Brasília - Índios do Acampamento Terra Livre fazem nova manifestação na Esplanada dos Ministérios (José Cruz/Agência Brasil)

Brasília – Índios do Acampamento Terra Livre fazem nova manifestação na Esplanada dos Ministérios (José Cruz/Agência Brasil)

A Igreja Metodista (IM) emitiu por meio da sua Pastoral Indigenista, um manifesto favorável às manifestações que povos indígenas de diversas etnias vem promovendo nos últimos dias. Os grupos realizam uma série de protestos contra o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituo Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O último deles ocorreu na terça-feira (16), quando cerca de 50 indígenas vindos da região Sul do Brasil, se reuniram em protesto na entrada da Câmara dos Deputados.

O manifesto da IM defende, entre outros pontos, que indígenas se posicionem sobre questões que envolvem seus direitos. “Considerando a manifestação das comunidades indígenas em todo o Brasil, a Igreja Metodista, vem através da Pastoral Indigenista, apoiar as manifestações, visto que somos uma Igreja em defesa da dignidade humana, que defende o valor da terra, da água e a vida humana, e tem uma voz profética de denúncia do pecado social”, afirma o documento assinado pelo Pastor João Coimbra, pessoa de referência da pastoral.

Outros protestos recentes de indígenas foram marcados pela repressão policial e agora correm denúncias de que o relatório atenta contra os direitos de quem trabalha em favor dessa causa. O Conselho Indigenista Missionário (CIMI), afirmou em nota que no relatório com mais de três mil páginas, o deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), recomenda o indiciamento de cerca de 90 pessoas, entre indígenas, antropólogos, servidores públicos e procuradores da República. “Estes vêm insinuando de maneira covarde ou afirmando categoricamente que membros do CIMI cometem delitos ao se posicionarem favoravelmente aos direitos constitucionais que possuem os Povos Indígenas”, afirma a nota das Pastorais do Campo em solidariedade ao Conselho, depois da publicação do texto de Leitão.

A Agência Brasil divulgou o posicionamento do deputado, onde ele explica que o relatório é resultado de uma investigação que encontrou fraudes e irregularidades no processo de demarcação de terras no país. Para o relator, a Funai e o Incra focaram apenas na demarcação das terras e falharam no cuidado com o índio.

Já o CIMI, declarou em seu site que durante seis horas, os ruralistas protagonizaram um espetáculo violento, misógino e sem nenhum respeito aos trâmites democráticos de uma CPI. Com o objetivo de garantir a quebra de sigilo de entidades identificadas como aliadas dos povos indígenas, quilombolas e meio ambiente, o que já foi impedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na primeira versão da comissão, o presidente da CPI, deputado Alceu Moreira (PMDB/RS), atropelou por diversas vezes o regimento interno. (Leia a reportagem completa)

Confira o Manifesto da Igreja Metodista na íntegra no site nacional da organização. Acesse aqui.

Redação EC
Com informações de CIMI e Agência Brasil