2016_02_aventureiros_ianNo livro “Os horizontes espirituais da criança” (Editora Vida), a autora, Cheri Fuller, nos ensina que a experiência com Deus é algo estimulável aos pequeninos e pequeninas. Ela fala de atividades simples, como a observação da natureza, para gerar um espírito de admiração e maravilhamento das crianças para com Deus, estimulando sua curiosidade natural para buscá-Lo e conhecê-Lo.

As crianças estão em uma fase de vida na qual mais abertamente os seres humanos procuram modelos. Elas imitam nossas palavras, nossos gestos, seguem nosso modo de pensar e procuram, como um espelho, reflexos do que serão. Até que desenvolvam plenamente suas habilidades e capacidades, a imitação é um poderoso meio de aprendizado. Logo, a responsabilidade por esses modelos de influência, por parte dos seres adultos, é imensurável.

Provérbios 6.22 fala da experiência das pegadas, ainda que não use esse termo: “Ensina a criança no caminho em que deve andar e ainda quando for velha, não se desviará dele”. Gostaria de explorar nossa tarefa de ajudar as crianças a seguir as pegadas de Jesus utilizando essa figura de linguagem. Que ela nos inspire na geração de caminhos bons para que elas trilhem essa jornada.

Pegadas

Acredito que toda criança já tenha brincado de seguir as pegadas de alguém quando andando numa estrada de chão ou na areia de uma praia. Que tarefa difícil! As pernas dos/as adultos/as são muito grandes e dificultam esse processo. Elas se frustram logo, porque não são grandes o bastante. Eu me lembro da experiência de Jacó voltando ao encontro do seu irmão, quando ele diz que ficará atrás de todo o povo, seguindo no passo das crianças e dos animais (Gn 33.14). Para que todas as pessoas e rebanhos cheguem ao destino, é preciso mudar o ritmo para que os/as mais frágeis possam se adaptar.

Como Jesus ensina as crianças?

Em Mateus 18, Jesus chama uma criança e coloca-a no centro de uma roda de conversa com Seus discípulos. É um momento de ensino fundamental – a criança aprende quando é colocada como protagonista, quando suas posturas e ações são levadas em conta. No processo do discipulado, tenho ouvido dos/as líderes de crianças como o momento de partilha nos grupos pequenos é inspirador e o quanto eles/as aprendem com as crianças. E olha que as perguntas não são simples. Certa vez, uma delas perguntou: “Deus ama a todos, não é? Sim, Ele ama. Quando a gente pede perdão pelos pecados, Ele perdoa, certo? E se o diabo se arrepender, Deus perdoa ele?”. Essas perguntas não são um fim em si mesmas. Elas apontam para os modelos que as crianças buscam, para o tipo de perdão que elas mesmas precisarão praticar ao longo da vida, começando hoje, quando não poucas entre elas sofrem todo tipo de injustiça, abuso e violência. Aprenda a diminuir seu ritmo para ouvir as crianças. Facilite a elas as passadas no caminho da fé. Dê a elas oportunidades de protagonismo.

Equipe do DNTC