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Em 2010, indígenas representavam 8,3% da população da América Latina. Na imagem, crianças e jovens do povo kuna, na Colômbia. Foto: ACNUR / B. Heger

Indígenas representam 8,3% da população da América Latina, segundo os dados mais recentes da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Organismo regional acredita que países devem melhorar qualidade de dados coletados sobre povos indígenas para incluí-los em censos e políticas públicas.

Em evento paralelo ao Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável sobre os direitos e contribuições dos povos indígenas para a Agenda 2030 da ONU, a secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, criticou a falta de dados estatísticos que torna invisíveis esses povos.

Atualmente, o organismo regional presta assistência técnica a seus Estados-membros para apoiar o desenvolvimento de métodos de monitoramento da população que incluam os indígenas, além de atuar junto a organizações dos povos nativos para produzir estudos e bancos de dado especializados.

Como resultado, a CEPAL conseguiu calcular que, em 2010, cerca de 45 milhões de indígenas viviam na América Latina. O contingente representava, então, 8,3% da população regional.

O número representa um avanço na comparação com a estimativa de 30 milhões de indígenas obtida em 2000. A CEPAL considera que o aumento não foi devido apenas a um crescimento demográfico, mas também à maior visibilidade que essas populações conquistaram em censos de população latino-americanos.

“Se na ronda de 1990, apenas dois (dos países da América Latina) incluíam o critério de autoidentificação, na ronda de 2010 este número já chegava a 21”, elogiou Bárcena.

Apesar das conquistas, a chefe da CEPAL alertou para a necessidade de aprimorar a qualidade dos dados coletados por pesquisas. De acordo com a secretário-executiva, é necessário analisar as desigualdades de gênero, acesso a saúde, educação e outros riscos a que os indígenas estão vulneráveis.

Como exemplo, Bárcena explicou que, sem distinguir os níveis educacionais, as entradas de homens que não são indígenas nem afrodescendentes no mercado de trabalho latino-americano chegam a ser quatro vezes maiores do que as novas participações de mulheres indígenas e quase o dobro do número de mulheres negras que começou a trabalhar.

A secretária-executiva destacou também que os indígenas vivem o auge de conflitos socioambientais que podem desrespeitar seus direitos territoriais. Na América Latina, entre 2009 e 2013, foram identificados 235 disputas provocadas por indústrias extrativistas — mineração e carvão — em territórios indígenas, alertou a chefe da CEPAL.

Segundo a dirigente, a inclusão desses grupos no monitoramento populacional será fundamental para proteger seus direitos e garantir que os indígenas sejam contemplados pelas políticas públicas alinhadas à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Escrito por: Agência da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL)

Atuação da Igreja Metodista no Brasil por meio da Pastoral Indigenista

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A Igreja Metodista no Brasil trabalha na luta pela defesa dos povos indígenas desde agosto de 1928. A ação missionária que começou em Mato Grosso se espalhou para outros estados. Leia a edição especial do Expositor Cristão que fala mais sobre o trabalho realizado com as tribos, e ressalta a importância de preservar suas terras e cultura.

O documento de Diretrizes Pastorais para a Ação Missionária Indigenista, lançado pela IM em 1999 afirma um compromisso contra o proselitismo. “O Evangelho só constitui boas novas aos povos indígenas à medida que os ajuda a fortalecer as suas próprias culturas, a refazer os seus direitos sobre a terra e a recobrar a dignidade que os filhos e filhas de Deus possuem”, informa.

Um dos mais recentes posicionamentos da Pastoral Indigenista foi em relação aos últimos acontecimentos em Mato Grosso do Sul, quando o filho de uma das lideranças indígenas, Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, Guarani-Kaiowá de 26 anos, foi assassinado durante um conflito no mês de junho. Ele ocupava o cargo de agende de saúde na região. Leia a matéria na íntegra.

O trabalho da IM segue respeitando a cultura, lutando por políticas públicas, e levando o amor de Deus aos povos indígenas do Brasil.

Confira o material de apoio preparado pela área nacional da Igreja Metodista, e conheça melhor a Pastoral Indigenista. Você terá acesso à fotos, vídeos e ao documentário especial produzido pelo Jornal Expositor Cristão. Abaixo você também pode assistir a entrevista realizada esse mês com o Pastor Paulo Costa, durante a cobertura especial do 20° Concílio Geral da Igreja Metodista no Brasil. Paulo atua na Missão Tapeporã e compartilha como a IM é uma Igreja vocacionada para trabalhar com os povos indígenas, mencionando inclusive a experiência de John Wesley, fundador do metodismo. “Fui à América evangelizar os índios, mas quem me converterá?”, afirmou Wesley.

Redação EC