Foto de um homem jogando água numa bandeja

Humildade: uma das marcas do ministério de Jesus. © Gino Santa Maria / shutterstock.com

O texto de Lucas 14.26-27 relata os critérios de Jesus Cristo para se tornar um/a discípulo/a: “Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo”. Nas palavras de Jesus o discipulado tem um custo. Seguir ao Senhor Jesus é algo muito mais sério do que muitas pessoas imaginam.

 
A palavra “Senhor”, hoje em dia, não tem o mesmo significado do tempo de Jesus. Naquele tempo, a palavra “Senhor” significava autoridade máxima, o homem que estava acima de todos. No Império Romano se aplicava a palavra senhor de duas formas: 1. Quando era pronunciada pelos/as escravos/as aos seus donos, usada na forma minúscula. 2. Quando era dirigida à pessoa do Imperador “César”, nesse caso na forma maiúscula.

 
Os/As cristãos/ãs tiveram um grande problema com essas formas. Quando os soldados e os funcionários do império se encontravam, se saldavam “César é o Senhor”, e a resposta era: “Sim, César é o Senhor”. Agora, para os discípulos/as de Jesus, não cabia essa saudação. Quando os soldados e funcionários os/as cumprimentavam: “César é o Senhor” eles respondiam: “Não, Jesus Cristo é o Senhor”. O que os/as discípulos/as estavam dizendo é que não havia outro Senhor na vida deles/as além de Jesus Cristo.

 
Por isso, as palavras de Jesus aos/às discípulos/as faz sentido quando se refere a aborrecer os seus familiares. Ele não diz para odiá-los, mas está falando que, se for preciso ter de escolher entre Ele e os parentes, não devemos hesitar em escolhê-Lo. Jesus é o Rei, o Senhor, na perspectiva do Reino de Deus. Não pode haver parcialidade na lealdade a Ele. Era isso que os/as cristãos/ãs primitivos estavam dizendo ao Império Romano que Jesus era a autoridade máxima.

 
Ser discípulo/a exige renúncia. As palavras de Jesus devem causar diferença em nossa conduta. Por vezes, o que se pensa é que essas palavras não se encaixam nos nossos dias, que não temos que pagar o preço devido para sermos chamados/as de discípulos/as do Senhor Jesus. Temos outras prioridades que tomam o lugar de Jesus em nossos corações tratando-O como secundário.

 
O preço que os/as primeiros/as cristãos/ãs pagaram ao negar Cesar como Senhor e afirmar que Jesus é o verdadeiro Senhor envolve renunciar trabalho, família, posições de privilégios e o que mais se colocar no lugar de senhorio de Jesus.

 

Os primeiros cristãos não foram obrigados a renunciar tais coisas para segui-Lo, isso foi uma escolha pes­soal de cada um/a. Assim é possível entender Paulo ao declarar que “Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora, tenho na carne, vivo pela fé no filho de Deus, que nos amou e a si mesmo se entregou por mim” Gl 2.20.

 

Será que realmente pagamos o preço? Será que como alguns/as discípulos/as vamos abandonar o mestre Jesus por ser esse um preço alto demais? Jesus dizia: “Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” Lc 14.33. A orientação é que O coloquemos em primeiro lugar, fazê-Lo nosso Senhor.

 

Pastor Marcos Antonio de Souza
2ª Região Eclesiástica