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A Igreja Metodista no Brasil, segue o procedimento de aposentadoria compulsória aos 70 anos para pastores e pastoras, bispos e bispas. Em seu 19° Concílio Geral, a Igreja já avaliou essa questão.

Na manhã de ontem, durante o 20° Concílio Geral da Igreja Metodista, foi feita uma consulta referente ao assunto. Elizabeth Barbosa, da 7° Região, propôs ao plenário que houvesse uma intermissão nos cânones do artigo que trata da exclusão da palavra “compulsória”. A Comissão de Legislação entendeu de forma unânime, que alterar a expressão nos cânones não altera o espírito da lei.

O  Bispo Carlos Alberto se posicionou contrário a decisão da Comissão de Legislação, citando a exceção do artigo que fala de aposentadoria, e afirmando que o texto fere o estatuto do idoso. Por isso o Bispo pediu que a plenária votasse contra a decisão da comissão, e a favor da proposta da 7° RE. “É necessária uma proposta que atenda o estatuto do idoso que não afete a Lei Federal. Temos que defender os estatutos da criança, do idoso, lei Maria da Penha e todos que atendem pessoas vulneráveis”, afirmou o Bispo.

Na plenária explicou-se que a intenção da proposta de aposentadoria compulsório, é para que aos 70 anos as pessoas possam usufruir de sua vida e família. O Bispo Carlos Alberto que tem 72 anos, emocionado, respondeu que o sentimento dele, é de que não serve pra mais nada na igreja e entende que há muitos na mesma situação. “Queremos gastar o nosso restinho de vida fazendo a obra de Deus. Não tirem o meu púlpito e rebanho. E termino essa aposentadoria compulsória dizendo que não podemos tratar como lixo esses, pois Deus nos cobrará alguma coisa”, afirmou se referindo à todos e todas que estão acima de 70 anos na IM.

A plenária também concordou que bispos aposentados servem a igreja até hoje, mas é necessário que a igreja cuide dos idosos.

O Bispo Carlos Alberto era um dos nomes da lista tríplice da Região Missionária da Amazônia (REMA), porém, por já ter completado 72 anos, não teve a oportunidade de concorrer conforme a decisão da Comissão Geral de Constituição e Justiça. Leia mais aqui.

A matéria discutida durante o 20° Concílio Geral, não interferiu na eleição da REMA, pois o próprio Bispo Carlos Alberto já havia retirado seu nome da lista. Outra sugestão, foi que alguém apresentasse uma proposta, sugerindo que a mesa nomeasse uma comissão responsável por reunir todas as propostas referente ao assunto, trazendo um texto que respeito o humano e o estatuto do idoso.

Retirada da proposta 

As dúvidas que surgiram na plenária foram referente ao tempo de aplicação da proposta.

adonias_20cg_Claudia Maia, da 4ª Região, explicou que, caso a decisão da Comissão de Legislação não fosse aceita, teríamos que re-admitir todos que foram aposentados compulsoriamente, mas que seria necessário fazer a conciliação sobre o assunto. “Erros foram reconhecidos. Erros foram reparados. Que se reconheça que talvez aprovar o retorno seria um dano muito maior pra igreja, portanto meu parecer é que se vote a favor do que a comissão colocou”, explicou.

“A proposta que nós fizemos é apenas para esse plenário, para esse Concílio, até que nós discutamos questões referente ao tema. Não é pra retroagir, anular ou cancelar nada do que foi feito”, afirmou a proponente temendo que mais membros da plenária tivessem dúvidas sobre o entendimento do texto, que não deixava claro o período ao qual seria aplicado.

Devido ao desentendimento e avanço do horário, o melhor caminho seria retirar a proposta, o que foi feito pela proponente. “Peço que fique garantido o direito de nós garantirmos o tema durante as propostas”, informou a Elizabeth. O pedido foi acolhido pela mesa, e ainda será discutido.

Você também pode acompanhar a sessão na íntegra, pelo vídeo de arquivo do dia 6 de julho, disponibilizado no canal do Expositor Cristão. Acesse aqui.

Escrito por Sara de Paula
Repórter EC