Leia aqui a matéria completa sobre Daniel Dias.

Abaixo você confere a entrevista completa com o atleta paralímpico, ganhador de 24 medalhas.

Quem é Daniel Dias para você?
É difícil falar da gente mesmo, mas o Daniel Dias é uma pessoa que busca ser sempre uma pessoa melhor, um atleta melhor, um pai e esposo a cada dia melhor.

Você esperava chegar aonde chegou, participando de três Paralimpíadas, conquistando 24 medalhas, sendo, na Rio 2016, 9 medalhas: 4 de ouro, 3 de prata e 2 de bronze?
Eu esperava um dia ter conquistas; buscava isso. Acredito que tudo que alcancei eu confesso que é obra de Deus em nossa vida. Deus sempre nos surpreendendo. A Bíblia diz que Ele faz infinitamente mais tudo aquilo que pedimos ou pensamos segundo a boa vontade d’Ele. Então, eu tinha um sonho quando comecei a praticar o esporte de um dia representar o Brasil, de um dia ir para uma Paralimpíada e conquistar apenas uma medalha e acabei conquistando 24. Realmente Deus me surpreendeu e tem me surpreendido muito.

Em 2004, ao assistir aos Jogos de Atenas, você se inspirou no atleta Clodoaldo Silva, o “tubarão das piscinas”. Hoje você inspira milhares de pessoas. Como você enxerga essa realidade?
Fico extremante feliz, porque eu sei na verdade o que é ter alguém para se espelhar, alguém que te inspira, aquela pessoa é uma inspiração para mim. Sei da importância disso, porque tive o Clo­doaldo que me inspirou a praticar o esporte até um dia representar o Brasil, competindo ao lado dele no revezamento.

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O Expositor Cristão tem uma pauta sobre a inclusão. Como você vê a Igreja de um modo geral sobre a inclusão?
Acredito que estamos num avanço bacana. Temos o que melhorar, mas se a gente pensar no passado, o que temos hoje, por exemplo, a libra, são algumas coisas que estamos agregando que são importantes, mas faltam outras coisas também. Creio que não só na igreja, mas na sociedade de um modo geral. Conseguimos quebrar uma grande barreira no Brasil com os Jogos acontecendo aqui, que é o respeito para com as pessoas com deficiência. As pessoas hoje, não tenho dúvidas disso, vão pensar mais quando fizerem um evento ou qualquer outra coisa, elas vão pensar mais nas pessoas com deficiência. Isso foi uma grande barreira que conseguimos quebrar.

Você tem 28 anos, 24 medalhas e já foi até chamado de Phelps brasileiro. É uma alegria para você quando olha para trás e vê toda a trajetória de preconceito pelo qual passou? E como você vê esse momento atual da sua carreira sendo que Tóquio está logo aí?
Verdade. Quatro anos passam muito rápido e estou treinando para ir a Tóquio. Para mim, ser comparado a Michael Phelps é uma alegria imensa, é um grande atleta que fez história nos Jogos do Rio. Ser sempre comparado a um grande atleta como ele é uma alegria imensa, mas sempre falei que não sou o Michael Phelps, não sou fulano, sou o Daniel Dias e estou conquistando meu espaço, tentando mostrar o valor da pessoa com deficiência e acredito que tenho conseguido isso. Esses Jogos vieram para confirmar todo esse grande momento que o esporte paralímpico está vivendo. Conseguimos bons resultados não somente no Rio, mas também em Pequim e em Londres. Estamos numa crescente muito boa e os Jogos no Brasil vieram para coroar todo esse momento incrível que estamos vivendo no esporte paralímpico brasileiro.

Toda a sua trajetória até aqui não foi fácil. Você enfrentou muitas barreiras?
Sem dúvida. Não é porque tenho deficiência que eu sofri mais ou foi mais fácil ou mais difícil. Acredito que todos nós temos os obstáculos na vida. Todos têm oportunidades na vida porque Deus dá oportunidades para todas as pessoas, cabe a cada um/a agarrá-las ou não, claro que passei por preconceitos, fui chamado de tantas coisas que magoaram, feriram, mas nem por isso eu desisti. Acredito que a força está dentro de nós. Temos que ir em busca daquilo que almejamos, todas as pessoas sonham com alguma coisa. A pessoa que chegar para mim e falar que não tem sonhos, na minha opinião ela está morta; todas as pessoas sonham com alguma coisa. Para conquistar nossos sonhos a gente precisa ir atrás e, assim que a gente vai atrás, os obstáculos vão acontecer, as dificuldades vão surgir. Cabe a cada um fazer uma escolha. Eu fiz a minha escolha de ser feliz e ir em busca dos meus sonhos.

Você teve uma infância normal como qualquer criança, inclusive andar de bicicleta, mas foi a força de vencer que fez com que alcançasse resultados tão expressivos?
Sim, há um versículo na Bíblia que diz o seguinte: “quero trazer à memória aquilo que me dá esperança”. Gosto muito de lembrar essas pequenas histórias, que podem parecer simples para alguém, por exemplo, andar de bicicleta, amarrar o cadarço de um tênis. São conquistas que foram acontecendo em minha vida que fizeram hoje o atleta que sou, homem que sou, filho que sou e pai que sou. É sempre importante nos lembrar das pequenas e importantes conquistas em nossa vida. Sempre me lembro dessas pequenas conquistas, mas que fizeram toda a diferença em minha vida.

Quem é Deus para você?
Deus é tudo em minha vida.

Família?
A base de tudo.

Esporte?
O Esporte é meu ministério.

A vida?
A vida é um sopro.

Do que você não abre mão?
De ter um relacionamento com Deus. Jamais devemos abrir mão disso. Não devemos nos esquecer que sem Ele não somos nada e com Ele temos tudo, porque Ele é tudo em nossa vida.

 

Escrito por José Geraldo Magalhães
Publicado originalmente no Jornal Expositor Cristão de novembro

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