2016_12_missao_discipulos

O chamado cristão à missão tem sua origem não na pessoa humana, não na igreja, mas na própria natureza de Deus. O Deus da Bíblia é um Deus que envia. Ele enviou Noé com uma mensagem de salvação a um mundo sob o julgamento de um dilúvio. Ele enviou Abraão a uma terra desconhecida para experimentar o poder da fé. Ele enviou José para o cativeiro e para a corte real do Egito para preservar um remanescente. Ele enviou Moisés ao regime opressor do Faraó para deixar que o povo de Israel fosse livre. Dia após dia Ele enviou persistentemente os profetas ao Seu povo. Na plenitude dos tempos, Ele enviou Seu Filho, Jesus. E o Filho enviou Seus discípulos.

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Assim, a missão cristã é uma extensão da natureza de um Deus que vive e se preocupa o suficiente para buscar e salvar o ser humano. O Deus cuidadoso é um Deus enviador. Se a base da missão cristã é a natureza buscadora de Deus, a necessidade dessa missão é dar aos/às perdidos/as a mensagem de um Deus que ama e se importa o suficiente com todos/as.

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Assim, a missão deve sempre permanecer fiel à mensagem. A questão é: Qual é o conteúdo central da mensagem da nossa missão? A lealdade a uma estrutura, ou o reconhecimento da soberania do Senhor e o seu comissionamento à igreja? A principal ênfase da Grande Comissão não é ensinar tudo o que Jesus ensinou, não é o batismo em si, não está na expansão da lista de membros – embora estes sejam importantes para a vida e o crescimento da igreja. O princípio-chave é fazer discípulos/as. Este é o verdadeiro presente que podemos entregrar a Jesus neste natal e em todos os dias da nossa vida.

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E isso nos leva a uma questão importante: discípulos/as e discipulado. O alvo da missão recai nessa tarefa. Portanto, a fidelidade àquele que envia precisa ser total, intransigente, inquestionável; e a motivação precisa ser o amor de Deus para todos/as os/as perdidos/as. O Senhor exige: “Se alguém vem a mim e não aborrece a seu próprio pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs, e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo” (Lc. 14: 26 e 27). Dessa forma, mais do que políticas, mais do que estratégias, o maior desafio que a missão cristã enfrenta hoje é viver o discipulado, é viver um evangelho de carne e osso. Se a missão de um/a discípulo/a é fazer outros/as discípulos/as, segue-se que o discipulado vai além da conversão.

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Discipulado é mais do que a conversão. Ele pede um compromisso permanente com Jesus. Discipulado nos leva a cruz e a obediência irrestrita à sua vontade.

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Que neste natal possamos abrir o nosso coração a uma reflexão profunda sobre o que queremos entregar a Jesus. Mais do que lindas programações de natal, que possamos nos preo­cupar em realizar a missão e fazer discípulos/as.

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Pra. Carla Alves Rosa | Membro da Câmara Nacional de Discipulado
Publicado originalmente no Jornal Expositor Cristão impresso de dezembro