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Plantar uma nova Igreja tem sido a ênfase da Igreja Metodista nos últimos anos. As Regiões Eclesiásticas e Missionárias têm se empenhado para cumprir as orientações da grande comissão que ordena a fazer discípulos/as e o seu pleno cumprimento em bairros ou cidades onde não há a presença de metodistas. Nesse propósito, a Faculdade de Teologia (FaTeo), em parceria com a Asbury Theological Seminary (EUA), realizou entre os dias 27 e 31 de março o Curso Intensivo de Plantação de Igrejas no Século 21. Cerca de cem pessoas participaram.

O curso contou com os palestrantes e pastores/a W. Jay Moon e Bud Simon, da Asbury Theological Seminary, e Danielle Bósio e Márcio Divino, da FaTeo. O Bispo Roberto Alves de Souza destaca a importância do curso para os/as metodistas. “O curso é extremamente importante porque é um anseio da Igreja. Na 4ª Região, o projeto de plantar igrejas tem sido nosso referencial e o curso nos ajuda a entender mais esse processo”, disse o Bispo Roberto.

Anunciar o evangelho a todas as nações foi a estratégia da igreja primitiva para cumprir a grande comissão e o plantio de novas igrejas (Atos 14.21-23). Para o apóstolo Paulo, fazer discípulos/as não constituía apenas a pregação inicial ou mesmo a colheita de alguns frutos, mas o fortalecimento e amadurecimento dos/as novos/as convertidos/as com o intuito de agregá-los/as e estabelecê-los/as em igrejas locais.

No entanto, um fator essencial que foi dito pelo prof. Márcio Divino durante o curso está relacionado à cultura. “Muitos projetos desconsideram a questão cultural. Muitas igrejas aplicam esse modelo sem considerar a cultura. É preciso levar em conta a fé e a cultura porque ambas se relacionam”, disse o Pastor Márcio que ministrou a palestra sobre a inculturação.

Segundo o professor, replicar um modelo nem sempre é saudável. “Não basta replicar o modelo. As metodologias são importantes e válidas para todas as ocasiões, mas ela vai exigir que se faça determinadas adequações. O modelo pode atingir grupos, mas pode excluir outros, por isso é preciso ter certos cuidados com a questão cultural das pessoas”, finalizou.

Um dos palestrantes internacionais foi Bud Simon, que viveu 20 anos no Brasil (1995-2015), na Região Norte, em Altamira do Pará. Atualmente ele mora nos Estados Unidos. Ele mencionou que, para se plantar uma nova Igreja, pelo menos um ingrediente não pode faltar. “Quando se está trabalhando na igreja, com certeza vai haver um momento de crise. O primeiro passo é orar para ver se realmente Deus está chamando para caminhar juntos. Há etapas que precisam ser seguidas e a oração faz parte de todas elas”, disse o Pastor Simon.

O Pastor Simon lembrou também a estratégia utilizada pelos discípulos no novo Testamento. “Muitas vezes queremos um formulário com os tópicos que precisamos seguir, mas, ao seguir esses tópicos, por muitas vezes deixamos o Espírito Santo de fora e as coisas não dão certo. O livro de Atos nos mostra isso”, enfatizou.

Quando perguntei sobre um modelo do exterior sendo aplicado na realidade brasileira, o pastor respondeu: “Não dá para pegar um modelo e aplicar em outro. Tem que ver o modelo e o contexto para fazer as devidas adaptações. O modelo não é uma doutrina. Pode-se mudar. Na verdade, todo modelo precisa se encaixar em um contexto”, finalizou.

Todas as apresentações dos/a palestrantes em Power Point estão disponíveis no site www.metodista.org.br.

Plantar novas igrejas

Na edição jan/fev deste ano, o informativo regional da 3ª Região Eclesiástica – Conexão trouxe o tema Plantação de Igrejas. A edição aponta que a região foi desafiada pelo 42º Concílio Regional a plantar 20 novas igrejas. Na primeira etapa a região trabalhou profundamente o tema, os princípios e as possibilidades de projetos de plantação de novas igrejas com toda a liderança regional. Os distritos também se reuniram para conversar sobre o assunto. Para conferir os detalhes, acesse www.3remetodista.org.br.

José Geraldo Magalhães
Publicado originalmente no Jornal Expositor Cristão impresso de maio/2017