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A Igreja Metodista no Brasil divulgou hoje em suas redes sociais o pronunciamento emitido em 1 de dezembro sobre a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que cria precedentes para descriminalização do aborto no Brasil. O texto é assinado pelo Colégio Episcopal da Instituição, e reafirma que a Igreja é contrária a prática. Também foi ressaltado pelos Bispos e Bispa a falta de acesso aos recursos básicos de prevenção para mulheres em regiões empobrecidas e outras formas de desigualdade encontradas na questão.

“Não ignoramos que mulheres com algum poder aquisitivo acessam procedimentos seguros em clínicas particulares e abortam confidencialmente, enquanto a criminalização e o risco de morte se restringem às mulheres pobres ou sem acesso aos recursos básicos mencionados, e que muitas vezes em desespero, buscam clínicas clandestinas colocando em risco a própria vida”, afirma.

O pronunciamento é encerrado com uma orientação específica para Igrejas Locais trabalharem o assunto, e destaca o posicionamento claro sobre a opinião da liderança da instituição. “O povo metodista brasileiro condena tenazmente esta decisão e se propõe a combater a mesma com determinação e orientação ao povo, pois entende que a vida desde a sua concepção pertence a Deus e como Igreja defenderemos o direito à vida de todos e todas”, explica o documento.

Confira abaixo o texto na íntegra, ou acesse o site nacional da Igreja Metodista clicando aqui.



Pronunciamento do Colégio Episcopal
– Decisão do STF com relação ao aborto no primeiro trimestre –
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“Tu formaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe” – Salmo 139.13

“Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” – Salmo 24:1

Nós, Bispa e Bispos da Igreja Metodista em terras brasileiras, manifestamos publicamente com relação à recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que abre precedente para a descriminalização do aborto no Brasil. Nos dirigimos especialmente à comissão especial criada pelo Deputado Rodrigo Maia no dia 29 de novembro de 2016, para legislar sobre o tema com a intenção de incluir uma regra clara na Constituição com relação a interrupção da gravidez.

Em 2007, o Colégio Episcopal da Igreja Metodista emitiu um pronunciamento sobre a questão, posicionando-se contrária à prática do aborto, pressupondo o procedimento em casos extremos pontuados claramente no documento. Reafirmamos que a vida é dom de Deus, portanto deve ser preservada desde a sua concepção.

O texto destaca ainda a importância de oferecer às mulheres brasileiras como forma de prevenção:

– Educação sexual;
– Renda familiar justa;
– Acesso ao controle de natalidade (não abortivo);
– Suporte digno ao ato maravilhoso de “dar à luz”.

Infelizmente, mesmo depois de quase dez anos da emissão do pronunciamento citado, ainda há registros alarmantes de mulheres, principalmente em regiões empobrecidas, para as quais ainda não é ofertado pelo estado esse suporte mínimo, o que faz com que a questão do aborto ainda represente um problema não apenas moral e ético, mas de saúde pública. As perspectivas de melhoras referente à essa realidade não são animadoras quando lembramos que os investimentos na área da saúde pública estão prestes a serem congelados por 20 anos.

Não podemos ignorar que o STF julgava um caso de aborto clandestino na decisão que gerou a polêmica e desencadeou a discussão no Legislativo. Da mesma forma, não ignoramos que mulheres com algum poder aquisitivo acessam procedimentos seguros em clínicas particulares e abortam confidencialmente, enquanto a criminalização e o risco de morte se restringem às mulheres pobres ou sem acesso aos recursos básicos mencionados, e que muitas vezes em desespero, buscam clínicas clandestinas colocando em risco a própria vida.

Aos que compõe a comissão que tratará o delicado assunto na Câmara dos Deputados, ressaltamos que a discussão será irrelevante se ignorar essa clara injustiça social, ou se levar em consideração apenas questões éticas, morais e religiosas, sem analisar a discriminação óbvia que os procedimentos apresentam hoje para as mulheres pobres.

Às comunidades de fé, lembramos que cada Igreja Metodista deve ser um lugar acolhedor e disposto a oferecer cuidado e informação para mulheres que, independente do motivo, precisam de ajuda para tomar uma decisão segura e consciente, ensinando sempre sobre a vida como valor absoluto. Tanto a vida da criança, quanto a vida da mulher. A igreja é Comunidade missionária a serviço do povo, espalhando a santidade bíblica sobre toda a terra. Esforços e recursos precisam voltar-se para esta base missionária (PNM 2012-2016).

Pelas realidade citadas o povo metodista brasileiro condena tenazmente esta decisão e se propõe a combater a mesma com determinação e orientação ao povo, pois entende que a vida desde a sua concepção pertence a Deus e como Igreja defenderemos o direito à vida de todos e todas.

São Paulo, 01 de dezembro de 2016

Colégio Episcopal da Igreja Metodista no Brasil 2012-2016

Bispo Adonias Pereira do Lago – Presidente do Colégio Episcopal
Bispo João Carlos Lopes – Vice-Presidente do Colégio Episcopal
Bispa Marisa De Freitas Ferreira – Secretária do Colégio Episcopal
Bispo Paulo Tarso De Oliveira Lockmann
Bispo Luiz Vergílio Batista da Rosa
Bispo José Carlos Peres
Bispo Roberto Alves de Souza
Bispo Carlos Alberto Tavares Alves

Redação EC