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O atual metodismo no Brasil vive um momento de busca pelo conhecimento e contextualização de sua história e teologia. O texto a seguir é parte da pesquisa realizada pelo especialista em estudos wesleyanos, rev. Gercymar Wellington Lima e Silva. Você confere na íntegra, no site www.expositorcristao.com.br, o artigo que contempla a chegada do protestantismo de missão no Brasil, a Conferência Anual Brasileira, estabelecida pelo bispo superintendente da missão metodista no Brasil, John C. Granbery, como ponto de partida da organização do metodismo brasileiro.

O Surgimento

Como é proposta deste pequeno artigo, iremos apresentar resumidamente e ponderar sobre três momentos do metodismo na 4ª Região Eclesiástica: o surgimento, o seu avanço histórico e o momento atual.

O metodismo chegou a Juiz de Fora, Minas Gerais, às vésperas da Conferência Anual Brasileira, como parte do circuito eclesiástico do Distrito do Rio de Janeiro. Conforme Kennedy, o rev. J. J. Ransom, responsável pela jurisdição eclesiástica do Rio de Janeiro, tendo fixado residência na Capital, enviou a Juiz de Fora Samuel Elliot, Hermann Gartner e Ludgero Luiz de Miranda. A missão desses três irmãos era, a princípio, preparar o ambiente e o local para uma série de conferências. É fato que Ransom não pode cumprir com a sua proposta de viagem a Juiz de Fora.

James L. Kennedy é quem o substituiu, iniciando o que seria o primeiro trabalho metodista em Minas Gerais, em maio de 1884. Felippe R. de Carvalho foi um dos primeiros convertidos pela pregação do rev. Kennedy. Ransom, logo em seguida pôde cumprir com o seu propósito inicial, substituindo o rev. Kennedy na missão em Juiz de Fora, que desde o princípio apresentou sinais de grande vigor.

No relatório à Segunda Conferência Anual Missionária, Ransom acentuou como o trabalho metodista em Minas Gerais se estendia além de Juiz de Fora, como já descrito anteriormente. O trabalho metodista no Brasil, de 16 de setembro de 1886 em diante, passou a ser administrado segundo as disposições disciplinares da Conferência Anual Brasileira. Seguiram-se, portanto, as nomeações e a divisão da Conferência em dois Distritos: o do Rio de Janeiro e o de São Paulo. O trabalho em ambos os distritos era profícuo. O Distrito do Rio de Janeiro tinha duas igrejas na cidade, com 63 membros e três circuitos em Minas Gerais: Juiz de Fora, com 31 membros; Rio Novo, com 16 candidatos e 3 membros, e o de Mar de Hespanha, sem membros professos.

As origens da Quarta Região podem ser interpretadas a partir do reconhecimento territorial e eclesiástico do Distrito de Minas, ocorrido em 1892. A missão metodista em Juiz de Fora e arredores já representava um circuito importante. A estrutura eclesiástica primária do metodismo brasileiro estava forjada, composta agora dos Distritos Rio de Janeiro, São Paulo e Minas. Um fato histórico memorável é o ocorrido em 18 de maio de 1887, quando se reuniu na cidade de Juiz de Fora, no bairro Mariano Procópio, na nova Igreja Metodista, a primeira Conferência Distrital do Metodismo Brasileiro. A sessão foi composta por J. L. Kennedy (presidente da Conferência), H. C. Tucker, J. R. de Carvalho, Felipe R. de Carvalho e Ludgero de Miranda. Pela primeira vez também, elegeram-se delegados leigos à Conferência Anual: S. D. Rambo e Thomaz Duxbery.

A Igreja Metodista no Brasil (IMB) criou as Conferências Anuais Brasileira do Sul (1910) e a Central (1919) ao lado da Conferência Anual Brasileira. Isso favoreceu, mais tarde, a organização do metodismo em três regiões eclesiásticas, configuradas em Norte, Centro e Sul. A missão metodista no sul do país, ou seja, no Rio Grande do Sul, é um capítulo à parte na história do Metodismo Brasileiro. Sua vinculação ao metodismo enraizado na região sudeste (no contexto apenas Centro e Norte), em 1900, é fruto de um diálogo entre os responsáveis pela Missão da IME (Igreja Metodista Episcopal) e a IMES (Igreja Metodista Episcopal do Sul).

