2017_10_haitiMãos habilidosas e corações generosos a serviço de uma boa causa fazem a Igreja Metodista em São Roque/SP estar presente no Haiti. Sensibilizada com a situa­ção do terremoto de 2010 que deixou mais de 220 mil pessoas mortas, Vera Lúcia Campos Godinho, membro da Igreja Metodista São Roque, decidiu confeccionar vestidos para as crianças haitianas. “Creio que Deus colocou esse propósito em meu coração e comecei o trabalho sozinha, sem ter ideia de como faria as roupas chegarem lá. Nosso pastor soube disso e teve a ideia de envolver a igreja nesse trabalho”, conta Vera. A criatividade, a habilidade e a generosidade das mulheres produziram um lote de cem vestidos que já estão vestindo as meninas haitianas.

O propósito de auxiliar crianças do Haiti entusiasmou um grupo de mulheres da igreja, que passou a se reunir para fazer os vestidos, com auxílio da Sociedade Metodista de Mulheres e do Ministério de Ação Social. O mais interessante é o modo de produção das peças. “Não queremos enviar roupas prontas. O objetivo é fazer tudo com nossas mãos. Para isso, desmanchamos roupas nossas, de nossos familiares e amigos e, com os tecidos, criamos modelos exclusivos de vestidos”, relata Vera.

Iniciativa

O projeto foi apresentado ao Exército Brasileiro, que em junho entregou as roupas a um orfanato do Haiti, por ocasião da viagem do último contingente de militares brasileiros/as que integram a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti.

A sargento Caroline Falasqui, que recebeu os vestidos no quartel do Exército em Campinas/SP e providenciou seu encaminhamento, disse que foi uma alegria quando as roupas chegaram. “A remessa das roupas foi feita por intermédio do efetivo de militares da 12ª Brigada de Caçapava/SP e tudo foi entregue a um orfanato em Porto Príncipe. As crianças gostaram muito do presente, foi uma tarde de festa para elas. Eles/as agradeceram as doações, e os/as militares se emocionaram, pois ver a felicidade das crianças não tem preço”, disse a sargento. O sucesso na entrega das roupas motivou as mulheres da Igreja Metodista a seguirem com o projeto e a produção de vestidos a todo vapor.

Por determinação do Conselho de Segurança da ONU, a missão de paz no Haiti terminará em outubro e o Exército Brasileiro não enviará novos contingentes ao país. Para garantir a continuidade da remessa das roupas às crianças carentes, a Igreja Metodista vem mantendo contato com entidades humanitárias e missionárias.
O pastor da Igreja Metodista em São Roque, Eduardo Seixas Jr., enfatiza a importância de a Igreja se envolver em causas sociais e humanitárias. “É dever dos/as cristãos/ãs envolver-se em projetos sociais e colocar seus recursos e talentos a serviço dos/as que precisam de auxílio. A Igreja Metodista está de portas abertas para acolher quem vem até nós e para estender seus braços e amparar os/as necessitados/as, estejam perto ou longe, como as crianças do Haiti”, disse o Pastor Eduardo.
Para participar dessa missão, basta oferecer roupas em bom estado, aviamentos ou suas habilidades. As mulheres reúnem-se todas as quartas-feiras, das 14h30 às 17h00, no salão social da Igreja Metodista em São Roque, na Praça da República, nº 34, Centro.

História

Situado na América Central e classificado como um dos países mais pobres do mundo, o Haiti protagoniza uma longa e caótica instabilidade política, intenso narcotráfico e constantes desastres naturais. Esse somatório é responsável pela extrema pobreza e pelas condições precárias de vida e saúde dos/as haitianos/as. Tão dramático o cotidiano ganha a mídia a cada nova desgraça de grandes proporções que atinge o Haiti, apontado em 2016, pela ONU, como o país com o maior número de vítimas fatais por catástrofes naturais do mundo.

O Escritório da ONU para Redução do Risco de Desastres assegura que nos últimos 20 anos 229,6 mil pessoas morreram vitimadas por ciclones, furacões, inundações, terremotos e secas no Haiti.

O terremoto que devastou parte do país em 2010 resultou em 220 mil mortes e cerca de 350 mil pessoas feridas e mutiladas, de todas as idades. Em 2014, um furacão fez imenso estrago no Haiti, deixando cerca de mil mortos/as e milhares de desabrigados/as. A cada catástrofe natural, significativa parcela da população perde todos os seus pertences.

Um dos mais preocupantes saldos dessa situação é o número de crianças órfãs e abandonadas que povoa o Haiti. Organismos voltados à ajuda humanitária estimam haver aproximadamente mil orfanatos no país, muitos deles sem condições de funcionamento.

Simone Judica
Advogada e jornalista
Publicado originalmente no Expositor Cristão de outubro/2017