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A água é um recurso natural de valor imensurável; vital para o equilíbrio dos ecossistemas e para a manutenção da vida. Dois terços da terra são compostos por água, dos quais 97,5% são água salgada e estima-se que somente 0,77% esteja disponível para o consumo humano. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) estimam que cerca de 748 milhões de pessoas não possuam acesso de forma sustentada à água potável no mundo e aproximadamente 1,8 bilhão de pessoas utilizem água contaminada. Tudo indica que uma grande parte da população mundial está sujeita a contrair doenças que podem, inclusive, levar à morte.

Pensando nesses números, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou, no dia 22 de março de 1992, o Dia Mundial da Água. A ideia era chamar a atenção do mundo sobre a importância da água doce e para defender o seu uso sustentável. A cada ano um tema diferente relativo à água é escolhido, com o objetivo de promover vários eventos sobre o mesmo enfoque no mundo todo. A ONU divulgou também, no mesmo dia, um importante documento: a “Declaração Universal dos Direitos da Água”. Este texto apresenta uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos/as governantes/as para a questão da água. Leia no site da Sede Nacional em www.metodista.org.br o documento na íntegra.

Em 2017, as discussões serão sobre a “água residual”, aquela resultante de algum processo, como o industrial, e que geralmente pode ser reutilizada para fins que demandem menos qualidade. O tema deste ano nos traz à memória que mesmo a água residual, quando reutilizada, pode servir, por exemplo, como refrigério, resfriando equipamentos industriais, etc.

As indústrias, os fabricantes de bebidas (refrigerantes, cervejas, entre outras) – nocivas à saúde humana e, ainda, com teor alcoólico, nocivas à nossa fé – será que usam a água com noção de sustentabilidade? Utilizam a água para fabricarem “refrigerantes” que prometem nos “resfriar” num país tropical. Induzem o ser humano a pecar gastando de forma dissoluta, se embriagando e estragando a saúde. Induzidos pela mídia, nós raramente encontramos uma família que zele pelos recursos naturais e que procure beber menos refrigerantes, sucos industrializados, cervejas, em vez de mais água. Água criada por Deus. Aí sobram “latinhas e garrafas pets” nos rios, e a saúde e a dignidade humana são prejudicadas.

A água na Bíblia

Sabemos que a água é citada nas Escrituras Sagradas desde o seu início. “E disse Deus: Haja firmamento no meio das águas e separação entre águas e águas” (Gênesis 1.6). A água sempre esteve presente na vida do povo. Ela está no dilúvio, com Noé (Gênesis 7.17); na saída do povo do Egito, quando a água do rio se transforma em sangue (Êxodo 7.17), e quando ela se torna um obstáculo para o povo, na forma de mar (Êxodo 14.16). A ideia de refrigério já está presente nos salmos – “Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma” (Salmo 23.3a). O salmista percebeu que, em meio aos momentos de “clima quente” em nossa vida, recebemos o refrigério que vem do Senhor, assim como a água nos refrigera. Refrigério que vem atrelado, segundo o salmista, “às águas de descanso”. Quando o nosso corpo desfalece pelo cansaço e pelo calor diário, um belo copo de água fresca tem o poder de renovar as nossas forças. Sabe-se que cerca de 70% do nosso corpo é formado por água, e alguns/as especialistas dizem que é necessário bebermos em média dois litros de água por dia.

Jesus se identifica com a água como o elemento que traz vida, mata a sede, refrigera. Conversando com a mulher samaritana, Ele diz que é possível beber desta água, através Dele. Água que refrigera a alma. A mulher samaritana possuía uma alma triste. Abatida pela solidão, pelo pecado, pela discriminação, sua alma devia queimar sob o fogo do ódio, do rancor, da mágoa. O perdão, oferecido por Jesus, fez com que ela fosse refrigerada; assim, descansou dos seus pecados e caminhou livre dos fardos para contar aos/às seus/as conterrâneos/as, que por certo a discriminavam e a acusavam, que havia sido perdoada. O texto de João 4, ao narrar esse fato, diz que a mulher voltou para a cidade sem o cântaro. Ela deixou o cântaro pesado junto ao poço e levou para os seus a água viva. Ou seja, o próprio Jesus. Que associação linda Jesus usa com a água – capaz de transformar corações e refrigerar almas. O evangelista João, sabiamente, nos deixa este detalhe do cântaro. Ficou junto ao poço. O recipiente, que levava diariamente uma água incapaz de matar definitivamente a sede, ficou junto a Jesus. Ela seguiu para os seus levando as boas notícias de perdão e salvação, com a água viva no seu coração, na sua alma.

A Bíblia termina afirmando que é desejo de Deus que no Seu Reino não haja água na forma de mar – caos, obstáculos (Apocalipse 21.1). Não pode haver água na forma de lágrimas nos olhos dos/as servos/as deste Reino – tristezas e falta de esperança (Apocalipse 21.4). Entretanto, deve haver e sempre haverá um rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro – alegria e paz (Apocalipse 22.1). Pela fé, através de Jesus Cristo, é possível experimentarmos desta água hoje, aqui, neste mundo. A água deste rio da vida. Bebendo desta água, deixaremos nossos cântaros que carregam medos, pecados e seguiremos saciados/as por Jesus, que nos oferece a água viva. “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (João 7.37-38).

Que o Senhor Deus nos abençoe com o refrigério. E quando nos sentirmos cansados/as das lutas da vida ou tentados/as a não usarmos a água que foi criada por Deus de forma adequada, que possamos aceitar o convite de Jesus e recebermos dele o manancial de água viva!
Com minhas orações.

Pastor Edvaldo Lima de Oliveira | Igreja Metodista em Vila Formosa – SP