A Conferência Anual Brasileira veio a ser denominada Região Eclesiástica do Norte, compreendendo Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo; a Conferência Central Brasileira veio a ser a Região Eclesiástica do Centro, compreendendo São Paulo, capital e Estado, e talvez arredores; e a Conferência Anual Sul Brasileira veio a ser a Região Eclesiástica do Sul, apenas compreendendo o Rio Grande do Sul.

A configuração em cinco regiões eclesiásticas só veio a ser estabelecida no Concílio Geral de 1955. A aprovação da nova configuração do metodismo foi procedida dentro da normalidade. As regiões foram divididas, mas o número de bispos permaneceu o mesmo. Em tese, o bispo eleito assumiria uma “nova-antiga” estrutura.

A Igreja, ao que parece, agiu com certa cautela, não alterando o número de bispos a serem eleitos no 7º Concílio Geral. Por isso, pode-se dizer que a Igreja adotou uma postura tradicional, iniciando apenas uma preparação para atuar na “nova-antiga” estrutura que propunha no 7º Concílio Geral. Cabe registrar que a criação e a configuração da Quarta Região Eclesiástica são dependentes do fato histórico da constituição.
Assim, o 26º Concílio Regional do Norte, ocorrido de 24 a 29 de janeiro de 1956, após o 7º Concílio Geral (ocorrido de 10 a 21 de julho de 1955), é fundamental para compreender o estabelecimento e a constituição da Quarta Região em particular. A nova estrutura em cinco regiões deveria entrar em vigor no ano seguinte ao Concílio Geral, mas tudo dependia das harmonizações do Concílio Regional do Norte.

O sentido histórico do 26º Concílio Regional do Norte é o de acolher a configuração territorial eclesiástica das novas regiões (Primeira e Quarta Regiões), definindo a partir dali seus respectivos quadros pastorais, assim como suas sessões constituintes, ocorridas em 30 de janeiro de 1956, em Itanhoíba/RJ.

A eleição dos bispos para superintender as regiões ecle­siásticas, nos Concílios Gerais, é um elemento que ocupa, ainda hoje, lugar de destaque nesses conclaves. César Dacorso Filho foi o primeiro bispo brasileiro eleito no 2º Concílio Geral, em 1934, foi também o primeiro a renunciar à reeleição episcopal. Ele havia superintendido a Região Eclesiástica do Norte desde a sua criação e, antes, todo o metodismo brasileiro.

No 7º Concílio Geral, César Dacorso Filho renuncia à reeleição, ocorrida ao lado de Isaías Fernandes Sucasas, e também recusa a titulação de primeiro Bispo Emérito da Igreja Metodista. Era um fato inédito! Por se tratar de uma lei canônica, ele não pôde recusar as honras de Bispo Emérito Nacional, concedida pelo 7º Concílio Geral. Com a sua renúncia, o 7º Concílio Geral prosseguiu as eleições para o episcopado, visando a novos candidatos. Veio então a ser eleito bispo o presbítero João Augusto do Amaral. Ele foi, consequentemente, o presidente do 26º Concílio Regional do Norte e presidente das sessões constituintes da Primeira e da Quarta Regiões. Num primeiro momento, o dia 30 de janeiro de 1956 passa a impressão que foi o 1º Concílio dessas regiões eclesiásticas, mas não foi.

O Avanço

Mapa-Distritos-EclesiasticosO Primeiro Concílio Regional da Quarta Região Eclesiástica veio a se reunir em Belo Horizonte, no Colégio Izabela Hendrix, de 9 a 13 de janeiro de 1957. O registro fotográfico do conclave aponta os/as participantes do 1º Concílio da Quarta Região, indicando que além de seus/as delegados/as, ministros/as e leigos/as, concorreram para ali alguns/as visitantes.

