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As Festas do Povo de Deus ligam-se à História da Salvação. Temos como exemplo o texto bíblico de Êxodo 12.14. “Este dia vos será por memorial, e celebrá-lo-eis por Festa ao Senhor; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo”. Aqui, o memorial é o fator essencial para a vida religiosa, onde as obras de Deus são transmitidas através da Festa e do culto.

A revitalização da memória talvez seja o ponto central que uma festa pode atingir, produzindo instrumentos que ultrapassem barreiras da cultura e do tempo, numa espécie de regeneração, conduzindo-nos aos valores essenciais que estão na base da realização humana, que se resume na busca da verdadeira felicidade.

Assim, a celebração da libertação que comunicava ao povo a passagem para uma nova vida ganhou o nome de Páscoa. Este elemento do transcendente, que manifesta a esperança e a fé na vida, reafirma a ação de Deus através da memória histórica e salvífica. Os símbolos dessa celebração são as famílias que se reúnem no exercício do amor, o alimento que lembra a sustentação da vida humana e a palavra que serve como instrumento do ensino permanente de Deus.

Esta celebração anual tornou-se tão importante que recebeu o status de festa estabelecida e oficial. Como tal, o ritual é pensado para o futuro do povo. Neste sentido, a Páscoa é o momento para o povo celebrar os sinais de Deus, isto é, reafirmar a fé Naquele que fortalece todos/as os/as oprimidos/as, doen­tes e fracos/as.

A Páscoa bíblica é memorial do milagre de Deus que dá força aos homens e às mulheres para iniciarem suas caminhadas de libertação. Portanto, não podemos deixar que somente a beleza litúrgica desta celebração seja seu fator determinante. Muito menos deveríamos permitir que qualquer elemento de ordem comercial assuma o lugar deste memorial, abandonando seu caráter transformador para ser somente uma festa atraente aos interesses econômicos.

Páscoa hoje

Na atualidade, percebemos que, por descuido de muitas pessoas, a Páscoa tem sido deslocada de seu eixo principal. A Igreja tem perdido o controle desta celebração: As suas lideranças eclesiásticas em muitos casos são tímidas, em outros, ignoram a teologia bíblica e tornam-se promotoras de uma leitura superficial, que facilita a entrada do paganismo nas comunidades cristãs.

Que a Páscoa continue sendo para nós um acontecimento de libertação, que ela seja o sinal do milagre de Deus para nossos filhos e filhas, que seja a celebração da partida, do salto que tira o ser humano dos elementos de opressão, reafirmando a continuação da presença milagrosa e salvadora de Deus na história e na vida.

Pastor Jovanir Lage – Quarta Região
Doutorando em Ciências da Religião na UMESP.

/// Referências:

Bíblia Almeida Revista e Atualizada no Brasil, 2ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009
HOLLADAY, William L. Léxico Hebraico e Aramaico do Antigo Testamento. Trad. Daniel de Oliveira. São Paulo: Vida Nova. 2010
SIQUEIRA, Tércio Machado. Tirando o pó das palavras. História e teologia das palavras e expressões bíblicas. São Paulo: Editora Cedro, 2009.