2016_02_aventureiros_formigarra

Ao falar do coração aquecido, lembro-me da mãe de John Wesley, Susana Wesley, que teve um papel fundamental na criação de seus/as filhos/as, encaminhando-os/as na presença do Senhor. Por ter sido uma mãe dedicada no ensinamento da palavra, ele se tornou esse grande homem que foi, pois sua mãe foi a maior influência religiosa do filho, que conduziu uma grande obra de avivamento na Inglaterra do século XVIII.

Evidenciando seus esforços para que os/as filhos/as se tornassem pessoas de bom caráter, preocupava-se sempre com a felicidade e a realização deles/as. Cada um/a tinha uma hora semanal para uma conversa em particular, quando ela lhes ouvia os problemas e as alegrias. Diante dessa mãe fico pensado que tipo de pais temos sido, que transferimos a responsabilidade da educação cristã para a Igreja? Ou temos tomado como exemplo essa mulher que se sentava com os/as filhos/as e conversava, orava?

Fico imaginando como as nossas igrejas seriam diferentes se tivéssemos mães assim, pois na sociedade em que vivemos, onde tudo pode, onde os pais têm tempo para tudo, menos para as crianças, acabam enchendo-as com presentes de última geração como se substi­tuíssem o amor e a presença deles.

Está na hora de refletirmos que tipos de pais temos sido. Pais que amam seus/as filhos/as e por isso educam, mostram o caminho a seguir, que não transferem a sua responsabilidade a outros, ou temos sido pais permissivos com filhos/as que fazem o que querem. Aqui vai um exemplo de uma colega de trabalho que caracteriza muito bem essa permissividade. “Em uma reunião de pais na escola a diretora falou que os/as alunos/as só poderiam entrar fardados/as, terminada a reunião, uma mãe chegou para a professora e disse que a filha só queria ir para a escola de calça jeans e de sandália.

Quando ela colocava a farda na filha, ela esperneava e dizia que não ia para a escola; a professora indagou a mãe: sua filha só tem quatro anos e já lhe domina?”. São esses e outros casos de pais que estão se deixando dominar pelos/as filhos/as; é uma enorme inversão de valores. Devemos tomar as rédeas dos nossos lares de sermos pais amorosos, presentes, mas principalmente corrigir na hora certa, dizer NÃO às crianças, elas precisam de regras e limites, caso contrário, quando crescerem, ao invés de ter um coração aquecido pelo Senhor, terão seu coração cheio de coisas ruins.

Que possamos ser como Susanna Wesley e outras mulheres que levaram seus/as filhos/as aos caminhos do Senhor, fizeram deles/as verdadeiros homens e mulheres de Deus, pois a criança não é o futuro, é o presente, se não cuidarmos, amanhã pode ser tarde demais. Será que vamos ouvir dos/as nossos/as filhos/as: “Senti meu coração estranhamente aquecido. Senti que confiava em Cristo”? Talvez sim, talvez não, só depende de nós.

Equipe DNTC
Publicado originalmente no Jornal Expositor Cristão impresso de maio/2017