“O quadro que se apresenta à sociedade brasileira nos aponta a necessidade de encurtarmos a distância com as pessoas enfatizando o chamado da igreja em ser terapêutica e zelosa em suas ações”

Bispo Paulo Rangel dos Santos Gonçalves, Presidente da 1ª Região Eclesiástica

O quadro que se apresenta à sociedade brasileira nos aponta a necessidade de encurtarmos a distância com as pessoas que mais precisam de cuidado e apoio diretamente, enfatizando o chamado da igreja em ser terapêutica e zelosa em suas ações, sempre visando responder às perguntas que a sociedade tem feito.

Nos últimos dias tem se avolumado notícias que nos levam a pensar de que maneira podemos conduzir nossas ações para que tenhamos as próximas gerações conduzidas pela necessidade de pensar no próximo e zelar pela vida que há em Deus, fazendo diferença na vida de pessoas comuns, como eu e você. E sem dúvida nenhuma, dentro de nosso raio de ação, onde nos relacionamos, podemos fazer a diferença e deixarmos um legado de caráter e de conduta que expresse as verdades do reino de Deus.

À medida que caminhamos em direção ao propósito que Deus tem para a igreja, o próprio Deus deixa mais claro para todos/as nós os desafios da missão. Mas o fato é que o caminho já está traçado. Quando no chamado da grande comissão: “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mt 28.18-20), o próprio Deus estabelece qual é a nossa parte, por isso o termo comissão, pois dentro do grande projeto de redenção do homem, o Senhor escolhe pessoas como nós para fazer parte do Seu plano de ação. Só posso entender que a grande comissão é o mínimo e o máximo que Deus espera de nós.

Dentro dessa perspectiva de que há uma missão em nosso caminho, precisamos deixar claro que é o mínimo que se estabelece, ou seja, ir, pregar, batizar e ensinar a reter as ordens de Deus. Tudo que Deus quer para nós como Corpo de Cristo, o mínimo trata-se disso, em ir pregando e batizando, vivendo um estilo de vida que permite às pessoas a ter através de nossos exemplos os mandamentos de Deus.

Ao mesmo tempo, também é o máximo que Deus exige de nós, e isso nos desafia, pois à medida que nos estabelecemos no caminho da missão também somos embriagados/as pelas condições que a missão propõe para nós, e corremos o risco de amarmos a missão e o que se faz nela, mas perdemos a paixão com o caminho proposto por Deus.

Entre o mínimo e o máximo encontramos a vida de santificação como parâmetro para não desviarmos nem nos contaminarmos com as transgressões (Ezequiel 14.11), pois o mínimo que Deus quer confunde-se com o máximo, exatamente porque o comando é único e imutável. Todo o propósito estabelecido nos céus tem como alvo o despertamento de homens e mulheres dispostos/as a fazer da sua vida um sacrifício vivo (Romanos 12.1), a fim de que alguém seja alcançado.

Entre o mínimo e o máximo do nosso chamado em ser igreja existe sempre alguém que está sofrendo as distorções do mundo, alcançado pela dor do individualismo e da competição doentia e feroz. Mas nesse espaço reside a nossa missão, em no mínimo inspirar pes­soas a aprender com Jesus, e no máximo inspirar pessoas a serem semelhantes a Jesus.

Tudo que nós estabelecermos em nossos documentos e em nossas ações, como obreiros/as e servos/as, que ultrapassam o limite desse direcionamento, que é fazer discípulos/as, e ao mesmo tempo não alcancem o padrão mínimo do discipulado cristão, só vai trazer descontentamento, tristeza e enfado.

Uma vida de inspiração é a cota certa para que os princípios de Deus estejam marcados no coração de nossa geração e das gerações vindouras. Embora saibamos que o caminho seja difícil e absolutamente desafiador, não tenho dúvida de que a carreira proposta para todos nós em Jesus nos consolida a não sairmos do foco de gerar filhos/as e servos/as para a obra de Deus.

Entre o mínimo e o máximo, só cabe uma coisa para nós como Corpo de Cristo, fazermos discípulos/as do Senhor Jesus. Apontando nossa vida para a obra de redenção da cruz do calvário e zelando uns/as pelos/as outros/as. Estabelecendo nossa missão em direção aos que mais precisam da Palavra da Verdade, da Palavra que liberta e da tão maravilhosa Graça de Jesus.

Redação EC
Publicado originalmente no Jornal Expositor Cristão impresso de abril/2017