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O Colégio Episcopal (CE) da Igreja Metodista tem se posicionado diante dos vários acontecimentos envolvendo brasileiros/as. Foram quatro pronunciamentos nos últimos dias. Um deles diz respeito à tragédia aérea com o time de futebol Chapecoense. O avião saiu de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, rumo à Colômbia para a final da Copa Sul-Americana. Havia 77 pessoas a bordo, sendo 72 passageiros e 9 tripulantes: 45 eram da delegação da Chapecoense, 20 eram jornalistas e 3, convidados. Seis pessoas foram resgatadas com vida. Ao todo, 71 morreram. A causa do acidente foi a falta de combustível. A tragédia comoveu o mundo. Várias autoridades do país, dentre elas os Bispos e Bispa da Igreja Metodista, emitiram uma nota oficial se solidarizando com os/as familiares e amigos/as das vítimas.

 

Dez Medidas

Outro pronunciamento, assinado com mais 12 Igrejas Evangélicas Históricas, diz respeito às Dez Medidas de Combate à Corrupção (Leia na página 11). A proposta enviada pelo Ministério Público foi alterada na Câmara dos Deputados enquanto os/as brasileiros/as acompanhavam a dor e o sofrimento de torcedores/as e familiares das vítimas da tragédia do acidente aéreo com o time de Chapecó. A decisão que ocorreu no apagar das luzes em Brasília (DF) gerou revolta entre os mais de 2,4 milhões de pessoas que apoiavam o texto.

Até mesmo a força-tarefa da operação lava-jato ameaçou deixar os trabalhos caso fossem aceitas as alterações, que preveem, entre outras coisas, a responsabilização de juízes de membros do Ministério Público por crimes de abuso de autoridade. O Manifesto também reconhece que as medidas merecem “reparos e adequações pelo Legislativo”, mas afirma que “representam o anseio por um país mais justo e sem impunidade”. O texto é finalizado com uma Conclamação para que “o povo brasileiro, mormente os/as cristãos/ãs, se manifestem por todos os meios, exercendo o seu direito e protestando conscientemente contra todas as formas de manipulação e tentativa de deixar as coisas no presente estado”. Os dois documentos também estão publicados no site da Igreja Metodista e no Expositor On-line.

Aborto

O CE também se pronunciou sobre a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que abre precedente para a descriminalização do aborto no Brasil. O texto foi enviado para todas as autoridades envolvidas na questão em Brasília. É um dos documentos mais acessados no site do Expositor Cristão on-line, que atingiu quase cinco mil visualizações em poucos dias. Abaixo o texto na íntegra do CE sobre a Decisão do STF com relação ao aborto.

 

Decisão do STF com relação ao aborto no primeiro trimestre

“Tu formaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe” (Sl 139.13)
“Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl 24.1)

Nós, Bispa e Bispos da Igreja Metodista em terras brasileiras, manifestamos publicamente com relação à recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que abre precedente para a descriminalização do aborto no Brasil. Nos dirigimos especialmente à comissão especial criada pelo Deputado Rodrigo Maia no dia 29 de novembro de 2016, para legislar sobre o tema com a intenção de incluir uma regra clara na Constituição com relação à interrupção da gravidez.

Em 2007, o Colégio Episcopal da Igreja Metodista emitiu um pronunciamento sobre a questão, posicionando-se contrário à prática do aborto, pressupondo o procedimento em casos extremos pontuados claramente no documento. Reafirmamos que a vida é dom de Deus, portanto deve ser preservada desde a sua concepção.

O texto destaca ainda a importância de oferecer às mulheres brasileiras como forma de prevenção: Educação sexual; Renda familiar justa; Acesso ao controle de natalidade (não abortivo); Suporte digno ao ato maravilhoso de “dar à luz”.

Infelizmente, mesmo depois de quase dez anos da emissão do pronunciamento citado, ainda há registros alarmantes de mulheres, principalmente em regiões empobrecidas, para as quais ainda não é ofertado pelo estado esse suporte mínimo, o que faz com que a questão do aborto ainda represente um problema não apenas moral e ético, mas de saúde pública. As perspectivas de melhoras referente a essa realidade não são animadoras quando lembramos que os investimentos na área da saúde pública estão prestes a serem congelados por 20 anos.

Não podemos ignorar que o STF julgava um caso de aborto clandestino na decisão que gerou a polêmica e desencadeou a discussão no Legislativo. Da mesma forma, não ignoramos que mulheres com algum poder aquisitivo acessam procedimentos seguros em clínicas particulares e abortam confidencialmente, enquanto a criminalização e o risco de morte se restringem às mulheres pobres ou sem acesso aos recursos básicos mencionados, e que muitas vezes, em desespero, buscam clínicas clandestinas, colocando em risco a própria vida.

Aos que compõem a comissão que tratará o delicado assunto na Câmara dos Deputados, ressaltamos que a discussão será irrelevante se ignorar essa clara injustiça social, ou se levar em consideração apenas questões éticas, morais e religiosas, sem analisar a discriminação óbvia que os procedimentos apresentam hoje para as mulheres pobres. Às comunidades de fé, lembramos que cada Igreja Metodista deve ser um lugar acolhedor e disposto a oferecer cuidado e informação para mulheres que, independentemente do motivo, precisam de ajuda para tomar uma decisão segura e consciente, ensinando sempre sobre a vida como valor absoluto. Tanto a vida da criança quanto a vida da mulher. A igreja é Comunidade missionária a serviço do povo, espalhando a santidade bíblica sobre toda a terra. Esforços e recursos precisam voltar-se para essa base missionária (PNM 2012-2016).

Pelas realidades citadas, o povo metodista brasileiro condena tenazmente essa decisão e se propõe a combatê-la com determinação e orientação ao povo, pois entende que a vida, desde a sua concepção, pertence a Deus, e como Igreja defenderemos o direito à vida de todos e todas.

São Paulo, 1o de dezembro de 2016

Colégio Episcopal da Igreja Metodista no Brasil 2012-2016

Bispo Adonias Pereira do Lago – Presidente do Colégio Episcopal
Bispo João Carlos Lopes – Vice-Presidente do Colégio Episcopal
Bispa Marisa De Freitas Ferreira – Secretária do Colégio Episcopal
Bispo Paulo Tarso De Oliveira Lockmann
Bispo Luiz Vergílio Batista da Rosa
Bispo José Carlos Peres
Bispo Roberto Alves de Souza
Bispo Carlos Alberto Tavares Alves

 

Redação EC
PUBLICADO ORIGINALMENTE NO JORNAL EXPOSITOR CRISTÃO DE JANEIRO 2017