Quando pensamos na missão da Igreja e sua caminhada missionária para o novo quinquênio eclesiástico, que novidades esperamos que aconteçam?

Bispo Luiz Vergílio Batista da Rosa

Ano novo e novo período eclesiástico são sempre acolhidos com redobrada expectativa de uma vida melhor às pessoas e às instituições; vislumbram-se novos caminhos, projetam-se novos rumos e estabelecem-se novos desafios. Tudo na expectativa de trilharmos uma nova jornada de superação e de melhores dias.
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Há um Provérbio que afirma existir caminhos que podem parecer corretos ao ser humano, mas, no final, são caminhos de morte (Pv 14.12). As possibilidades abertas por boas notícias quebram a liturgia dos desencantos, das frustrações, das rotinas infrutíferas, dos caminhos de morte. Assim, olhamos para frente.

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A alegria é a nossa força

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Quando pensamos na missão da Igreja e sua caminhada missionária para o novo quinquênio eclesiástico, que novidades esperamos que aconteçam? Que novos rumos de ação desejamos desenvolver como metodistas? Que demandas e desafios da realidade brasileira haveremos de contemplar em tempos de celebração dos 500 anos da Reforma Protestante?

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Cremos que o combustível da ação missionária de uma comunidade metodista é a alegria contagiante estampada na vivência e a partilha do Evangelho de Cristo a todas as pessoas a serem alcançadas pela ação das igrejas locais e suas instituições. Às vezes, os embates pela sobrevivência diá­ria nos fazem perder o gosto pelas coisas simples da vida, que se constituem em fonte de uma alegria não fugaz. E uma dessas fontes geradoras da alegria do Evangelho é o espírito solidário, ou de solidariedade.

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A mesa da comunhão, a partilha de sentimentos, a generosidade da multiplicação do pão, a vivência nos grandes e pequenos grupos revelam o quanto temos e o que somos, sinalizando a presença do Reino de Jesus entre nós. Solidariedade será um grande desafio missionário à Igreja Metodista.

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O amor é a identidade natural da Igreja

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O apóstolo Paulo nos diz em I Coríntios 13.1 que o amor é caminho sobremodo excelente. Essa concepção nos mostra que o amor não é apenas sentimento, mas atitude deliberada. As atitudes feitas em amor são expressas em forma de acolhimento, de consideração, de equidade e justiça nas relações interpessoais. No amor de Deus não há acepção de pessoas.

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Logo, não há vivência de discipulado na dimensão evangélica neotestamentária que possa prescindir das boas relações de convivência entre pessoas diferentes e das relações de pertencimento, pois somos chamados/as a sermos filhos e filhas amados/as de Deus. O amor é incompatível com relações de hierarquia e de poder de pessoas sobre outras pessoas. O paradigma de poder é a atitude de Jesus, que se esvaziou, assumindo a forma de servo.

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Na promoção da paz

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Em seu sermão do “Monte”, conforme Mateus 5.9, Jesus afirma que serão felizes as pessoas pacificadoras, pois serão reconhecidas como filhos e filhas de Deus. Também, no Evangelho de João 14.27, diz: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la ou como a dá o mundo”. Deste modo, a paz é um legado de Jesus aos seus discípulos e discípulas, logo, uma herança a ser usufruída e compartilhada pela sua Igreja.

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Atribui-se ao filósofo Ba­ruch Spinoza a expressão de que a paz não significa a ausência de conflitos ou guerras. Pensamos que ela não se estabelece por acordos ou pactos. A solução dos conflitos implica em estado de espírito humano, de resolução humana em querer decidir pelo bem, com o concurso de afetos construí­dos pelo diálogo e convívio respeitoso.

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Vivenciamos, infelizmente, um ambiente nacional de beligerância e intolerância, às vezes gratuita, quer na sociedade, quer na igreja, quer nas relações interpessoais e étnicas. A busca do direito, para resolver conflitos, inverteu-se. Busca-se os conflitos para auferir-se direitos. Toda a situação de tensões de natureza político-econômico-social, vivenciada no passado recente, aponta para um possível agravamento desta realidade, a qual a Igreja não pode ignorar. Há uma demanda por pacificação em nossa sociedade a desafiar-nos missionariamente. Queremos crescer semeando paz.

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Conclusão

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Existem desafios de nossa sociedade à voz profética da Igreja. Denúncia do mal, anúncio da boa-nova. Jesus é a fonte da alegria, do amor e da paz que desejamos para o povo brasileiro, a ser sinalizado em cada pequena ou grande comunidade metodista.

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Os desafios nos caminhos da missão nos levam a olhar para a realidade de nosso país e agir missionariamente, mantendo a integridade do Evangelho e o princípio da felicidade que brota da paz, do entendimento, do exercício democrático das opiniões e da participação cidadã de cada metodista.

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Bispo Luiz Vergílio Batista da Rosa
PUBLICADO ORIGINALMENTE NO JORNAL EXPOSITOR CRISTÃO DE JANEIRO 2017