paulistana, mas o fato é que, mesmo com a aplicação de novas ações, o problema persiste ou espalha-se em concentrações menores pela região central da capital, principalmente no bairro da Luz. A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de São Paulo estima que o número de pessoas que se concentram na região ultrapassa 1,8 mil usuários/as por dia, uma realidade que tem se agravado. 

Para o Bispo Peres, a manhã foi marcante. “A gente trabalha com papéis, com informações, mas não está vivenciando o dia a dia no local junto com as pessoas que trabalham, que desenvolvem o contato com os/as necessitados/as que estão nas ruas envolvidos/as com o mundo das drogas e que precisam de apoio, de amparo”, contou.

Cristolândia

A Missão Batista Cristolândia teve seu início marcado no ano de 2008, quando o fundador, Pastor Fernando Brandão, se perdeu no centro de São Paulo e deparou-se com a realidade da Cracolândia. Em março de 2010, a primeira unidade da organização foi oficialmente fundada. Hoje oferece, além de serviços como café da manhã, banho e corte de cabelo, a promoção de cultos públicos para evangelização de usuários/as de drogas.  

A voluntária Aline Raquel de Oliveira atua há três anos como responsável pelas agendas no estado de São Paulo. Ao mostrar a despensa do projeto, ela explicou as necessidades mais comuns que enfrentam. “O que mais precisamos é de leite, café e açúcar. Nós abrimos de terça a sábado e são 23 litros de leite por dia”, afirmou Aline. 

O atual prefeito da cidade de São Paulo, Bruno Covas, explicou, em junho deste ano, durante o seminário que celebrou o Dia Internacional de Combate às Drogas, a sua visão com relação ao problema. “É um desafio o trabalho junto à Cracolândia. Em nome dos Direitos Humanos precisamos atuar para ajudar as pessoas que vivem naquela situação vulnerável. Seria desumano deixá-las como estão, pois muitas perdem a capacidade de discernimento, a capacidade de escolha.”, afirmou. 

Apoio metodista

O centro de São Paulo em breve poderá contar com mais iniciativas de metodistas da região voltadas para mulheres, crianças, pessoas em situação de deslocamento forçado, refugiados/as e imigrantes. Esses grupos são o alvo do projeto recém-aprovado pela Coordenação Regional de Ação Missionária (Coream) da 3ª Região Eclesiástica.

A Igreja Metodista tem discutido essa inciativa, que foi apresentada pelo Projeto Sombra e Água Fresca (SAF). O Bispo José Carlos Peres explicou que agora, com o aval da Coordenação, a principal discussão é sobre os encaminhamentos para saber onde e como aplicar as ações. “Queremos atender mulheres e imigrantes junto com seus filhos e filhas, crianças que ficam soltas e precisam de alguém que dê esse apoio para elas. Temos o apoio do SAF, da área nacional e uma parceria com a 3ª Região para ver como vamos encaminhar cada passo desse projeto”, afirmou o Bispo. 

Doações

A Cristolândia aceita doações de todos os tipos de roupas, incluindo peças íntimas. Em nosso site você confere como doar, mas também é possível acessar o site da organização em www.cristolandia.org.

Você pode acompanhar mais informações sobre as ações sociais realizadas por metodistas no centro de São Paulo em nosso site. E se a sua igreja já promove movimentos semelhantes aos mencionados nesta reportagem, entre em contato com o Expositor Cristão e divulgue.

Escreva para expositorcristao@gmail.com.

Confira mais fotos abaixo:

Cristolândia

Sara de Paula
Publicado originalmente na edição de setembro de 2018 do Jornal Expositor Cristão impresso


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