2016_11_braille_discipulado

Nos últimos tempos, nossa amada Igreja Metodista tem abraçado o discipulado como uma forma eficaz de viver a vida em Cristo, de uma forma saudável e frutífera. O Plano Nacional Missionário define de maneira bastante sábia que discipulado para nós não é mais um programa, mas sim um estilo de vida imitando Jesus. A partir disso, podemos destacar a natureza inclusiva do discipulado onde todos/as são chamados a entrar na roda e crescer na fé.

Sem medo de errar é possível afirmar que qualquer movimento que exclui pessoas por cor, raça, etnia, deficiência ou quaisquer outros aspectos verdadeiramente não é discipulado nem cristão/ã. Nesta direção conclamo os/as irmãos/ãs a oportunizarem em suas igrejas cada vez mais o discipulado inclusivo para todos/as, sobretudo para as pessoas com deficiência, que são aproximadamente 40 milhões de potenciais discípulos/as em nosso país. Dessa forma, o discipulado será essencialmente inclusivo; é necessário enxergarmos as pessoas com os olhos de Jesus, ou seja, todos/as podem ser salvos/as e frutificar para o Reino de Deus.

O Apóstolo Paulo em 2 Coríntios 5.16 nos adverte que não devemos olhar as pessoas segundo a carne. Vejamos: “Assim que nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo”.
À luz do texto citado, fica evidente que inclusão se dá de dentro para fora, pois se nossos olhos não forem curados vamos ser seletivos/as, e o “diferente” jamais será visto como um/a discípulo/a, então, veremos sempre a/o prostituta/o, o/a ladrão/a, o/a limitado/a, o/a que não entende, o/a que não fala bem, o/a drogado/a, o/a autista, o/a Down, o/a cego/a, o/a surdo/a, o/a paralítico/a e por aí em diante. Em contrapartida, quando vemos as pessoas com os óculos de Cristo, logo olhamos para um/a drogado/a e já vemos no amanhã uma pessoa liberta; olhamos para uma pessoa com deficiência e logo vemos que ela tem condições de servi-lo independentemente do nível de deficiência que tenha.

Diante disso, o que nos resta é pedir a Deus que nos empreste constantemente seus óculos para vermos todos/as como alvos da graça do Pai e, deste modo, viver o discipulado autêntico – o de Cristo que contempla o/a “diferente” e lhe proporciona a dignidade no corpo de Cristo que é sua igreja.

Para concluir, citamos o poema de Mário Quintana – Deficiências -, que mostra que as piores deficiências vão mais além do que se pode ver.

Deficiente” é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

Louco” é quem não procura ser feliz com o que possui.

Cego” é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

Surdo” é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

Escrito por Enoque Rodrigo de Oliveira Leite e Gabriela Tovar de Oliveira Leite
Publicado originalmente no Jornal Expositor Cristão de novembro