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Arquivo Femejo Remne

“O evangelho de Cristo não reconhece religião que não seja religião social, não reconhece santidade que não seja santidade social”, já defendia John Wesley, fundador do metodismo. Guardando suas palavras como ideias norteadoras, as igrejas metodistas e outras denominações da Grande Recife estão representadas no combate à violência no estado de Pernambuco. As ações de protestos iniciaram no final de março e se intensificam desde então.

De acordo com dados da polícia civil, mais de mil pessoas foram assassinadas no estado somente nos dois primeiros meses deste ano, sendo a maior parte dessas vítimas jovens do sexo masculino, negros e pobres. Além dessa barbárie, a sociedade pernambucana ainda vivencia um momento de tensão com assaltos a ônibus, roubos de carros e arrombamentos de casas e lojas, colocando Recife entre as cinquenta cidades mais violentas do mundo, de acordo com o estudo realizado pelo Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal.

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Para sintetizar o caos existente, 1.100 cruzes foram fincadas na areia da Praia do Pina, em Boa Viagem, representando cada homicídio ocorrido. Houve também a entrega de panfletos com o manifesto “Pernambuco de Paz” a todas as pessoas que passavam naquele lugar.

As igrejas metodistas estavam ali, em conjunto com mais 40 igrejas de distintas denominações, solidarizando-se com cada família enlutada, em busca da paz no estado e sendo voz profética, pondo em prática o ser uma “comunidade missionária a serviço do povo” ao sensibilizar o poder público e todos/as os/as cidadãos/ãs a respeito desses últimos acontecimentos.

A Bispa Marisa de Freitas Ferreira enfatizou na ocasião o trabalho das igrejas. “Além do movimento na praia, foi protocolado um documento solicitando uma audiência pública para tratar da segurança no estado”. A luta não parou por aí, o grupo de igrejas marcou também vigília a favor de Pernambuco, bem como uma audiência com a comissão de Direitos Humanos do estado. “Caso essa audiência não atenda aos anseios das 43 representatividades do movimento, uma segunda será solicitada”, disse a Bispa.

E assim está sendo feito. As autoridades locais não ouviram a população na reunião marcada, e está sendo pedida uma nova oportunidade de explanar a opinião dos/as cidadãos/ãs para correção desses acontecimentos.

O superintendente distrital do estado, Pastor Samuel Luiz, deixou claro que é o momento de a Igreja posicionar-se contra essa situação: “Deus tem dado a oportunidade de nós, enquanto igrejas, estarmos juntos nesse propósito para vencermos as adversidades do nosso país”.

É com essa motivação que tal grupo interdenominacional segue lutando em favor da vida. Pedidos de orações são feitos nos cultos, e movimentos sociais são colocados em prática. Dessa forma, vemos que o manifesto foi o ponto de partida para ações ainda maiores no estado, buscando a melhoria da qualidade de vida de cada um/a.

Pollyanna Gomes
Vice-presidente da Federação de Jovens da REMNE
Publicado originalmente no jornal Expositor Cristão de julho