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Foto de Leo Carioca | Reuters

O estado do Rio Grande do Norte tem passado por uma série de ataque violentos nos últimos dias, levando as Forças Armadas a ocuparem as ruas da cidade de Natal para reforçar a segurança. As tropas foram retiradas hoje, mas cerca de 200 policiais militares continuam contribuindo com o efetivo de 450 PMs que já atuam diariamente nos principais pontos da cidade.

Com uma postagem em sua rede social, o governador Robinson Faria informou que solicitou os reforços para tentar conter a situação no mês de julho. Veja abaixo:

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Diante da extrema violência, foi emitido um manifesto dos pastores e pastoras que atuam na Região Missionária do Norte e Nordeste (REMNE) da Igreja Metodista no Brasil.

Mesmo com as medidas tomadas pelas autoridades, pastores/as da REMNE informam que há dias em que precisam cancelar a programação de seus cultos com antecedência para garantir a integridade física das pessoas que frequentam a igreja. Destacam também a ausência do estado, e cobram um posicionamento das autoridades.

“Como pastores/as estamos em oração e tentando seguir nossas atividades dentro da normalidade, no entanto conviver com um clima de quase guerra civil, onde o som que predomina hoje são sirenes e tiros, realmente impossibilitam essa sensação de paz e tranquilidade”, afirma o texto.

Leia abaixo na íntegra, e siga orando pela pacificação no estado.


DEUS, SARA A TERRA FERIDA!

“Por que razão me mostra a iniquidade, e me fazes ver a opressão? Pois que a destruição e a violência estão diante de mim, havendo também quem suscite a contenda e o litígio. Por esta causa a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta; porque o ímpio cerca o justo, e a justiça se manifesta distorcida.” Habacuque 1:3-4

Tendo como base o texto de Habacuque citado acima, desejo dar uma visão panorâmica do atual cenário no Rio Grande do Norte, mais precisamente em Natal, onde a minha Igreja está localizada e onde resido; mas expresso que esta é a realidade em todo o meu Estado. Em cidades próximas e menores a situação ainda se agrava mais.

Inicio convidando você a reler o texto do de Habacuque 1:3-4, onde o texto do profeta Habacuque traduz o sentimento da população aqui no Rio Grande do Norte, diante das constantes investidas da criminalidade e ausência de policiamento suficiente para deter a violência.Andamos em ruas desertas e vê-se o medo no olhar da população. Um simples ato, como o de ir ao supermercado, se torna um desafio, pois após às 20 horas, torna-se impossível fazer compras.A educação foi atingida fortemente; as escolas estão fechadas, com frequência.Além disto outros serviços essenciais públicos, tais como os da saúde, também tem fechado as portas por falta de segurança. Realmente são tempos difíceis, tempos de caos.

Como evidência cito um caso que aconteceu no último domingo entre nós, pessoas cristãs, quando pastores/as cancelaram o culto em suas igrejas locais devido à violência e insegurança. Isto porque, como líderes, precisamos assegurar a integridade física de nosso povo, e como a maioria, ou boa parte, de suas comunidades de fé se localizam próximas às áreas periféricas, isso se faz necessário. Enfim, a falta de segurança pública afeta até mesmo a nossa manifestação de fé. Onde nossos líderes políticos deixaram chegar à situação?

É visível e sentido, até mesmo no ar, a existência de um clima de pânico instalado em nossa cidade e em todo o  Estado do Rio Grande do Norte. Como pastores/as estamos em oração e tentando seguir nossas atividades dentro da normalidade, no entanto conviver com um clima de quase guerra civil, onde o som que predomina hoje são sirenes e tiros, realmente impossibilitam essa sensação de paz e tranquilidade.

Nosso sentimento em relação ao caos que estamos vivendo traduz-se em certa sensação de impotência, contudo não perdemos a nossa esperança. E como afirma o profeta Habacuque: Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado;
Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação.”
  Hb 3:17.

Precisamos também perceber que este caos é uma oportunidade de solidificarmos ainda mais nossa crença e fé no Senhorio de Cristo.Também seria o momento oportuno de, como Igreja de Cristo, nós, os/as pastores/as, aproveitarmos e nos unirmos em ofertarmos ao Estado, nitidamente falido de saídas para a violência, um projeto real e sólido a ser trabalhado junto a pastoral carcerária, junto as homens e jovens carentes das periferias mais violentas e junto aos/às jovens infratores/as. Esta crise  vem nos mostrar, também, que estamos deixando essa lacuna, esse espaço, essa brecha como igreja. Sabemos que, mesmo se fossemos atuantes nesta área de clamor missionário, ainda assim a violência não seria exterminada, mas certamente este estado de violência seria bem mais reduzido. E paralelo a isto, como igreja, também deveríamos efetuar oficialmente uma cobrança às nossas autoridades no sentido de termos uma atuação mais satisfatória por parte da segurança pública, pois se somos os/as mordomos da criação, certamente temos propostas temos a oferecer, podendo dar nossa parcela de contribuição a cidadania e equilíbrio social aqui no Estado do Rio Grande do Norte.

Finalizamos pedindo a todos/as suas orações por nosso Estado.

Redação EC
Manifesto publicado originalmente no site da Região Missionária do Nordeste (REMNE)