2017_08_adotados

Adoção é uma atitude única, indescritível e singular. É preciso entender que o casal, trato aqui como referenciais materno e paterno, precisa gestar a decisão no seu coração. Gestamos por sete anos e aguardamos cinco num processo moroso, lento, cheio de expectativas. O recebemos depois de conhecê-lo e ao dizer “sim” após “dois longos dias”. Para nós foi tão especial quanto acolher o nascimento das meninas no hospital. É único, nos fez ser gente.

Infelizmente, muitas pessoas não entendem, porque acham que as crianças são perfeitas, têm a expectativa como se fossem ir a uma loja e comprar uma roupa e, após usar, volta ao vendedor e diz: “vou devolver porque não gostei”. Isso aconteceu de fato com um pai que se arrependeu após devolver a criança. A matéria foi publicada no site do UOL em 4 de julho. Por essa razão que resolvi escrever, tendo em vista que em agosto celebra-se o Dia dos Pais.

Todas as crianças nessa “espera” por uma família são em sua grande maioria sofridas e, muitas vezes, traumatizadas. Elas lutam para sobreviver. Pais e mães drogados/as, prostitutas/os, embriagados/as, agredidas/os e sofredores/as de maus tratos. Quantas palavras e maldições recebidas em sua formação e primeiros dias de vida acolheram em seu coração?

Adoção não pode ser tratada com modismo e/ou evento social. Tem que ser gerada a decisão no casal. Tem que vir de dentro para fora, e não ao contrário. É uma ação sem retorno, com responsabilidade e compromissos de educação, sentimentos, referencial.

Sou um grande incentivador da adoção, mas de dentro para fora. Muitos dos sofrimentos da reportagem publicada no site do UOL são frutos do não preparo das pessoas para o ato. Se recebemos a criança doente, temos que lutar por sua saúde; quando sem educação, nossa missão é educar; se cheia de rejeições, amar. Somente através de ações como essas que a adoção será algo formidável.

Você acha que filhos/as biológicos/as são diferentes? Não. Todos/as são passíveis de caminhos bons ou ruins, depende de como é entendido paternidade e maternidade, bênção ou maldição. Nós preferimos a bênção, e valores do Reino com justiça e amor fazer parte de todas as nossas ações. Vamos falhar como pais e mães? Sim, sempre. Contudo, nossa busca será sempre esse cuidar como se quiséssemos ser cuidados/as.

Fui pai outras duas vezes. A sensação de buscar sua filha no hospital é única, assim como também é ao acolher nos braços nosso filho. Somos gente quando escolhemos gente, quem nos adora são elas, e não ao contrário. Agradeço a Deus pela vida da minha esposa, que juntos, cumprimos a missão que nos foi dada em amar, educar, zelar, proteger. Isso é a beleza da vida! A ressurreição se constituiu em tirar “vida do evento da morte”.

Na adoção temos essa missão!

Pr. Kleyson Fleury
5ª Região Eclesiástica
Publicado originalmente no jornal Expositor Cristão de agosto/2017