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Tenho visto muitos ministros evitando esse tema, ignorando o fato de a mensagem sobre o Juízo Divino está em harmonia com a mensagem do Novo Testamento. Dos vários versículos que nos apresentam o tema do Juízo Divino, temos o de Hebreus 12:28-29: “Pelo que, Recebendo nós um reino que não pode ser abalado, RETENHAMOS A GRAÇA, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com REVERÊNCIA E TEMOR; pois o nosso Deus é um fogo consumidor”. O autor está alertando aos hebreus a reterem a graça, cultivarem o favor divino com reverencia e temor, e o que fica claro é que se isso não for aderido e vivenciado na vida diária, eles provariam do juízo divino, retratado na expressão: “pois nosso Deus é fogo consumidor”.

“Fogo” aqui é apresentado como símbolo do juízo divino. Notemos que fogo e fumaça foram produzidos pela presença de Deus no Sinai e o que pode ser observado em Hebreus 12:18 é que o fogo é apresentado como símbolo de uma SANTIDADE consumidora, de um julgamento CONTRA TODA MALDADE. A pessoa de Deus é assim descrita em seu ÓDIO CONTRA O PECADO. No Antigo Testamento, onde essas palavras aparecem (Deuteronômio 4:4), elas surgem como uma advertência contra a idolatria. A idolatria é uma forma de apostasia e, assim sendo, essas palavras foram admiravelmente bem postas aqui, pois na realidade é a apostasia ( afastamento da comunhão com Cristo) é o que é muitas vezes focalizada no Novo Testamento como sendo a causa do Juízo Divino. Veja o que o evangelho de João nos diz: “Quem crê no filho tem a vida eterna; o que, todavia, se MANTÉM REBELDE CONTRA O FILHO não verá a vida, mais sobre ele PERMANECE A IRA DE DEUS (João 3:36).

A Ira usualmente implica numa manifestação presente ou vindoura do julgamento de Deus (Mateus 3:7 – I Tessalonicenses 2:16 – Apocalipse 6:16). Somente por uma vez nos quatro evangelhos é que esse termo pode ser encontrado; e isso no evangelho do amor, em um contexto que fala do amor do pai pelo filho e da Vida Eterna, que é a porção de todos aqueles que confiam no Filho. Algo muito simples de ser entendido fica claro nesse verso: para que a ira de Deus não permaneça sobre mim, basta eu confiar no Filho, não me mantendo rebelde contra Ele. Não podemos nos esquecer também, que é justamente nesse capitulo que João retrata sobre o incrível amor de Deus pelo mundo: “Porque Deus amou o mundo de TAL MANEIRA que deu o seu filho unigênito, para que todo o que nele crê NÃO pereça, mais tenha a vida eterna”. Porquanto Deus enviou seu filho ao mundo, NÃO PARA QUE JULGASSE o mundo, mas para que o mundo FOSSE SALVO POR ELE. Quem nele crê não é julgado; O QUE NÃO CRÊ JÁ ESTÁ JULGADO, porquanto não crê no nome do unigênito de filho de Deus. (João 3:16-17).

No Novo Testamento não encontraremos nenhum choque entre a ira divina e a longanimidade divina; pelo contrario, ficamos certos tanto da bondade, como da Severidade de Deus (Romanos 11:22). Falando para os colossenses Paulo os alertou: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; por essas coisas é que vem a IRA DE DEUS SOBRE OS FILHOS DA DESOBEDIÊNCIA”. Ora, nessas mesmas coisas andastes vós também, noutro tempo ,quando vivíeis nelas” (Colossenses 3:5-7). Paulo esta falando de um tipo de comportamento que atrai a ira de Deus, e para que essa ira não venha sobre nós no versículo 5 e também no versículo 8 ele nos orienta a “mortificarmos” e “despojarmo-nos” desse tipo de comportamento. Esse cuidado se dá pelo fato de que o alvo da ira de Deus É O PECADO, e se estivermos intencionalmente associados com ele, inevitavelmente seremos alvos dessa ira divina. O mesmo pode ser observado quando analisamos o capitulo dez da carta aos Hebreus: “Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: porei no seu coração as minhas leis, e sobre a sua mente as inscreverei, acrescenta: também de NENHUM MODO me lembrarei dos SEUS PECADOS e das suas iniquidades, PARA SEMPRE” (Hebreus 10:16-17).

O que é contrastado nesse capitulo 10 é a insuficiência dos sacrifícios do Antigo Testamento em aniquilar o pecado, com o sacrifício excelente e sublime de Cristo, que aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados. O resultado do sublime sacrifício de Cristo é que Deus não se lembra mais dos pecados nem das iniquidades. Surpreendente é observar que no mesmo capitulo, uma advertência é dada àqueles que mesmo tendo o conhecimento do que o sacrifício de Cristo foi capaz de fazer, rejeitam a ele, e continuam deliberadamente a viver no pecado: “Porque, se vivermos DELIBERADAMENTE em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, JÁ NÃO RESTA sacrifício pelos pecados” (Hebreus 10:26). Pois o que era necessário ser feito quanto ao pecado, Deus o fez em Cristo, portanto, se alguém escolhe viver intencionalmente, deliberadamente no pecado, o juízo é inevitável.