A Quarta Região Eclesiástica compreendia os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo e estava estabelecida com seis Distritos Eclesiásticos: Belo Horizonte, Juiz de Fora, Cataguases, Carangola, Vitória e Vale do Rio Doce. É indispensável mencionar que o trabalho metodista em Vitória não se restringia somente à capital. Foram 22 presbíteros/as ativos/as e delegados/as clérigos/as que participaram das decisões conciliares no 1º Concílio da Quarta Região Eclesiástica.

Dois dos três diáconos existentes foram admitidos e ordenados ao presbiterato da Igreja Metodista no Concílio: Aser d’Ávila Ramos e Manoel Soares do Nascimento; o terceiro era Joaquim Coelho. O único ministro aposentado constante no rol era o rev. Juvenal de Souza Pereira, o qual participou ativamente do Concílio. As Atas, Registros e Documentos apontam ainda os/as delegados/as leigos/as que participaram do primeiro conclave regional: José Ramos Vilas-Bôas, Pedro Dutra Furtado, José Antonaz­zi, do distrito de Belo Horizonte; João Batista Laguardia, Orcílio Satler do distrito de Carangola; João Batista Teixeira, Ana Gouvêa Teixeira, do distrito de Cataguases; Diná Paisante, Deraldo Inácio de Souza e Nelson Pedro de Araújo, do distrito do Vale do Aço; Eugênio Goulart, Diná Rubim Batista, Isaltino Venâncio da Silva, César Machado, do distrito de Vitória; Gamaliel Moreira de Oliveira, Joel Barbosa Nazareth, Silas Brandão, do distrito de Juiz de Fora.

A única substituição do Concílio foi Isaura Firmino de Paula, no lugar de Antônio de Souza Rocha, do distrito de Carangola. O primeiro Concílio da Quarta Região apresentava ainda, os seguintes candidatos com recomendação ao 2º ano do Curso de Bacharel na Faculdade de Teologia: Eli Teodoro Batista, Walter Gonçalves Navarro, Sérgio Marcus Pinto Lopes; e ainda recomendava Davi Rodrigues Pontes ao 3º ano e Davi Faria ao 4º ano. A Igreja Metodista na Quarta Região teve como bispos João Augusto do Amaral (1956 a 1965), Almir dos Santos (1966 a 1971), Omar Daibert (1971 a 1974), Moa­cyr Louzada Machado (1975 a 1982), Adriel de Souza Maia (1982 a 1997), Josué Adam Lazier (1998 a 2006) e Roberto Alves de Souza (desde 2007).

O Momento Atual

Nos últimos anos, a Quarta Região passou a investir vigorosamente mais recursos no Projeto Missionário de Plantação de Igrejas (PMPI), contemplando em sua estrutura parcerias com apelo missionário, envolvendo os distritos eclesiásticos e igrejas locais nestas parcerias, favorecendo o plantio do metodismo em cidades como Almenara/MG, Aracruz/ES, Divinópolis/MG e Lavras/MG, para citar apenas alguns exemplos.

Como expressão do vigor missionário e concretização da Missão Metodista em terras mineiras e capixabas, conseguimos concretizar emancipações de novas igrejas locais em cidades no último biênio (2014-2015), nos campos missionários nas seguintes cidades: Ouro Branco/MG (CMD) e Montes Claros/MG (CMR), em Juiz de Fora/MG (Congregação da IMC em Itatiaia), em Lima Duar­te/MG (CMD) e em Linhares/ES (Congregação de Interlagos), ocorridas no último Concílio Regional da Igreja Metodista na Quarta Região, realizado no SESC Venda Nova, na cidade de Belo Horizonte/MG.

pastor Gercymar Wellington | Lima e Silva
Pós-graduado em estudos wesleyanos

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Publicado originalmente no Jornal Expositor Cristão impresso de abril/2017