“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa” (Mateus 5.13-16)

Bispo João Carlos Lopes

“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa” (Mateus 5.13-16)

Em seu livro “Cristianismo e Política”, o bispo anglicano Robson Cavalcante afirma que “não há nada mais cientificamente inexato e conceitualmente impossível do que a pretensão de ser apolítico”. O ser humano é inerentemente político. O termo vem de “polis” – palavra grega para “cidade” ou lugar onde as pessoas convivem e expressam suas ideias e interesses.

Assim, em sua origem, o termo “política” refere-se aos assuntos de interesse dos/as cidadãos/ãs. Em qualquer comunidade, por menor que seja, qualquer povoado; distrito; cidade ou país existem questões que afetam a cidadania em seu conjunto. O/a cristão/ã, em especial, não pode se declarar apolítico/a. Nosso chamado para sermos discípulos/as de Jesus vem acompanhado de um desafio profético que nos convoca a brilhar nos lugares mais escuros.

O chamado de Jesus para os/as seus/suas discípulos/as de ser sal da terra e luz do mundo cobre todos os aspectos da vida, inclusive o que diz respeito ao nosso relacionamento com o governo. Assim, o fato de sermos cidadãos e cidadãs do reino de Deus não nos exime das responsabilidades com relação à nossa cidadania terrena. Na verdade, o/a cristão/ã tem dupla cidadania e deve agir com responsabilidade com relação às duas. Algumas responsabilidades da igreja cristã com relação à política e aos/às governantes:

1. A responsabilidade de incentivar seu povo a votar: A igreja não pode se tornar um partido político. Não deve fazer política partidária. Por outro lado, a igreja deve incentivar seus membros a votar com responsabilidade. É através do voto responsável que procuramos eleger homens e mulheres “capazes; que temam a Deus; que amem a verdade e que odeiem a avareza”.

2. A responsabilidade de reconhecer, dentre seus membros, as pessoas chamadas para o exercício das funções políticas: É verdade que nem todas as pessoas são chamadas para se envolver na arena política e governamental. Entretanto, a Bíblia mostra várias pessoas especificamente chamadas por Deus para trabalhar nessas á reas. Isso incluía homens e mulheres, tais como José (Gênesis 41.39-41); Débora (Juízes 5.1-7); Davi (1 Samuel 16.1-13); Neemias (Neemias 1.1-11) e Daniel (Daniel 1.4-6; 18-21).

3. A responsabilidade profética: A igreja e os/as cristãos/ãs de modo geral têm a responsabilidade de ser consciência profética dos/as governantes:
a. Sendo a voz dos/as pequenos/as e inocentes (Provérbios 31.8);
b. Confrontando o pecado e a imoralidade (Provérbios 14.34; Isaías 5.20; Jonas 1.2);
c. Defendendo as pessoas pobres e oprimidas (Salmos 10.2; Amós 2.6-7);
d. Reafirmando a necessidade da ética na política, colaborando na denúncia de candidatos/as corruptos/as e das situações e mecanismos que favorecem a corrupção;
e. Alertando os/as governantes de que prestarão contas a Deus dos seus atos no exercício do seu mandato: a maneira como usam o dinheiro do povo; como tratam as pessoas; etc.

Lembremo-nos, porém, que jamais podemos cair na armadilha de substituir a pregação e o testemunho do evangelho pela ação e envolvimento político. Precisamos reconhecer que a política jamais será um instrumento da salvação eterna. Ainda que devamos agir politicamente por mudanças e melhorias na sociedade, nossa responsabilidade maior é fazer discípulos/as de Jesus por meio da pregação do evangelho e do testemunho pessoal (Mateus 28.16-20). Sem um relacionamento pessoal com Jesus, as pessoas ainda estarão perdidas. Em suma, nossa responsabilidade como igreja cristã e protestante é “afirmar o senhorio de Jesus Cristo na história. A luta por um sistema mais justo ou por leis mais justas não pode ser travada à custa do esquecimento de que é necessária a graça de Deus para transformar o velho homem.

E que qualquer mobilização ou ação política deve começar de joelhos” (Robson Cavalcanti). “Se esse meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar; orar; buscar a minha face e se arrepender dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus; perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra” (2 Crônicas 7.14).

Escrito por Bispo João Carlos Lopes