“Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina…” (2 Tm 4.2-4)

Bispo Paulo Lockmann

1) “A Igreja é de Deus”
Cito com muita frequência essa frase, pois me recuso a aceitar apropriações individualistas e capitalistas da Igreja no meio Evangélico. Sim, tudo hoje é qualificado pelo valor monetário, pastores/as e “apóstolos/as” se apossaram da Igreja. E o povo embarca nessa heresia, “… estou na Igreja do/a apóstolo/a fulano/a…”. A Igreja não é posse de seres humanos conceitualmente, nós somos a Igreja de Cristo. A Igreja não é do/a apóstolo/a, do/a pastor/a, nem dos/as bispos/as… A Igreja é de DEUS! Tal fato é decisivo, porque esta noção de posse passa a alguns/as o direito de fazer da “sua” Igreja o que quiser, sem respeito às Escrituras Sagradas, tradição histórica do Cristianismo, do Protestantismo. Com isso, se introduz práticas estranhas e heréticas, afinal, pensam que a Igreja é deles/as e fazem o que querem. “Entre nós, Metodistas, não pode ser assim”. Nem o/a bispo/a, nem o/a Superintendente Distrital, nem o/a Pastor/a é dono/a da Igreja.

2) A Igreja tem governo dado por Deus
Sim, a Igreja tem governo, direção que estabelece o que pode e o que não pode ser feito. Esse governo emana do Senhor da Igreja, Jesus. Nosso governo é Conciliar (geral, regional, distrital e local) e Episcopal. Enquanto pastores/as e coordenadores/as de ministérios, não assumimos sem o respaldo episcopal ou, no caso dos ministérios, sem o respaldo pastoral. E todos/as exercermos a partir do poder decisório dos concílios, a quem prestamos contas de nossos atos em seus respectivos níveis. Temos sempre uma autoridade sobre nós, que se apoia na autoridade absoluta de quem é Senhor e dono de tudo: Deus. (Sl 24.1) A Igreja primitiva experimentou isso, precisavam se organizar e decidir, fizeram o primeiro Concílio conforme relata Atos 6.1-6 e elegeram os diáconos. Primeiro para vencer preconceitos contra mulheres, as viúvas. Havia critérios rigorosos. Os Diáconos tinham que ser: “Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço” (At 6.3). Depois precisavam resolver a questão do ingresso dos gentios na Igreja e outras questões, reuniram-se em Concílio como relata Atos 15. Carecia de dar corpo ao governo do Concílio e dos apóstolos, que incluiu Paulo como último dos apóstolos.

“… Por que eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo, pois…” (1 Co 15.7-9)

Assim, Apóstolos são os que viram Jesus e receberam dele mesmo este envio, que é o significado da palavra apóstolo. De Paulo, que foi o último, até nós, todos os/as cristãos/ãs, somos apóstolos/as – enviados/as, por isso a Igreja é Apostólica, ouçamos León Dufour1: “Num sentido amplo, Apóstolo é dom de todos discípulos de Cristo”. Jamais na era pós-apostólica se usou o título de apóstolo como “posto hierárquico” e de exercício de poder, o ministério apostólico hoje se identificaria como o ministério missionário da Igreja, o que passar disso é antibíblico. Na verdade, o governo da Igreja ainda no primeiro século era exercido por ministério escolhido CONCILIARMENTE. “Alguns indivíduos que desceram da Judeia ensinavam aos/às irmãos/ãs: Se não vos circuncidardes, segundo costume de Moisés, não podeis ser salvos. Tendo havido, da parte de Paulo e Barnabé, contenda e não pequena discussão com eles, resolveram que esses dois e alguns outros dentre eles subissem a Jerusalém, aos apóstolos e aos presbíteros, com respeito a esta questão”. “Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão.” (Atos 15.1-2 e 6). Vemos, após o Concílio de Jerusalém, ênfase do governo também dos/ as presbíteros/as ao lado dos apóstolos (Atos 16.4). Mais tarde, nas cartas pastorais de Paulo, Pedro e João, se reconhece o ministério específico do bispo que é o Presbítero supervisor, o sentido da palavra episkopos. (1 Tm 3.1-2)

3) Neojudaísmo no Cristianismo?
Já falei da infiltração de práticas judaicas no meio evangélico, e mesmo 1 DUFOUR, Xavier León, Vocabulário de Teologia Bíblica, Petrópolis, Ed. Vozes, 2002, p. 70-74 lamentavelmente na nossa Igreja Metodista. No entanto, me vejo forçado a voltar a insistir, pois as práticas judaicas seguem ocorrendo e sendo “transpostas” ao cristianismo. O problema não é novo, o Concílio de Jerusalém foi realizado para tentar resolver isso. “Alguns indivíduos que desceram da Judeia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos.” (Atos 15.1,10). Mesmo com as orientações deste Concílio liberando os/ as discípulos/as das igrejas nascentes das práticas judaicas, Paulo enfrentou durante todo seu ministério tal questão. E o desafio continua, haja vista sinais que o nosso Concílio emitiu, aos quais os Bispos e Bispa estão atentos/as. Se lermos Hebreus, o autor acaba com todos os fundamentos dos ritos judaicos dizendo mesmo que os ritos antigos eram humanos e transitórios. Diante disso, passo a recolocar em seu lugar uma das tradições judaicas que nos invadem, comento sobre:

a) Páscoa
Escrevi e repito, a Páscoa judaica é um rito superado, pois o cordeiro não precisa mais ser imolado, assim como diversas outras práticas, como ervas amargas, recordando o cativeiro, etc… Sim, estão superadas, nossa Páscoa tem em Jesus “… o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29). E celebramos uma nova Aliança baseada na Nova Lei do Evangelho. Nosso memorial é outro: “… em memória de mim…” (1 Co 11.22), sim, um memorial ao sacrifício de Cristo e à expiação pelos nossos pecados.

4) Por fim, saímos do 20º Concílio Geral com expectativas missionárias
Ou seja, ser uma Igreja Discipuladora, em que o povo Metodista é chamado a amar a todos e anunciar a tempo e fora de tempo a maravilhosa Graça do Evangelho. De modo algum podemos perder de vista que nosso objetivo como metodistas e servos e servas de Deus é “Reformar a Nação, objetivamente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica por toda a Terra”. Isso tem tudo a ver com nossa máxima “Discípulos e Discípulas nos caminhos da Missão…” Amém!

Comentários