"O que vem acontecendo com os/as cristãos/ãs no Brasil nos últimos anos? A resposta não é tão simples, mas uma das principais razões dessa redução é que o número de fracos/as é bem maior do que o número de fortes."

Bispo Carlos Alberto Tavares Alves

“E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres,
com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro.” – Efésios 4:11-14

Na década de 1960, quando fiz minha formação teológica e iniciei o ministério pastoral na Igreja Metodista (sou Metodista de “berço”), as novas conversões eram raras e os/as chamados/as “filhos/as da igreja” a abandonavam no período da adolescência. Foi assim com os meus cinco irmãos, primos/as e com os/as demais da minha geração. Por que isso acontecia? Certamente as causas não foram somente as que vou descrever na sequência deste texto, mas tenho convicção de que foram as principais.

Fracos/as e fortes – Em Romanos 15.1, lemos: “Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos”.
O Apóstolo Paulo diz que na igreja primitiva existiam os/as fortes e os/as fracos/as e ele exortou os/as fortes para que suportasse os/as fracos/as e, no mesmo capítulo, versículo 7, ele diz: “…acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus”.
Concluímos que a falta da consolidação através do discipulado e, consequentemente, a falta de acolhimento na forma que Cristo nos acolheu gera discípulos/as fracos/as e, por isso, deixam facilmente a comunidade da fé. Infelizmente, o resultado natural é a formação de uma igreja fraca, sem conhecimento da revelação de Deus através do ensino da Palavra de Deus, visto que Ele se revela a nós no nível em que estamos, pois de outra forma não teríamos como entender o que Ele está nos falando e ensinando.
Para você entender isso de maneira mais clara, no sábado anterior às eleições municipais, estava com minha família, e o assunto eram as eleições e em quem votar e por que votar. Minha neta de 4 anos, brincado na sala com sua boneca, me perguntou: “vovô, o que é voto?”. Tentei explicar da melhor maneira possível. Ela me ouviu, depois fez silêncio e voltou a brincar com a sua nova boneca. Estou certo de que ela não entendeu nada, embora eu tenha me esforçado bastante. Mas ela vai continuar crescendo e mais tarde vai saber o que é um voto, votar e, quem sabe, também vai ser votada. É mais ou menos isso que acontece com a maioria dos/as cristãos/as que estão nas igrejas. Leem a Bíblia, participam da Escola Dominical, ouvem sermões todos os domingos, mas continuam fracos/as, não conseguem crescer no seu relacionamento com Deus.

Falta de experiência com o poder de Deus

Quem é cristão/ã não tem dúvida de que o nosso Deus tem todo o poder no céu e na terra, mas uma grande maioria (os/as fracos/as) não tem experiência pessoal com esse poder por falta de um genuíno relacionamento com Deus, embora sejam religiosos/as. Neste caso, Deus é para essas pessoas um socorro nos momentos de crise (no casamento, na saúde, na área financeira, desemprego). Não tem aquele ditado? Só se lembra do “santo” quando ronca trovoada.

Comunhão e dependência de Deus são fundamentais para o nosso crescimento que nos tornará cistãos/ãs fortes. Paulo disse: “Sede fortes e inabaláveis” (1 Co 15.58).

Crescimento natural
A falta dele caracteriza uma disfunção orgânica (alguma síndrome ou doença) que, uma vez diagnosticada, precisa de tratamento médico. Todo ser humano tem as suas fases de crescimento: gestação, infância, adolescência, juventude, maturidade e a chamada terceira idade. Entre o nascimento e a morte, num crescimento normal, até o início da juventude, temos o crescimento físico acompanhado do emocional e mental (intelecto) e ainda experimentamos outros tipos de crescimento, como o profissional.

No nosso relacionamento com Deus e a igreja, corpo de Cristo, que comumente chamamos de crescimento espiritual, não pode ser diferente, temos também nossas fases de crescimento e, se está acontecendo alguma anormalidade nesse processo, a causa pode ser falta de saúde espiritual.

No censo do IBGE de 2010, mais de 40 milhões de brasileiros/as se declararam cristãos/ãs evangélicos/as, mas outra estatística nos informa que apenas 25 milhões desse total são evangélicos/as não praticantes. São os/as chamados/as desviados/as. Apenas 15% da população brasileira é de católicos/as praticantes.

O que vem acontecendo com os/as cristãos/ãs no Brasil nos últimos anos? A resposta não é tão simples, mas uma das principais razões dessa redução é que o número de fracos/as é bem maior do que o número de fortes.

Nossa definição de discipulado é estilo de vida e método de pastoreio. Precisamos responder à pergunta: por que os/as discípulos/as de Jesus estão fracos/as?

Para pensar
Realmente o discipulado na Igreja Metodista tem sido um estilo de vida como o do Senhor Jesus? Como Jesus, estamos apaixonados/as pelas multidões, independentemente de quem sejam essas pessoas, conforme Mateus 9.36 que diz: “Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor”.

 

Publicado originalmente no Jornal Expositor Cristão de novembro