2016_05_familia_modernosConsiderando a vivência experimentada nesses últimos 14 anos, com um ministério pastoral focado no atendimento às famílias, com as suas peculiaridades estruturais: patriarcal, nuclear e família extensa, diria que um dos maiores desafios da pós-modernidade do ponto de vista existencial é colocar a família em primeiro lugar. Não é uma proposição ética tão óbvia, trivial, nem tão aceita por aí. Basta entrar na internet e encontraremos milhares de artigos que nos estimularão a colocar em primeiro lugar os outros – a sociedade, os/as amigos/as, o dever, o trabalho, o/a cliente, mas raramente a família.

Colocar a família em primeiro lugar tem um custo com o qual nem todos/as podem e querem arcar. Implica em menos dinheiro no bolso, menos projeção social. Normalmente, a grande discussão é como conciliar o conflito entre trabalho e família. Portanto, se faz necessário contextualizar o comportamento entre a pós-modernidade com a família nuclear. Ao examinarmos as relações humanas no contexto familiar não podemos fazê-lo isoladamente, sem considerar a família como parte de todo o complexo social.

Moderno é aquilo que se aprimorou e que se tornou melhor. A família moderna é aquela que tem uma estrutura saudável, uma dinâmica produtiva e um processo evolutivo menos traumático.
Entretanto, as transformações do mundo atual são rápidas e profundas. Os valores éticos e morais são mudados constantemente e as relações familiares têm sido afetadas diretamente por eles. A família vive dias de tensão e desestabilização. Essas tensões são provocadas pela situação econômica, política e social do país, perda de valores, mudanças no comportamento das pessoas, banalização da violência, desemprego, número crescente de divórcio, mudanças de paradigmas, entre outros.

Pensando-se na estrutura saudável de uma família nos tempos atuais, existe uma grande necessidade da coerência no exemplo, testemunho e responsabilidade dos pais, no que tange aos ensinamentos passados aos filhos e filhas no relacionamento familiar, que devem definir o que é bom e certo e não somente o que é ruim e errado.

Içami Tiba, médico psiquiatra e psicoterapeuta, diz que em tempos de grandes mudanças não é fácil para os pais identificarem com clareza os limites da verdadeira disciplina no trabalhoso e gratificante processo de educar os/as filhos/as. Mas é preciso um esforço na construção de condutas positivas dos pais, que trarão benefícios inestimáveis quando imitadas pelos/as filhos/as, como: dedicação ao trabalho e estudos, obediência às leis, práticas da verdade, honestidade. Isso ocorre quando há uma alternância flexível de apoio afetivo entre os membros da família, procurando cada um dos pais e filhos/as satisfazer as expectativas uns dos outros, formando adequadamente a personalidade dos/as filhos/as através de um adequado padrão de convivência no relacionamento interpessoal.

Diante desse cenário, “quais os desafios da pós-modernidade para a vida da família?”, “e como a Igreja pode ajudar no tempo presente, quando a família está fragmentada, pelas vicissitudes da vida moderna?”. Pensamos que é possível ter uma família moderna e atualizada, mas ela não existe por acaso, é fruto de ações conscientes e, muitas vezes, planejadas. Isso demanda investimentos múltiplos para aprimoramento de sua estrutura e funcionamento.

O desafio que a Igreja tem é maior do que apenas ajudar a família a sobreviver, é necessário levá-la a crescer em meio à crise, a fazer de tempos difíceis momentos de superação através da prática do amor cristão. Urge que homens e mulheres de Deus com conhecimento profundo da Bíblia interpretem a vontade dele para estes tempos.

Entretanto, “que entendam, a partir da perspectiva de Deus, como viver seus valores, seus desígnios e sua vontade nesta época. Se a convivência matrimonial e familiar não for agradável, permite-se recorrer a novos recursos para voltar a ter prazer, ainda que isso signifique a separação ou uma dívida impagável”.

SOLI DEO GLÓRIA!
No apoio pastoral,
Olívio de Andrade da Silva
Pastor na 4a Região