“Mas algo existe que trago à memória e me dá esperança” (Lamentações 3.21)

Bispo Roberto Alves de Souza | 4 ª RE

A Igreja Metodista no Brasil está comemorando 150 anos de trabalhos missionários, que se iniciaram com a implantação definitiva do trabalho metodista em 5 de agosto de 1867 pelo Pr. Junius Estaham Newman, o qual, com suas próprias economias, chegou à cidade do Rio de Janeiro e fixou residência em Saltinho, cidade próxima a Santa Bárbara do Oeste, província de São Paulo.

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Em 2 de setembro de 1930, na Catedral Metodista de São Paulo, foi lido o documento que declara a tão sonhada e desejada “autonomia da Igreja Metodista no Brasil”. De lá até os nossos dias são 87 anos de autonomia que celebramos como metodistas em terras brasileiras.

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Mas o que é autonomia? Segundo o Grande Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, “autonomia é a capacidade de autogovernar; direito reconhecido de se dirigir segundo suas próprias leis e soberania; faculdade que possui determinada instituição de traçar as normas de sua conduta, sem que sinta imposições restritivas de ordem estranha; direito de se administrar livremente, dentro de uma organização mais vasta, regida por um poder central; direito de um indivíduo tomar decisões livremente; liberdade, independência moral ou intelectual; capacidade apresentada pela vontade humana de se autodeterminar segundo uma legislação moral por ela mesma estabelecida, livre de qualquer fator estranho ou exógeno com uma in­fluência subjugante, tal como uma paixão ou uma inclinação afetiva incoercível”.

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Nós traduzimos todo significado de “autonomia” em pelo menos três fatores: autogoverno + autoproclamação + autossustento = autonomia. Podemos afirmar que essas três condições juntas, unidas na vida da igreja, tornam-na uma igreja autônoma. Isso implica que tenhamos uma forte liderança que não seja autoritária nem frouxa, mas que seja firmada no modelo de nosso Senhor Jesus Cristo; digo isso por se tratar de sermos Igreja de Cristo. Precisamos também de uma mensagem centralizada na Palavra de Deus que, aliás, para nós, metodistas, a Palavra de Deus é a nossa única regra de fé e prática. Precisamos sustentar essa obra missionária sendo fiéis no nosso compromisso de testemunho, dons, dízimo e ofertas. Sem esses elementos e práticas, seremos tudo, porém, jamais uma Igreja com autonomia.

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A grande obra missionária iniciada pelo Rev. John Wesley e o povo chamado metodista iniciou-se em Londres, Bristol e em muitas outras cidades inglesas após a “Experiência do Coração Aquecido”, em 24 de maio de 1738, bem como antes e depois. Nesse grande avivamento, desde 24 de maio de 1738, nós vemos o movimento metodista se expandir para o mundo e hoje está presente em mais de 100 países com mais de 100 milhões de fiéis. Tudo isso significa uma grande responsabilidade, pois o Rev. John Wesley já dizia: “Não tenho medo de que o povo chamado metodista um dia deixe de existir, tanto na Europa como na América; mas tenho medo de que exista somente como uma seita morta, tendo forma de religião sem o poder de Deus”.

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Quando celebramos 87 anos de nossa autonomia e 150 anos de Metodismo no Brasil, não é tempo somente de festa, porém de refletir, de fazer um autoexame de como tem sido o nosso papel de Igreja de Cristo em terras brasileiras, pois vivemos dias de profunda crise política, empresarial, econômica e ética em nosso Brasil. Infelizmente, somos mais de 40 milhões de evangélicos/as neste país, mas não temos feito diferença no Brasil a favor da vida abundante em Cristo. Que o medo que John Wesley tinha não venha a se concretizar em nossa amada Igreja Metodista, mas que possamos, no clima dos 500 anos de Reforma Protestante, sermos uma “Igreja Reformada sempre Reformando”, que possamos “espalhar a santidade bíblica por toda a terra”.

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Ore, celebre, pare, pense e transforme-se para a missão que Jesus Cristo confiou a você.

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BIBLIOGRAFIA:

HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles; FRANCO, Francisco Manoel de Mello. Grande Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Editora Objetiva, Rio de Janeiro, 2008.

SCHOKEL, Luís Alonso. A Bíblia do Peregrino, Paulus, São Paulo, 2002.

Redação
Publicado originalmente no Expositor Cristão de setembro/2017