Dom Paulo Evaristo | Foto: Agliberto Lima/AE

Dom Paulo Evaristo | Foto: Agliberto Lima/AE

O cardeal dom Paulo Evaristo Arns morreu nesta quarta-feira (14) no Hospital Santa Catarina, em São Paulo, aos 95 anos. O Arcebispo emérito da Arquidiocese de São Paulo estava internado desde 28 de novembro, com broncopneumonia. Nesta semana, havia sofrido uma piora e estava na UTI.

Em nota, o arcebispo metropolitano, dom Odilo Scherer, afirmou que Arns “entregou sua vida a Deus, depois de tê-la dedicado generosamente aos irmão neste mundo”. Dom Paulo Evaristo Arns dedicou 71 anos de sua vida ao sacerdócio. Ele era cardeal desde 1973 e foi arcebispo metropolitano de São Paulo entre 1970 e 1998.

Ao longo de sua vida apostólica, o frade franciscano era um progressista, cardeal da liberdade, dos trabalhadores, dos presos, e até mesmo dos direitos humanos. Como padre, bispo e cardeal, sempre lutou pela liberdade, sendo considerado um amigo do povo.

O episcopado de Dom Paulo à frente da Arquidiocese foi vivido em meio ao período da ditadura militar, mas isso não intimidou o Cardeal da Esperança de agir incansavelmente pela defesa da vida.

“Os cristãos terão ainda deveres especiais. Nessa época, mais do que em todas as outras, deverão eles implorar a presença e as luzes do Espírito Santo, em favor daqueles que vão abrir caminhos, definir rumos e indicar meios para chegarmos àquilo que é chamado por todos de ‘bem-comum’”, escreveu em um dos  textos da seção ” Encontro com o Pastor”, do jornal O SÃO PAULO, semanário da Arquidiocese, em 1987.

Um incansável defensor dos direitos humanos – Em junho de 2016, o Jornal O São Paulo publicou o texto falando sobre a trajetória, publicações, reconhecimentos e prêmios do cardeal que deixou um legado voltado para defesa dos vulneráveis. Leia o artigo na íntegra.

Em 1983, um jovem de rua, Joílson de Jesus, foi morto a pontapés por um procurador de Justiça aposentado. À época, o Cardeal Arns foi ao velório na Casa do Menor, abriu a Catedral para um culto ecumênico em memória ao jovem e exigiu justiça.

“Basta de morte de crianças, jovens, trabalhadores, homens e mulheres que constroem a vida. Joílson simboliza todos os meninos e meninas de quem tem sido tirada a possibilidade de viver”, afirmou na capa do jornal O São Paulo, em dezembro de 1985.

Essa ação de Dom Paulo é um dos muitos relatos de alguém que incansavelmente lutou pelos direitos humanos e pela democracia, como em 1987, quando, durante os debates da Constituinte, publicou dezenas de artigos reforçando o papel da nova Carta Magna e da participação da população nesse processo.

O velório aconteceu na noite desta quarta-feira (14), na Catedral da Sé.  O corpo do religioso será sepultado na cripta da mesma catedral, em cerimônia que será realizada nesta sexta-feira (16), às 15h, pelo cardeal Odilo Scherer, arcebispo metropolitano. Ainda de acordo com a Arquidiocese, serão celebradas missas a cada duas horas na Catedral da capital paulista.

Redação EC com informações de Agência Ansa Brasil e Arquidiocese de São Paulo