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Seria muita pretensão tentar escrever na íntegra o panorama e o desenvolvimento do metodismo na Amazônia, sendo assim, me dedicarei ao relato lacunar da missão metodista a partir de Justus Nelson (1851-1937), que consta no Brasil no período de 1880 a 1925. Foram 45 anos de trabalho, sofrimento, perseguições e até prisão, mas foi o início de um metodismo construído com suor e lágrimas na Amazônia.

Esta missão fornece-nos impressionantes detalhes de sua luta, sua paixão e, finalmente, seu regresso à terra natal, sem ter quem pudesse dar continuidade ao trabalho, lamentavelmente encaminhando os membros da Igreja Metodista às outras igrejas evangélicas. Em junho de 1880, Justus Nelson tornou-se professor de inglês para se sustentar financeiramente, enquanto pregava e realizava reuniões nos lares.

Em “Jerusalém”

Essa estratégia de cultos nos lares deu resultado, sendo que em 1º de julho de 1883 a Igreja Metodista Episcopal inaugurou a primeira Igreja protestante na Amazônia – a Igreja Metodista Episcopal do Pará –, com expansão missionária na Amazônia através de um trabalho tipográfico em sua própria residência a partir de 1889.

O objetivo de Justus Nelson era estender a obra evangelística em outros territórios da Amazônia; no entanto, se deparava com a insuficiência de pessoal e, então, resolve escrever para William Taylor solicitando que enviasse pessoas para as cidades de Santarém e Manaus. Em resposta, foram enviados os missionários Marcos E. Carver e Smith (juntamente com sua esposa).

Na “Judeia e Samaria”

Em dezembro de 1887, Justus Nelson e o Rev. Carver viajaram para Manaus, onde em 1º de janeiro inauguraram uma missão metodista. Contudo, pelas dificuldades financeiras e pelo desejo de independência, em 1º de janeiro de 1889 formou secretamente a missão Betesda, passando a ser a Igreja Evangélica Amazonense em 1899. Justus Nelson ainda conseguiu realizar a missão até 1925, quando retornou para sua terra.

Depois disso, a bandeira metodista surgiu novamente em 1978 em Belém através do missionário Will Agnes Rogers. Antes, no ano de 1974, em Altamira/PA, houve uma educacional motivada pela abertura da tão sonhada rodovia Transamazônica, numa iniciativa da Universidade Metodista de Piracicaba. Ao mesmo tempo a obra missionária começava em Rondônia nas cidades de Ji-Paraná e Porto Velho (1976).

Até os “confins” da Rema

Agora, depois de 43 anos de missão, depois do primeiro trabalho em Altamira (1974), podemos contemplar a Igreja Metodista em cada capital dos seis estados da Amazônia onde a Igreja está situada. Em 1977 com a Central em Rio Branco/AC e Congregação da Paz/AC; em 1978 a Igreja Metodista voltou a instalar-se em Belém no bairro Pedreira e, em 2008, ocorreu uma unificação com a Igreja em Telégrafo, tornando-se Igreja Metodista Central de Belém.

Em 1988, em Boa Vista/RR, congregação em Cambará e missão com os povos indígenas Maruwai; em 1989 com Central de Vilhena/RO e congregação em Cascalheira; em 1991 os/as metodistas brasileiros/as e corea­nos/as instalam-se na cidade de Manaus/AM. Em Manaus, em 1992, com a missão coreana no bairro Mutirão, Alfredo Nascimento, entre outros; em 1992 em Capanema e Salinópolis (2008). Em 1993 no bairro Urupá em Ji-Paraná e congregação em Nova Londrina (2002), em Rondônia.

Em 1993 no bairro Jardim das Mangueiras II; em 1994 no bairro Eldorado e congregação no bairro Nacional (2008), em Porto Velho/RO. Em 1995 a Central de Manaus/AM e as congregações em Santa Etelvina e Crespo. Em 1995 no bairro Vitória Régia em Porto Velho; em 1996 em Cabixi/RO; em 1997 em Macapá/AP; em 1994 em Paragominas; em 2004 em Marabá e Parauapebas (2005). Também chegamos a Rolim de Moura, Jaru, Presidente Médici, Ouro Preto do Oeste, Ariquemes, Cujubim em Rondônia, e mais recentemente nas cidades de Ananindeua, Tucuruí, Castanhal e Cametá no Estado do Pará.

Avanços e desafios

Houve um grande avanço missionário e administrativo a partir do Concílio Geral, rea­lizado em Juiz de Fora/MG, em 1991, ano de criação dos CMNN (Campos Missionários Norte e Noroeste), e com a região Norte sendo denominada CMA (Campos Missionários da Amazônia). Em 2007 o CMA realizou o primeiro Concílio Regional, onde foi criada a REMA (Região Missionária da Amazônia), com a missão de se transformar em Região Eclesiástica a partir de 2015, o que ainda não foi possível.

Para este quinquênio (2017-2021) o Colégio Episcopal designou o Bispo Fábio Cosme da Silva para pastorear a Rema. Multiplicação da REMA com a criação da Região Eclesiástica nos Estados de Rondônia e Acre, plantação de igrejas em cidades com mais de cem mil habitantes são alguns de nossos sonhos e motivos de oração.

Pastor João Coimbra | Pessoa de Referência da Pastoral Indigenista
Publicado originalmente no Jornal Expositor Cristão impresso de maio/2017