Foto de theresa kachindamoto publicada no jornal Expositor Cristão edição de junho 2016 Theresa Kachindamoto luta pelas crianças em Malawi. © Hannah McNeish _ Al Jazeera[/caption]

A história de Theresa Kachindamoto, supervisora de um distrito em Malawi, na África, é uma daquelas que merece ser contada independentemente da crença religiosa. Theresa se destaca como uma forte líder feminista que ajuda mulheres e garotas de sua comunidade. Somente nos últimos três anos, ela anulou pelo menos 850 casamentos infantis forçados.  Theresa colocou as meninas novamente na escola e iniciou uma luta incansável para acabar com rituais que iniciam crianças na vida sexual.
Na cultura brasileira não há uma idade pré-definida para o casamento, embora ainda encontramos casos de pessoas que se casam sendo menores de idade. Em Malawi é diferente!
De acordo com Hanna McNeish, Theresa não se conteve ao visitar as casas por onde passava. “Ela ficou chocada quando viu meninas de até 12 anos com bebês e maridos adolescentes, e logo estava ordenando às pessoas que desistissem do casamento”, disse a jornalista que trabalha para o portal Aljazeera.
Em depoimento à jornalista Hanna, Theresa está disposta a cumprir sua missão. “Eu digo às pessoas: ‘Quer vocês gostem, quer não, eu quero esses casamentos anulados’”.
Por Malawi ser um país com baixo Índice de Desenvolvimento Humano, mais da metade das mulheres acabam se casando antes dos 18 anos. Outras engravidam precocemente antes do casamento. Por essas e outras razões que o trabalho de Theresa Kachindamoto precisa ser enfatizado.
Ela trabalha na área há 27 anos e, ainda assim, não para de conquistar vitórias para sua sociedade. Em 2015, conseguiu um feito histórico – instituir a maioridade de 18 anos para casamentos (mesmo com assinatura dos pais). Ela quer mais, que essa idade seja elevada para os 21 anos, pois, por ser uma região de extrema pobreza, há muitos casos de casamentos arranjados. Dessa forma, as despesas familiares são aliviadas, já que o marido deve manter a casa.
As consequências desses comportamentos são graves, pois a voz feminina na sociedade acaba sendo silenciada, além de uma a cada cinco mulheres serem vítimas de abuso sexual. O que implica também nos índices de HIV que crescem cada vez mais no país.
Políticos contrários às políticas públicas já ameaçaram Theresa de morte várias vezes por causa de sua postura política. No entanto, ela se defende dizendo que continuará cumprindo sua missão até morrer. E deixa uma mensagem quando entrevistada: “se elas forem educadas, podem ser o que quiserem, inclusive mães e esposas, mas somente se quiserem”.

 

Redação EC

 

/// Saiba mais em http://goo.gl/eGr89E

Comentários