Foto do auditório da 65ª Semana Wesleyana na FaTeo

Foto do auditório da 65ª Semana Wesleyana na FaTeo | Foto: José Geraldo Magalhães

 

Uma semana ouvindo sobre diálogo wesleyano. Esse foi o resumo da 65ª Semana Wesleyana que trouxe, pela segunda vez em 15 anos, o prof. Dr. Justo L. González. Dessa vez o tema foi “John Wesley em Diálogo com a Reforma”. O encontro reuniu estudantes, pesquisadores/as e pastores/as de várias partes do país na Faculdade de Teologia (Fateo), em São Bernardo do Campo/SP, entre os dias 16 e 20 de maio.

 

“Me sinto altamente honrado pela oportunidade de estar aqui com vocês durante esses dias como parte de nossa preparação para a celebração do quinto centenário da Reforma e para explorar com vocês algo acerca dessa relação entre a herança da Reforma e a Herança de Wesley”, disse González no primeiro dia. A programação contou com a presença do Colégio Episcopal que, na ocasião, se reuniu em dois dias nas dependências da Fateo.

 

O bispo Adonias Pereira do Lago acredita que a presença do Dr. Justo González reforça a teologia wesleyana na atualidade. “A Semana Wesleyana vem somar com a realidade metodista, que está vivendo um momento difícil e precisa se firmar em valores bíblicos e wesleyanos. O Dr. Justo González nos ajuda nessa reflexão”, disse o bispo destacando a iniciativa da Fateo de convidá-lo.

 

 

O vice-presidente do Colégio Episcopal, bispo João Carlos Lopes, também valorizou a iniciativa. “Nesse tempo de confusão teológica e doutrinária, relembrar que nós somos herdeiros/as do diálogo de Wesley na Reforma é fundamental, especialmente ouvir isso do Dr. Justo González, que é um homem sério, humilde e com muito conhecimento”, destacou.

 

 

Um dos organizadores da Semana Wesleyana, professor Dr. José Carlos de Souza, destaca as contribuições deixadas pelo conferencista que estabeleceu uma conexão entre John Wesley e a teologia da Reforma. “O Dr. Justo González mostra alguém (Wesley) que está sempre pronto e disposto a dialogar, sobretudo buscando a síntese do examinar tudo e reter o que é bom, respeitando, sobretudo, a seriedade da vida cristã. Ele deixa também uma obra que vai ficar como reflexão importante, especialmente para o próximo ano, quando comemoramos o quinto centenário da Reforma Protestante”, enfatizou.

 

Ao todo foram quatro oficinas e dois painéis, além das seis palestras que abordaram os diálogos de Wesley com Martinho Lutero, João Calvino, com a Tradição Wesleyana, com a Reforma Radical, Catolicismo Romano e com a nossa América, além das oficinas que provocaram vários debates entre estudantes e pesquisadores/as.

 

Participação

 

O pastor Joel Alves Neto, da 7ª Região Eclesiástica, ficou surpreso com a palestra sobre Wesley e a Igreja Católica. “Houve alguns desvios entre wesleyanos/as e católicos/as, mas, mesmo assim, no Concílio de Trento (1545-1563), Wesley sempre foi tolerante porque ele sempre priorizou a unidade da Igreja”, destacou.

 

Sobre a palestra do diálogo de Wesley e a Reforma Radical, o pastor Rafael Rogério de Oliveira, da 8ª Região, destaca a tolerância e respeito wesleyano. “Mesmo não concordando com os/as radicais em alguns pontos, Wesley deixava claro que acima de tudo é preciso falar e viver o amor”.

O estudante de teologia (EAD) Ronaldo Lima de Medeiros, da Igreja Batista, veio de Brasília/DF. “O que me interessou foi a presença do Dr. Justo González. Não posso concluir meu curso sem ouvi-lo”, disse o futuro pastor Batista.

 

O pastor Eliseu da Silva Faleiro enfatizou os temas polêmicos que foram abordados com sabedoria. “Percebemos o equilíbrio do palestrante para falar sobre temas delicados, por exemplo, a predestinação e como Wesley aproximou-se desses temas complexos por meio do diálogo”, finalizou.

Oficinas

 

Vários grupos se reuniram ao longo da Semana Wesleyana nas salas da Fateo para participar das Oficinas. Rosely Regly saiu de São José dos Campos/SP e cursa teologia EAD. Ela participou da Oficina Mulheres na Reforma. “Foi tão esclarecedora a oficina, a tal ponto de nós falarmos que quem fez a Reforma foram as mulheres. Temos que ter um olhar no passado. Esse foi o ponto central dessa oficina”, disse Rosely.

 

A professora Margarida Ribeiro, que ministrou a oficina, está contente com a proposta realizada. “O desafio que fica é o de consertar o passado com justiça e dar luz a essas mulheres na Igreja. É preciso resgatar a história delas como uma história inclusiva e não exclusiva”.

 

O Diálogo entre Igrejas Protestantes foi o tema da Oficina ministrada pela Dra. Magali do Nascimento Cunha. A pastora Anaíla Roberto de Souza Silva, de Uberlândia/MG, fez uma análise da atualidade depois de sua participação: “O diálogo entre as igrejas protestantes da atualidade tem alguns impedimentos. Há algumas barreiras e pouco respeito com o diferente”, desabafou.

Abertura e encerramento

 

O bispo Luiz Vergílio abriu a Semana Wesleyana destacando a importância de saber o nosso lugar. Ele usou vários exemplos de pessoas e lugares, entre eles o Avivamento na Rua Azuza, nos Estados Unidos; o protesto da negra Rosa Parks, que não saiu de seu lugar (destinado num acento de ônibus para os brancos), em 1955, para sinalizar a luta pelos direitos civis; Martinho Lutero, que pregou na porta do Castelo de Wittenberg suas 95 teses sobre a Reforma da Igreja e, por fim, a experiência do coração aquecido do fundador do metodismo John Wesley na Rua Aldersgate, na Inglaterra, no dia 24 de maio de 1738.

 

O bispo João Carlos Lopes encerrou a Semana Wesleyana com alguns apontamentos sobre o texto de Marcos 8.1-26. No sermão, o bispo lembrou a experiência “fracassada e embaraçosa de Wesley na Geórgia” para falar do dia 24 de maio, onde o fundador do metodismo teve o coração “estranhamente aquecido”.

 

Na reflexão, o bispo João Carlos destacou quatro “colunas” e quatro “demônios”: adoração e o demônio do egocentrismo; formação comunitária e o demônio do individualismo; a Missão e o demônio do etnocentrismo (exagero ao extremo); compaixão e justiça e o demônio da apatia e indiferença.

 

“Satanás significa aquele que seduz, Diabo, aquele que divide; demônio é aquele que nos encaminha para caminhos errados e pensamentos equivocados. O altar de nossas igrejas deveria ser túmulo para as prioridades equivocadas”, finalizou o bispo.

 

Palestrante Justo Gonzaléz conversa com Bispo Adonias e sua esposa Marta

Palestrante Justo Gonzaléz conversa com Bispo Adonias e sua esposa Marta

 

Escrito por José Geraldo Magalhães

 

Pela primeira vez, o conteúdo da 65ª Semana Wesleyana foi divulgado no próprio evento. O livro John Wesley em Diálogo com a Reforma com as seis palestras do Dr. Justo González. O Conteúdo pode ser adquirido nos sites abaixo:

 

Editeo
www.livrariaediteorio.com.br

 

Angular Editora
www.angulareditora.com.br

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