O texto continua: “Pelo contrario, certa expectação horrível de JUÍZO E FOGO vingador, prestes a consumir os adversários”. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver REJEITADO a lei de Moisés” (Hebreus 10:27-28). Ao mencionar a lei, o autor está apontando para o texto de Números capítulo quinze, onde quando um pecado por ignorância era cometido, fazia-se o sacrifício para o perdão, agora, quando se pecava ATREVIDAMENTE, ignorando a Lei do Senhor, não havia sacrifício, e a pessoa era eliminada, e a sua iniquidade era sobre ela (Nm 15:22-31). Na Nova Aliança não é diferente. Se rejeitar a Lei trazia Juízo, “De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés do filho de Deus, e PROFANOU o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ULTRAJOU o Espírito da Graça”? Ora, nós conhecemos aquele que disse: a mim pertence à vingança; eu retribuirei. E outra vez: o Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10:29-31).

A Igreja na busca de equilíbrio, está sempre oscilando entre os extremos; ouvia-se falar de uma geração que tinha muito medo de Deus. Os pais diziam: “não faz isso, Deus castiga”. Uma geração que cresceu não com uma visão correta de Deus, Pai, generoso, amoroso, mais uma distorção. Para muitos a dificuldade de entender a paternidade de Deus se deu devido a um exagero na dose, apresentando um Deus que era só severo que não via a hora de cometermos um erro para nos aniquilar. Como citei Romanos 11:22, Paulo fala da bondade e da severidade de Deus. Precisamos ter um equilíbrio em entendermos o coração amoroso de Deus, mas também em andarmos no temor do Senhor.

Ao mesmo tempo em que entendemos esse aspecto paternal, amoroso para aqueles que estão andando corretamente, entendemos também que há severidade para os que tropeçam, para os que estão deliberadamente vivendo no pecado. Saímos do extremo onde terror era tocado nas pessoas; qualquer coisa “Deus vai pesar a mão, vai te julgar, vai pegar você”, e fomos para outro extremo onde parece que Deus não julga o mal, o pecado, não há necessidade de temor, cada um pode fazer o que quiser, e isso também não é verdade. Deus não tolera o pecado na vida da Igreja; na vida daqueles que deveriam estar andando em santidade diante dele. Não quer dizer que Deus esteja esperando qualquer falha para vir com tudo para cima de alguém. A mensagem de juízo tem a ver com aqueles que NÃO SE ARREPENDEM do seu pecado.

Ela não tem a ver com aqueles que pecaram, mas com aqueles que estão andando deliberadamente, intencionalmente no pecado, receberam advertência e ainda assim não se arrependeram. Considere o que Tiago diz: “Porque o juízo [de Deus] será sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia; a misericórdia TRIUNFA sobre o juízo [quem é misericordioso, jamais temerá o juízo]”. (Tiago 2:13). Deus não começa julgando, a misericórdia precede o juízo. Deus começa instruindo, advertindo sobre as consequências, mas há um momento em que se a misericórdia não for abraçada, o juízo certamente se seguirá. Provérbios diz: “O homem que muitas vezes repreendido endurece a cerviz será quebrado de repente sem que haja cura” Provérbios 29:1.

A ira de Deus é uma perfeição divina tanto como a Sua fidelidade, o Seu poder ou a Sua misericórdia. Só pode ser assim, pois não há mácula alguma, nem o mais ligeiro defeito no caráter de Deus, porém haveria se nEle não houvesse a Ira! A ira de Deus é o Seu desprazer e a indignação da divina equidade contra o mal. É a santidade de Deus posta em ação contra o pecado. É a causa motora daquela sentença justa que Ele lavra sobre os malfeitores. Deus está irado contra o pecado porque este é rebelião contra a Sua autoridade. O que muitas vezes nos dificulta entender o juízo divino é o fato de não entendermos bem o conceito do bem. Não aceitar o mal, querer fazer algo em relação a ele, não são coisas ruins, mas boas! Nenhum ser humano “do bem” pode ser considerado justo se não se irar contra o que é perverso e injusto.

O que a bíblia ensina sobre a ira de Deus é uma prova do seu caráter puro e de sua bondade inquestionável. Se temos condições de nos irar diante de perversidades praticadas por outros, como Deus, que é tão santo, não se iraria diante do mal intencionalmente praticado por homens perversos?

Allan Daniel Terra | Pastor na Igreja Metodista em Roncador (PR)
6ª Região Eclesiástica

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